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INDICADORES DE ROMANIZAÇÃO E DA IDADE MÉDIA |
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Miguel Monteiro (1996),Migrantes, Emigrantes e Brasileiros,Territórios, itinerários e trajectórias,Braga, Universidade do Minho |
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Na toponímia da freguesia de Fafe, para além dos achados romanos do castro de Santo Ovídio, os lugares rurais da Quintã, Agra, Agrela demonstram sinais de uma evidente romanização. A existência em quase todas as freguesia do concelho de topónimos como: Cimo de Vila, Fund' Vila, Vilar, Vilarelho, Vilela, Vilard'oufe, Vilarinho demonstram estar relacionados com a ocupação romana.
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Henrique Regalo refere, na prospecção feita no concelho, em trabalho de levantamento arqueológico, a existência de Castelos, Fortificações e Atalaias, nomeadamente em Quinchães, Moreira, São Gens, que evidenciam uma utilização dos inícios da Idade Média, em período de grande instabilidade administrativa e indefinição territorial. Segundo Carvalho da Costa, terá aqui existido um mosteiro que foi extinto para se unir ao de Santa Marinha da Costa, passando a ser tutelado por esta entidade religiosa e senhorial que passa a nomear o responsável religioso, e a receber as correspondentes contribuições provenientes da população.
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«Santa Eulália, foi Mosteiro, não alcançamos de que Ordem, entendemos que foi fundado por algum fidalgo dos do apelido Fafez; porque dizem ser este o solar desta família, e que daqui foi senhor Dom Godinho Fafes, filho de Dom Fafes Luz, Rico homem, e Alferes do Conde Dom Henrique, e que esta Vila, e Freguesia tomaram dele o nome: extinguiu-se não sabemos quando, e uniu-se ao Mosteiro de São Martinho da Costa, que nele apresenta Cura, com noventa mil Réis de rende, e para os Frades Jerónimos com sabidos mil cruzados. Tem esta freguesia cento e cinquenta vizinhos, e nela há excelente pedra para edifícios.» [8]
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Documentos do século XV, confirmam a ligação de freguesia de Santa Eulália de Fafe ao convento da Costa e do seu aforamento a Inês Gomes: «Em 9 de Abril de 1437, Frei Diogo Martins assumiu as funções de capelão e vigário de Santa Vaia Antiga, na actual Vila de Fafe, para que tinha sido apresentado pelo prior e todo o convento da Costa. É de notar que esta igreja estava aforada a Inês Gomes, pesando sobre ela a obrigação de lhe dar "de comer segundo que he contheudo em prazo". Por não serem abundantes as notícias sobre o estipêndio anual recebido pelos clérigos, consideramos oportuno informar que, além do que Inês Gomes tinha de lhe dar como alimentação, receberia ainda: 30 libras de moeda antiga;
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20 teigas de trigo, tiradas "do trigo que o dicto prior e convento aviam d'aver da dicta egreja"; ficando ao seu dispor a casa maior da dita igreja, cujas reparações necessárias corriam por conta de Frei Diogo Martins ou Inês Gomes.» [9] |
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Podemos assim constatar pela existência do aforamento da igreja de Santa Eulália Inês Gomes que pagava foros em dinheiro e em trigo, revelando esta informação que o uso da moeda era prática corrente no pagamento de foros, e também que o trigo constituía a cultura dominante. Ao mesmo tempo podemos concluir que a Inês Gomes dispunha da casa maior da igreja, sendo obrigada a dar de comer ao capelão e vigário de Santa Eulália.
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Estando Fafe tão próxima da importante cidade medieval de Guimarães, não podia estar afastada das suas preocupações de defesa do seu castelo, como referente e símbolo de identidade de uma nação construída na Idade Média. Por isso, os cavaleiros e os homens livres da terra de Montelongo tinham honra e privilégio de defesa do Castelo e da Vila de Guimarães.
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«Dos Privilégios, Honras, & Isençoens, que os Reys de Portugal concederaõ aos moradores da Villa de Guimaraens.[...] Privilégio delRey Dom Joaõ o Primeiro, em que manda que os moradores da Villa de Celorico de Basto, & Monte Longo venhaõ velar, & guardar a esta Villa, quando for tempo, & necessário no anno de 1423. está confirmado por ElRey Dom Joaõ o Terceiro anno de 1529. & já d'antes destes Reys o tinha concedido ElRey Dom Diniz, & disto ha sentenças no Cartório, & assim as justiças de Guimarães os compelliraõ a isso.».[10]
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As construções tumulares existentes no interior da Igreja Matriz de Fafe testemunham a sepultura de Cavaleiros laicos e/ou religiosos da Idade Média. Este facto prova-nos que Fafe era já um local onde residiam Senhores que tutelariam a administração local e compunham uma estrutura e organizativa da sociedade. No século XVIII, a Igreja de Fafe, sofre uma profunda remodelação, conforme o gosto da época, certamente, devida ao ouro do Brasil, como aconteceu, de resto em todo o norte do País. |
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Contam-se ainda na freguesia de Fafe, como principais referências religiosas do século XVIII, XIX e primeira década do séc. XX, as capelas de Santo Ovídio, situada no Outeiro do Castro; a capela de São José no lugar de São José e a de Pardelhas; as capelas particulares do Senhor do Porto, integrada na Casa do Paço, (lugar do Barroco) propriedade de Dona Maria da Luz Bettencourt Vasconcelos Correia e Ávila, Condessa de Paço Vieira; a capela de Nossa Senhora do Carmo, integrada Casa Brasona do Santo Velho, propriedade de Manuel Maria de Brito Ferrari de Almeida e seu irmão António Manuel e a capela particular de São Bento, integrada na Casa Brasonada dos condes de Azevedo, tendo sido um dos últimos proprietários Estevão Maria de Barbosa Carneiro de Queiroz de Azevedo e Borbom. |
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As capelas particulares que apresentam a fachada principal virada para o exterior e se encontram ajustadas ao corpo do edifício residencial dos seus proprietários, compram a prestação do serviço religioso aos não familiares, prática já desaparecida |
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[8] Costa, António Carvalho da, Corografia Portuguesa, Tomo I, Lisboa, 1706, p.157 [9] Marques, José , Arquidiocese de Braga no Séc. XV, Lisboa, Imprensa Nacional-C. M, 1988, p.755.756 [10] Costa, António Carvalho, Corografia Portuguesa, Tomo I, 2ª ed., Lisboa, 1868, p.90. |
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