VISCONDE DE S. BENTO

           

Foi único visconde e conde de São Bento, Manuel José Ribeiro, que nasceu em Santo Tirso em 2 de Agosto de 1807 e ali morreu em 26 de Março de 1893, filho de Domingos José Ribeiro e de sua mulher D. Rosa Maria Martins.

 

Embarcou para o Brasil com 11 anos de idade, depois de receber alguma instrução elementar na escola de sua terra.

 

O navio porém foi assaltado por piratas e o jovem só com muita dificuldade conseguiu regressar a Portugal, depois deste primeiro malogro.

 

Ajudado pelo seu conterrâneo Manuel Luís de Paiva, teve como empregado da casa do comendador José Bento da Silva, seu primeiro patrão.

 

Até 1832 andou à procura de fortuna por algumas cidades do Baixo Amazona (Santarém e Alenquer), regressando a Santa Maria de Belém, onde se fixou na casa de José Pais de Sousa ate 1837, ano em que se estabeleceu por conta própria.

 

Em 1874, numa das suas visitas a Portugal, já 67 anos, não mais voltou ao Pará, instalando-se definitivamente na vila de Santo Tirso.

 

Auxiliado pelo seu sobrinho José Luís de Andrade liquida a sua casa comercial no Brasil e transfere para Portugal a grande fortuna que possuía.

 

Um ano depois do seu regresso, 1875, era agraciado com a Comenda de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.

Por Decreto-Lei de 20 de Janeiro de 1881 foi Comendador Ribeiro agraciado com o título de Visconde de São Bento.

 

No principio de 1882 adquiriu o novo titular a casa e a quinta do mosteiro de Santo Tirso.

 

As «Quintas do Mosteiro, de Dentro e de Fora» são hoje ocupadas pela Escola Agrícola do seu nome, que o Conde de São Bento após as ter comprado, doou à Santa Casa da Misericórdia com o fim de ali instalar um Asilo Agrícola.

 

A 3 de Janeiro de 1886 foi inaugurado na vila o edifício para uma ampla escola de ambos os sexos mandada construir e mobilar pelo Visconde de São Bento.

 

Por Decreto de 6 de Maio de 1886 foi o Visconde de São Bento elevado a Conde.

 

Em 9 de Agosto de 1890 foi concedida ao Conde de São Bento a medalha de ouro de Instrução Nacional.

 

O Conde de São Bento cedeu todo o terreno que o hoje é ocupado pelo Parque D.Maria II (anteriormente tinha o nome e de Praça Conde de São Bento).

 

É nesta praça a poente que encontramos o edifício que o Conde mandou construir para o Hospital da Misericórdia e, como tal, serviu o concelho durante longos anos.

 

Os seus sentimentos filantrópicos levaram-no a dotar aquela vila com grandes benefícios: fundou uma escola e um hospital, custeando o respectivo funcionamento, restaurou a capela do Senhor dos Passos, assegurou as despesas do culto, e cedeu vastos terrenos da sua quinta à Câmara Municipal da vila para abertura de novas ruas.

 

Construiu a Fábrica de Santo Tirso, a primeira empresa industrial desta vila, garantindo trabalho para 40 operários tirsenses.

 

Por outro lado, teve também preocupações religiosas, tendo feito uma série de benefícios à Igreja de Santo Tirso, bem como a reedificado a Capela do Senhor dos Passos.

 

No dia 26 de Março de 1893,  faleceu o Conde de São Bento que residia numa casa de azulejos situado no Campo 29 de Março, actual Praça Conde de São Bento.

 

O Conde de São Bento repousa no jazigo que lhe foi mando erigir por seu sobrinho e herdeiro José Luís de Andrade e que se acha colocado ao meio do claustro da igreja.  

 

Fora da Vila a sua actividade também foi meritória: reconstruiu a igreja de Santiago da Carreira (V. N. de Famalicão) e da matriz de Santiago dos Arcos; mandou construir as capelas de Santa Cristina, de Santiago de Bougado e de Nossa Senhora das Dores, na Trofa, etc..

 

Tem um monumento em Santo Tirso, com estátua, inaugurado em 1892 e foi dado o seu nome à Escola Pratica de Agricultura, na mesma vila.

 

O título de Visconde foi-lhe concedido em 1881 por D. Luís e o mesmo monarca o elevou a Conde em 1886.