Internet: cronologia de um tempo recente

 

A história da Internet como uma rede global de redes de computadores que a world wide web, uma aplicação executável na Internet, conseguiu tornar a utilização fácil. O sistema iniciado em 1969 na ARPANET (Advanced Research Project Agency) foi criado com o objectivo de estimularem a investigação no campo da informática interactiva.

Em 1969 os primeiros nós da rede situavam-se em universidades: los Angeles, Califórnia – Santa Barbara e Utah). Em 1990, depois de vários desenvolvimentos militares e científicos a maior parte dos computadores dos EUA estavam apetrechados para poder funcionar em rede e a ISP (Internet Service Providers) como fornecedores de serviços Internet constroem as suas próprias redes e criam ligações de acesso próprias (gateways), com fins comerciais.

Outros contributos chegaram em 1977 quando Ward Christensen e Randy Suess, criaram um programa a que chamaram MODEM que permitiu a transmissão de ficheiros entre os seus PC’s, completado com o Computer Bulletin Board System que permitiu arquivar e transmitir mensagens e decidiram tornar o estes programas do domínio público.

O sistema UNIX, criado pelos laboratórios Bell, disponibilizado às universidades em 1974, juntamente com o código fonte, converteu-se na língua franca. Em 1978, passa a haver a possibilidade de se copiar ficheiros de um computador para outro através do programa UUCP (Unix-to-Unix copy).

Em 1979, quatro estudantes da Carolina do Nort (Truscott, Ellis, Bellavin e Rockwell) desenharam um programa de comunicação entre computadores UNIX, vindo a permitir a formação de redes de comunicação entre computadores, depois de melhorada em 1980 fora do que foi a ARPANET, possibilitando a expansão da prática da comunicação informática.

O passo seguinte foi a criação de um programa para a ligação entre os sistema ARPANET E O UNIX: o USENET, liderado por um grupo de investigadores da Universidade da Califórnia, Barkeley, onde se estava a trabalhar em adaptações e aplicações UNIX, permitindo que várias redes informática pudessem comunicar entre si, dando origem à INTERNET.

Em 1991, surge a LINUX como novo sistema operativo, baseado no UNIX e difundido gratuitamente na Internet, tornando-se um dos sistemas mais avançados do mundo, por ser gratuito, estar aberto às contribuições de melhoramento dos utilizadores e de milhares de hackers .

Em 2000, eram 40.000 nós e cerca de  3 milhões de utilizadores, para a qual tinha contribuído definitivamente de Tom Jennings que, em 1983, criou o programa BBS, o Fido, e pôs em marcha uma rede de BBS, a FIDONET. A FINONET baseada na utilização do PC., com ligações através das linhas telefónicas comuns. Cf M. Castells (A Galáxia Internet: (2007, 1-31)

 

 

Internet: UTOPIAS REAIS

 

Alan Turing, nos anos 30 do século XX, imaginou uma máquina chamada “Máquina Universal” ou “metamáquina” na qual reduzia em expressões matemáticas, aquilo a que chamamos hoje “computador”. Em 1945, Vanevar Bush, matemático e pesquisador do MIT (Instituto Tecnológico de Massachusets) tinha proposto o sistema Memex, como uma máquina portátil. Em 1965, Ted Nelson idealizou um hipertexto de informação interrelacionada no manifesto Computer Lib, procurando ligar toda a informação passada, presente e futura.

Douglas Engelbart, a trabalhar em São Francisco, apresentou em 1968, o Sistema On-Line, que incluía o interface gráfico e o rato. Nos anos 80, Bill Atkinson, autor do interface gráfico do Macintosh, desenvolveu o sistema HyperCard.

Berners-Lee tornou realidade estas construções abstractas ao aperfeiçoar o programa Enquire, que tinha idealizado em 1980, beneficiando do facto de a Internet já existir. A ele se deve a construção do software que permitiu introduzir e tirar de um computador informação de e em qualquer computador ligado através da Internet (http, HTML, e URI, mais tarde denominado URL). Em 1990, Berners-Lee, em colaboração com Robert Calliau construiu o programa o programa navegador/editor (browser/editor), chamando a este sistema de hipertexto: World Wide Web.

A Internet nasceu em 1995, com a construção de um sistema aberto que permitia a ligação em rede de todas as redes informáticas de qualquer parte do mundo.

Cf M. Castells (A Galáxia Internet: (2007, 1-31)

 

DIMENSÃO SOCIAL DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO

 

O governo finlandês definiu, em 1995, como objectivos estratégicos: a ligação em rede de todas as instituições educativas e bibliotecas; uso a tecnologia de informação na educação; alfabetização na Internet; Emprego das tecnologias de informação para os mais velhos; formação de um grupo de bem-estar social.

