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O TEMPO DOS METAIS E A VIDA NOS CASTROS |
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Miguel Monteiro (1996),Migrantes, Emigrantes e Brasileiros,Territórios, itinerários e trajectórias,Braga, Universidade do Minho |
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Os Castros identificados no concelho: Subidade, freguesia de São Gens; Retortinha, Cepães; Vilarelho, Serafão; Monte Santinho, Quinchães; Santo Antonino, Santa Cristina de Arões; Listoso, São Vicente de Passos; Crasto (Outeiro Mau), Revelhe; Outeiro da Portela, Ribeiros; Povoação, São Gens e, por último no Outeiro do Crasto (Santo Ovídio), Fafe. Estes conjuntos arquitectónicas, onde a existência de conceitos de planeamento e organização social, informam-nos de um outro momento civilizacional local, bem como o processo de transformação posterior a que estiveram sujeitos. |
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Conforme o onde foi posto a descoberto no Castro de Santo Ovídio, sabemos que povoado do Século I a. C. apresenta e demonstra contactos com os Romanos invasores, bem como as características espaciais de localização. «Este povoado caracteriza-se por uma razoável implantação geo-estratégica, localizados que são normalmente em outeiros bem destacados dos vales. Deveremos de resto realçar a proximidade do povoado em relação à larga bacia do Vizela, explorando mais intensamente na última fase da vida do povoado».[6] |
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A sua localização indica-nos o lugar de instalação dos primeiros habitats construídos com carácter de permanência de Fafe, onde os solos possuem excelente aptidão agrícola, favorável à agricultura de regadio que o Vizela oferecia, condicionada apenas pela utilização de instrumentos de ferro para aquela actividade, que os seus habitantes já possuíam.
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Este local, e segundo Martins (1991), possibilitava a exploração intensiva dos bons solos disponíveis numa área de cerca de dois Quilómetros, o que terá permitido e suportado um aumento da sua população, tendo em conta a ampliação da área construída do castro. Dos seus habitantes restaram um conjunto de vestígios materiais que se encontram no Museu Municipal e uma estátua de Guerreiro Luso-Galaico, aí encontrada em 1870, quando se faziam os alicerces da Capela de Santo Ovídio, e adquirida em 1876 pela Sociedade Martins Sarmento, onde ainda hoje se encontra. |
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Esta estátua demonstra a existência de uma atitude e a organização guerreira destes povos. [7] Na toponímia da freguesia de Fafe, para além dos achados romanos do castro estudado, os lugares rurais da Quintã, Agra, Agrela demonstram sinais de uma evidente romanização. A existência em quase todas as freguesia do concelho de topónimos como: Cimo de Vila, Fund' Vila, Vilar, Vilarelho, Vilela, Vilard'oufe, Vilarinho demonstram estar relacionados com a ocupação romana.
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Henrique Regalo refere, na prospecção feita no concelho, em trabalho de levantamento arquiológico, a existência de Castelos, Fortificações e Atalaias, nomeadamente em Quinchães, Moreira, São Gens, que evenciam uma utilização dos inícios da Idade Média, em período de grande instabilidade administrativa e indefinição territorial. |
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[1] Martins, Manuela, O Povoado de Santo Ovídio, Braga, Universidade de Minho, 1991, p.10 [2] Leroi-Gourhan, André, As Religiões da pré-história, Lisboa, Edições 70, 1990, p.60 [3] Martins, Manuela, O Povoado de Santo Ovídio, Braga, Universidade do Minho, 1991, p. 10 [4] Childe, V. Gorgon, A Aurora da Civilização Europeia, Cap. XII , Lisboa, Portugália Editora, 1969, pp.371.382 [5] Severo, Ricardo, As Braceletes d'Ouro de Arnozela, Portugália, Materiais para o estudo do povo português, separata do Tomo II , Fasc. I, Porto, Imprensa Portuguesa, 1905 [6] Martins, Manuela, O Povoado de Santo Ovídio, Braga, Universidade do Minho, 1991, p. 13 [7] «Tem de altura 1 m, 70 e de largura nos ombros 0 m, 68; e está bastante mutilada e sem cabeça. O guerreiro, representado com as pernas partidas, veste túnica, apertada por um cinturão de quatro dobras. Na parte superior de cada braço ostenta duas xorcas [pulseiras]. Com a mão esquerda segura um escudo redondo e côncavo, de 0m,50 de diâmetro, e com a mão direita um punhal embainhado» Vasconcelos, J.Leite de, Religiões da Lusitânia, Lisboa, Imprensa Nacional-C.M, Vol III, 1913, pp.53.54
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