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Estrutura Viária
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Miguel Monteiro (1996),Migrantes, Emigrantes e Brasileiros,Territórios, itinerários e trajectórias,Braga, Universidade do Minho |
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A igreja de Santa Eulália e as vias de comunicação constituem os elementos de referência para a compreensão do processo de estruturação urbana da cidade de Fafe. A igreja, por constituir o primeiro elemento central de referência da agregação social documentado e as vias de comunicação locais, por afirmarem o principais referentes de vivência sócio-económica e cívica (a câmara, a cadeia, a feira, o passeio público, das casas dos burgueses capitalistas). O desenvolvimento posterior da freguesia de Fafe, terá sido determinado, pela existência de uma documentada via medieval que ligava Guimarães a Cavês, tendo como referentes principais os mosteiros de Santa Maria da Oliveira e o mosteiro de Refojos de Basto. |
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Este eixo é marcada pelas pontes românicas de Bouças, e a da Ranha, no lugar com o mesmo nome, em Fafe. Um segundo eixo orientado no sentido Norte - Sul, tendo como grandes referencias os mosteiros de Fonte Arcada, em Povoa de Lanhoso e o de Pombeiro, nas proximidades de Felgueiras. Carlos Alberto Ferreira de Almeida refere que «nas viagens para Roma ou Castela o mais importante caminho saía do Porto, indo a Valongo, Amarante, Lamas de Orelhão e daí a Bragança ou Torre de Moncorvo e a Freixo. Bastante seguido eram também o caminho que ia por Guimarães, Cavês, Valpaços e Bragança. Menos vulto tinha o que ia de Braga a Chaves e daí a Bragança». [11]
O facto de Fafe se situar num itinerário de ligação a Roma, na passagem por guimarães, durante a dominação Romana, dá-nos a informação da forte romanização da Terras que se situavam neste trajecto. Para a Idade Média, esta via é referida pelo mesmo autor, como local onde se encontrava, no lugar de Bouças, uma gafaria «muito nomeada nos meados do século XIII».[12] |
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Porque ela se encontrava à distância de poucas centenas de metros dos Castro romanizados de Santo Ovídio, situado na freguesia de Fafe e do Castro da Subidade, este já na freguesia de São Gens, deduzimos que ela terá servido durante o Império Romano, e em toda a Idade Média, como trajectórias de peregrinações, comércio e ligação do Litoral ao Interior e de Portugal às Terras de Espanha. A especial localização da freguesia de Santa Eulália, no que foi o contexto geo-espacial da Idade Média, determinou, naturalmente, para esta localidade uma progressiva importância, dado que um elevado número de mosteiros tinham assento nas suas proximidades, conforme J. Marque (1988), de entre os quais destacamos: São Gens de Montelongo (século XI); Santa Maria de Antime (1120); Mosteiro de Várzea Cova (1131; São Salvador de Fonte Arcada (século XI); São João Baptista de Arnoia (1176); Santa Maria de Pombeiro (1059); São Miguel de Refojos de Basto (1131); São Salvador de Roças (século XI), Mosteiro de Guimarães (957); Santa Maria da Oliveira (1033); São Pedro de Cerzedelo (Lanhoso) (1059); São Martinho de Caramos (1090); Santa Marinha da Costa (século XI); São Torcato (1052). [13] |
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As vias medievais eram ainda os caminhos que ligavam povoações vizinhas, vilas e cidades, o que justifica a localização de outras vias românicas assinaladas pelas pontes do Barroco em Golães e São João, em Fareja, as quais eram as principais vias de comunicação do concelho. Ao mesmo tempo, muito daqueles locais foram centros de peregrinação e, dada a localização de Fafe, por aqui se faria a passagem obrigatória de almocreves, viajantes, peregrinos, mercadores e feirantes. |
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Como já dissemos atrás, Fafe, situa-se num lugar privilegiado para circulação de pessoas e mercadorias entre o litoral e o interior, o que constituiu factor determinante no seu desenvolvimento, pelo que, na primeira metada do século XIX, são construidas as vias do Fontismo as quais mantêm o mesmo sentido, tendo estas sido deslocadas para a meia-encosta, onde vão aparecer as Pontes Novas. Em 1909, a distribuição domiciliária da correspondência era feita às 7.30 e as 1 h da Tarde, havendo duas expedições de malas pelos comboio do meio dia e às 10.30 h. Recebem-se malas de Basto duas vezes por dia de cabeceiras de Basto e uma de Celorico, Fermil e Mondim de Basto.. |
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Há no concelho a posta rural para todas as freguesias, partindo seis distribuidores e mais três Estações Postais do Bugio, Lagoa e Requeixo, donde fazem distribuições. [14] Em 1881, na lista de eleitores, são indicadas as profissões de Director dos Correios, um Carteiro e um Telegrafista, demonstrando a existência de um sistema de comunicações local. Por isso, Fafe é local de passagem que se fazia por esta via e foi usada desde o Império Romano até aos nossos dias, distinguindo-se no tempos apenas pelos que as utilizaram. |
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Quadro 1 - Comunicações e transportes em 1909
Fonte: Almanaque de Fafe, nº1, Fafe, 1909
11] Almeida, C. A. Ferreira de, Os Caminhos e a Assistência no Norte de Portugal, Lisboa, 1973, p.50 12] Idem, ibidem p.52 13] Marques, José , Arquidiocese de Braga no Séc. XV, Lisboa, Imprensa Nacional-C. M, 1988 [14] Almanaque de Fafe, nº 1, Fafe, 1909
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