No contexto da implementação do plano estratégico de educação, foram definidos sete programas que enfatizavam o papel da infra-estrutura tecnológica com função educacional. Neste âmbito, foi formulado uma abordagem sistemática designação - Estruturas do Sistema de Informação: Qualificação para a Sociedade de Informação (alfabetização na Internet), Educação para Professores (qualificação pedagógica na Internet), Educação para Profissionais da Informática (engenheiros, etc.), Universidade Virtual (um ambiente de aprendizagem virtual para o terceiro ciclo), Escola Virtual (um ambiente de aprendizagem virtual para o primeiro e segundo ciclos), Ambientes de Aprendizagem Virtual (desenvolvimento de novos ambientes de aprendizagem geral baseados em pedagogia moderna) e a Produção de Conteúdos (organizados pelo Ministério da Cultura). Cf Castells, 2007: 129-138

A lógica anunciada e estruturada pelos finlandeses tem servido de exemplo mundial fundamentalmente pela aceleração do uso da tecnologia associada, pela amplitude dos destinatários que envolve, bem como pelos efeitos directos e indirectos nos diferentes sistemas: económico, social e cultural das sociedades.

 

Novos produtores e novos meios são o sucesso do desenvolvimento desta estratégia que teve com principal problema o desenvolvimento de produtos sistemáticos e integrados nos curriculums, universidades ou de uso pela população em grande escala, sendo as iniciativas individuais aqueles que mais contribuíram com projectos individuais, evidenciando que o exercício da cidadania substituiu as estratégias governamentais. Cf. M.Castells, A Sociedade da Informação e o Estado-Providência – O Modelo Finlandês 2007: 129-138

 

DIMENSÃO ECONÓMICA DA INFORMAÇÃO

 

A informação constitui a centralidade do tempo presente, com evidentes alterações dos quadros económico, financeiro e social e cultural, em que a ruptura introduzida pela tecnologia conduziu à designação de sociedade de informação, dado que as actividades decisivas da praxis humana passaram a basear-se em tecnologias de informação organizadas em redes de informação e centradas no processamento de informação. Cf. M.Castells, A Sociedade da Informação e o Estado-Providência – O Modelo Finlandês  (2007: 1)

 

A mais relevante das dimensões tem sido considerada a económica informacional centrada na existência de um “rede global de mercados financeiros baseados em tecnologias da informação, utilizando modelos informáticos capazes de analisar informação a alta velocidade e em tempo real”;

Porém a maior das surpresas foi ver como o poder da nova tecnologia permitindo “a conectividade em rede transforma a organização interna da empresa, a sua relação com os consumidores e os fornecedores e as parcerias com outras empresas”, ou seja a “empresa em rede”, Cf. M.Castells, A Sociedade da Informação e o Estado-Providência – O Modelo Finlandês (2007: 2) como estrutura organizacional constituída em torne de projectos - a “Sociedade em rede” ou “Sociedade da informação”.

 

Designada por “nova economia” os efeitos mais viseis deram-se nas alterações estruturais na dimensão económica, mercados financeiros, havendo melhorias na produtividade e na criação de novos produtos, estes cada vez mais baseados no processamento da informação, produzindo-se neste domínios efeitos uma verdadeira transformação estrutural e arrastando consigo a construção novas abordagens ao social e ao cultural, particularmente na dimensão comunicacional.

Os produtos ultrapassaram as fronteiras territoriais, os mercados tornaram-se globais e os sistemas de regulação pouco eficazes.

 

As consequências sociais tiverem idênticos resultados em termos de inovação tecnológica, crescimento da produtividade e competitividade económica, levando, Cf. M.Castells, A Sociedade da Informação e o Estado-Providência – O Modelo Finlandês (2007: 3) a considerar que “como no caso da sociedade industrial a Sociedade da Informação partilha traços estruturais comuns em todo o mundo: fundamenta-se na geração de conhecimento e no processar de informação, com ajuda das tecnologias de informação baseadas na microelectrónica; organiza-se em rede; as suas principais actividades estão interligadas à escala global, funcionando como uma unidade em tempo real, graças à infra-estrutura de telecomunicações e transportes”. Cf. M.Castells, A Sociedade da Informação e o Estado-Providência – O Modelo Finlandês, (2-3)

 

Assim, todos os países do mundo se transformam em informacionais a velocidades diferentes. O facto de ocorrerem em contextos históricos e culturais distintos, variando de instituições e alcançando formas distintas de organização social, podem, mesmo assim, alcançar níveis similares de informalismo tecno-organizacional. 

Outro dos aspectos relevantes inscreve-se no domínio da não existência de um único modelo de Sociedade de Informação, criando-se o princípio de que, a Era da Informação se define por corresponder a uma realidade global, diversa e multicultural. Cf. M.Castells, A Sociedade da Informação e o Estado-Providência – O Modelo Finlandês (2007: 21-31)