Museum of Migration and Communities

A Memória

Aqui, dá-se visibilidade às expressões materiais e simbólicas da emigração da origem aos locais de destino, incluindo como foi o regresso, na arquitetura, no trânsito de ideias, no desenvolvimento de iniciativas económicas, sociais e culturais visíveis na espaços urbanos e rurais. , bem como as influências no comportamento da vida pública e privada

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Memórias de viagem

viver no exterior

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FAFE EM MEMÓRIAS DE EMIGRAÇÃO

Fafe concentra em si todas as dimensões de análise do que foi a Revolução Industrial, comercial e cultural do século XIX e das primeiras décadas do século. XX. Em particular, devido à emigração e retorno bem-sucedido do “brasileiro” à sua terra de origem, permitiu desenhar um espaço de evidência daquela época com contornos mais definidos do que em outros locais onde o mesmo fenômeno também ocorreu.

A diáspora em Portugal, tal como noutros países mediterrânicos, tem como principal evidência o regresso de alguns emigrantes ao território de origem e expressa diversidades de influência e marcas culturais no território nacional.

O século XIX e a primeira metade do século XX foram a época do regresso do emigrante português enriquecido ao Brasil, observando-se, em Fafe, a síntese dos elementos necessários à compreensão daquele tempo, todos eles especialmente visíveis numa época de regeneração e ação republicana. .

Fruto de todas as preocupações e intervenções relacionadas com a defesa deste património e, em particular, do notável período do Brasileiro de Torna-Viagem em Fafe, nasceu nesta pequena vila a ideia de um Museu da Emigração e Comunidades. .

De facto, em Fafe, desde 1858, os emigrantes que regressam do Brasil são os construtores de palácios, casas apalaçadas, palacetes e nas suas fachadas encontramos a representação de si próprios, como um novo personagem social. No interior, podemos visitar uma vida elegante, urbana e culta da burguesia capitalista, que inclui peças como o piano, revistas estrangeiras, joias importadas e móveis de madeira do Brasil.

Desenharam uma cidade, abrindo ruas e praças, construíram o exótico jardim romântico do Calvário ou Passeio Público (1892), tentando imitar as metrópoles, financiaram bandas de música locais e patrocinaram os Bombeiros Voluntários (1890).

O compromisso com a vida política, refletido nas acirradas batalhas entre progressistas, regeneradores e republicanos, testemunhadas na numerosa imprensa local, são sinais de um retorno vitorioso e marcas de novas formas de capital social, cultural e simbólico, que fazem do “brasileiro” o centro da paisagem social, refletida na vivência dos frequentadores de cassinos, praias, spas, cafés, teatros e hotéis, como homens que transformavam o ócio na expressão de um novo status social.

Nos almanaques (1909), nos jornais (desde 1892) e no cemitério (1855) encontramos os nomes, retratos e bustos, que são o rosto da filantropia caritativa ao serviço da educação, da pobreza e da doença, como gestos de distinção individual . , de serviço público e vínculo com as origens, bem como os princípios das lojas dos maçons, os espaços de sua socialização, nas metrópoles do Brasil, onde chegaram ainda crianças.

Os princípios da liberdade, da razão e da ajuda mútua, ali aprendidos, e que marcaram o sentido ideológico das suas vidas, levaram-nos à construção dos edifícios cívicos: Hospital (1858), Asilos de Infância Desvalida (1877) e dos Inválidos (1906). . ), Escolas Conde Ferreira (1866) e Deolinda Leite (1892), Igreja Nova de São José (1895) e a Confraria de São José ou Misericórdia que administrava o Hospital (1863).

Com a construção das primeiras indústrias, Steam – Companhia de Fiação e Tecidos de Fafe (1873), Companhia de Fiação e Tecidos do Bugio (1886), Empresa Têxtil do Rio Ferro (1931) e Fábrica Fafense de Sodas, Refrigerantes e Laranjadas Santo Ovídeo (1918) – desenha o que se tornou o tecido industrial do Norte de Portugal, configurando outros centros sociais de pessoas que se instalaram em bairros operários de pobreza prolongada.

Ao mesmo tempo, nos teatros que construíram bem no centro da cidade (1875) e (1924), mostravam o gosto pelas artes e a vontade de se promoverem e a cultura, elementos necessários a este novo burguês (o burguesia formada por emigrantes bem sucedidos) que discutiu as últimas chegadas da Europa no clube (1901).

Os sinais de retorno bem sucedido e as marcas expressas nas novas formas de capital social, cultural e simbólico, fazem dela o centro da paisagem social, promovendo a chegada do comboio à aldeia (1907), a instalação da electricidade (1913) e, por fim, o telégrafo que o ligava ao mundo, testemunhando uma vida de homens viajados e cultos.

Do fracasso e dos que se perderam no sertão da diáspora, perdura o silêncio da história, por ser incapazda sua construção ou, simplesmente, pelo medo da tragédia