|
|
SEMINÁRIO INTERNACIONAL
MEMÓRIAS E MIGRAÇÕES Museus, Educação, Diversidades e Direitos Humanos
FAFE: 5-8/Julho/2007
Conclusões
Miguel Monteiro Coordenador do Museu da Emigração e das Comunidades Coordenador Geral do Seminário - Memórias e Migrações
"O Museu da Emigração e das Comunidades, Fafe (Portugal), desempenha um papel de líder nesta rede internacional dos museus das migrações, devido não só à importância histórica das migrações para Portugal e às trocas concretas com os nossos parceiros brasileiros e franceses, (...)." (unesco: Paul de Guchteneire, Carine Rouah)
A extensão mundial e valores quantitativos, inscritos na mobilidade legal e clandestina, as grandezas individuais e as tragédias colectivas vivenciadas pelos Migrantes nos territórios de saída e de destino, onde se experimentam as rupturas familiares, o sofrimento físico e psicológico e, muitas vezes, a morte, violando os Direitos Humanos, revelaram, ao longo dos tempos, uma dimensão histórica e sociológica que transportou este fenómeno para uma posição particularmente relevante nas preocupações políticas dos diferentes Estados.
Sendo os Museus das Migrações, entendidos como lugares de cultura, de memórias e de diálogo, espaços privilegiados para revelarem uma História Moderna e Contemporânea marcada e perspectivada por este fenómeno, na sua visibilidade material e simbólica, particularmente no que se refere à defesa da liberdade, da solidariedade e do progresso, entendeu a UNESCO dar-lhes um lugar proeminente na prossecução dos seus objectivos principais: “Dar a conhecer, integrar e construir uma consciência das migrações.” “Dar a conhecer: as contribuições dadas por emigrantes às suas sociedades de acolhimento; a diversidade e a riqueza das culturas de origem; o direito a uma dupla pertença; Incluir e integrar: promover o sentido da pertença; permitir às comunidades que se sintam parte integral da nação; encontrar aspectos comuns e contribuir para uma identidade nacional; Construir uma consciência dos eventos que induziram indivíduos - e refugiados em particular – a deixar a sua terra, desenvolvendo assim uma empatia entre a população do país de acolhimento. Mais geralmente, desconstruir os estereótipos ligados à imigração." (Objectivos principais definidos pela UNESCO para os Museus das Migrações - Encontro de Roma, 2006)
Foi neste espírito definido pela UNESCO que o Museu da Emigração e das Comunidades integrou na sua organização e na organização deste Seminário a Associação Europeia de Museus das Migrações, Federação das Associações Portuguesas de França, Migration Museums - UNESCO, Fundação Casa de Rui Barbosa - Rio de Janeiro, iniciando um processo de coordenação de interesses nacionais assentes na mesma perspectiva integradora e apresentando-se como mais um elo de uma rede internacional de museus que persegue objectivos comuns.
Desde logo, os princípios enunciados pelos representantes da UNESCO neste Seminário Internacional, enquanto líderes do movimento Migration Museums e International Migrations and Cultural Policies vieram desenhar consistentemente o processo em marcha, a nível internacional, procurando, através da rede de museus proposta, tornar mais sólido um percurso que a nível nacional e local se pretende igualmente favorecedor do conhecimento, integração e construção de uma nova consciência deste fenómeno. Um passo em frente numa preocupação comum.
Nesta perspectiva, foram assinados protocolos de cooperação cientifica, cultural e tecnológica com a Universidade Aberta, com o Instituto de História Contemporânea da FLUP (Faculdade de Letras da Universidade do Porto) e com o Departamento de Informática da Universidade do Minho, bem como um protocolo de associação com o Museu dos Pioneiros - Toronto, Canadá, protocolos a desenvolver com o Museu da Emigração e das Comunidades, na perspectiva, não só de associar e cooperar com as diferentes comunidades científicas e culturais, como tornar relevante uma vocação de investigação científica, cultural e cívica, premente nos nossos dias.
Reforçaram-se contactos e linhas de trabalho anteriores com o Presidente da (AEMI) Associação Europeia de Museus das Migrações e com o Directeur Général Adjoint - Etablissement Public de la Porte Dorée - Cité Nationale de l'Histoire de l'Immigration, no sentido de tornar possível o intercâmbio de experiências, actividades e projectos na área da mobilidade humana. Reforçou-se igualmente o intercâmbio de acção e projecto com o Instituto de Estudos Superiores de Fafe, entidade de acolhimento deste Seminário Internacional.
A Fundação Rui Barbosa como uma das instituições organizadoras, articulou o primeiro elo internacional: “O elo inaugural da cooperação entre a Fundação e o Museu é o interesse comum pela figura do Comendador Albino de Oliveira Guimarães. Centro de pesquisa e documentação, vinculado ao Ministério da Cultura, a Fundação está instalada em propriedade que pertenceu ao Comendador, em meados do século XIX, antes de ser adquirida por Rui Barbosa, advogado e político, em cuja homenagem foi instituído um museu-casa, hoje património cultural brasileiro.” (Ana Pessoa, Fundação Casa de Rui Barbosa, Rio de Janeiro);
De igual modo, as Sessões Científicas Temáticas versaram: Migrações: Diversidades, Culturas e Direitos Humanos; Migrações: História, Património e Educação; Migrações: Museus e Arquivos de Memórias procuraram dar a conhecer e valorizar os museus como pólos coordenadores de investigação da História Económica, Social e Cultural, associada às migrações e às inerentes permutas culturais que daí advêm.
A amplitude, riqueza e particularidades do fenómeno, decorrentes da dimensão quantitativa e qualitativa das movimentações humanos foi evidenciada através de: Biografias e história particular de carácter local e regional, como uma das centralidades mais vincadas da inquietação científica dos nossos dias, nas quais se inscreveram as expressões maiores da vivência humana; Estudos sociológicos e antropológicos que têm dado contributos significativos para o estudo das migrações, face à grande complexidade do fenómeno da mobilidade humana, em termos de interacção social e cultural; Investigação educacional, em busca de abordagens do ensino da multiculturalidade para o diálogo intercultural; Os museus e arquivos, como lugares de estudo, preservação e defesa da memória histórica e social, instrumentos que possibilitam a valorização da identidade cultural dos migrantes, procurando novos sentidos e perspectivas; Emergência da Web nos nossos dias, dado que a conjugação entre a ciência e as novas tecnologias permite novas abordagens ao fenómeno das migrações, articulando conteúdos, métodos e procedimentos, nomeadamente pela sua aplicação a grandes volumes de informação e pela sua utilização nos domínios das técnicas da comunicação em web. Daí a criação de um sítio na Internet dedicado ao tema e um fórum electrónico que acabam de ser lançados pela UNESCO para facilitar as trocas, e uma proposta de projecto formulada para actividades de terreno. Migration Museums Web Community - network@migrationmuseums.org
Integraram ainda este Seminário Internacional: as Exposições: Ellis Island Portraits 1905-1920 -U.S.A. Ellis Island Immigration Museum; Aristides de Sousa Mendes- Le Juste de Bordeaux;Le Rêve Portugais: -25 ans d'Immigration Portugaise en France; Visitas a Museus e Sítios Históricos de Emigração e Retorno e a Homenagem ao Benemérito e Filantropo Comendador Albino de Oliveira Guimarães, iniciativas que se inserem na linha dos objectivos enunciados e tornam sólida a ideia de que os Museus das Migrações (e o Museu da Emigração e Comunidades - Fafe) podem ser os espaços da conciliação e integração, através do seu investimento cultural relacionado com a História, Educação, Diversidades e Direitos Humanos.
|