Exposição

 

"Terra Longe Terra Perto

Traços da Emigração Portuguesa"  

 

Fafe

15 de Março a 30 de Agosto de 2008

 

Casa da Municipal de Cultura
Câmara Municipal de Fafe
Rua Major Miguel Ferreira
Tel: 253 490 900

Seg a Sex: 9h30 às 17.30 h

Sábado: 14h às 17.30h
Entrada gratuita

Visitas Guiadas:
Marcação prévia
Informações:
213 614 660 (Museu da Presidência da República)
253 490 900 (Câmara Municipal de Fafe)
 

 

ORGANIZAÇÃO

Museu da Presidência da República

APOIO

Câmara Municipal de Fafe

COORDENAÇÃO GERAL

Armando Felício

Susana Pina

Com o apoio de

João Paulo Oliveira

CONSULTORES DE PROJECTO

José de Melo

José Manuel Martins Ribeiro

Mafalda Durão-Ferreira

CONSULTORES CIENTÍFICOS

João Leal

Maria Beatriz Rocha-Trindade

Miguel Monteiro

INVESTIGAÇÃO

Armando Felício

Ana Cristina Ribeiro

Francisco Carrilho

João Paulo Oliveira

Jorge Inácio

Miguel Monteiro

Rui Almeida

Susana Pina

Vitor Gomes

Projecto Expositivo

Paulo Venâncio

CONTEÚDOS MULTIMÉDIA

Paulo Teixeira

Textos

Ana Cristina Ribeiro

João Leal

Maria Beatriz Rocha-Trindade

Miguel Monteiro

Susana Pina

Webdesign

Isabel Marto Martins

MONTAGEM

Câmara Municipal de Fafe

LINHA CRIATIVA

Horácio Castro

Victor Manuel Luis dos Santos

APOIO À MUSEOGRAFIA

Júlia Realinho

Luis Santos

Raimundo Badalo

design de comunicação

José Eduardo Real

maquetas

José Dias

 

 

FAFE NAS MEMÓRIAS DA EMIGRAÇÃO

Fafe concentra em si todas as dimensões de análise do que foi a Revolução Industrial, comercial e cultural do Séc.XIX  e primeiras décadas do séc. XX.

Em particular, pela emigração e retorno de sucesso do “brasileiro” à sua terra de origem, permitiu desenhar um espaço de evidências desse tempo com contornos mais definidos do que noutras paragens em que o mesmo fenómeno também ocorreu.

A diáspora em Portugal, tal como em outros países do Mediterrâneo, tem a sua principal evidência no retorno de alguns emigrantes ao território de origem e exprime diversidades de influência e marcas de cultura no território nacional.

O século XIX e primeira metade do século XX foi o tempo do retorno do emigrante português enriquecido no Brasil, observando-se, em Fafe, a síntese dos elementos necessários à compreensão daquele tempo, todos eles especialmente visíveis em tempo da regeneração e da acção republicana.

Produto de todas as preocupações e intervenções relacionadas com a defesa desse património e, particularmente, a época marcante do Brasileiro de Torna-Viagem em Fafe, nasceu a ideia de um Museu da Emigração e das Comunidades, nesta pequena cidade.  

De facto, em Fafe, desde 1858, os emigrantes de retorno do Brasil são os edificadores de palácios, casas apalaçadas, palacetes e nas suas fachadas encontramos a representação de si próprios, como uma nova personagem social. No seu interior, podemos visitar uma vida elegante, urbana e culta de Burguês capitalista, da qual constam peças como o piano, revistas estrangeiras, jóias de importação e mobílias de madeiras do Brasil.

 

Desenharam uma cidade, abrindo ruas e praças, construíram o exótico jardim romântico do Calvário ou Passeio Público (1892), procurando imitar as metrópoles, financiaram as bandas de música da terra e apadrinharam os Bombeiros Voluntários (1890).

O empenhamento na vida política, reflectido nos acesos combates entre progressistas, regeneradores e republicanos, testemunhados na inúmera imprensa local, são sinais de retorno de sucesso e marcas de novas formas de capital social, cultural e simbólico, que faz dos “Brasileiros” o centro da paisagem social, reflectida na vivência de frequentadores de casinos, praias, termas, cafés, teatros e hotéis, como homens que fizeram do ócio a expressão de um novo estatuto social.

Nos almanaques (1909), nos jornais (desde 1892) e no cemitério (1855) encontramos os nomes, retratos e os bustos, que são o rosto da filantropia benemérita ao serviço da instrução, da pobreza e da doença, como gestos de distinção individual, de serviço público e vínculo às origens, bem como dos princípios das lojas de maçons, os espaços da sua socialização, nas metrópoles do Brasil, onde chegaram ainda crianças.

Os princípios de liberdade, razão e de auxílio mútuo, aí aprendidos, e que marcaram o sentido ideológico das suas vidas, levaram-nos à construção de edificações cívicas: Hospital (1858), Asilos de Infância Desvalida (1877) e dos Inválidos (1906), Escolas Conde Ferreira (1866) e Deolinda Leite (1892), Igreja Nova de São José (1895) e a Confraria de são José ou da Misericórdia administradora do Hospital (1863).

Com a construção das primeiras indústrias a Vapor -  Companhia de Fiação e Tecidos de Fafe (1873), Companhia de Fiação e Tecidos do Bugio (1886), Empresa Têxtil do Rio Ferro (1931) e Fábrica Fafense de Gasosas, Refrigerantes e Laranjadas Santo Ovídeo (1918) - desenham o que veio a ser o tecido industrial do Norte de Portugal, configurando outras centralidades sociais de gente que se arrumou em bairros operários de pobrezas prolongadas.

Paralelamente, nos teatros que mandaram construir mesmo nos centro da vila (1875) e (1924), exibiram o seu gosto pelas artes e o desejo de promover-se e promover a cultura, elementos necessários a este novo burguês (a burguesia formada pelos emigrantes de sucesso) que discutia no clube (1901) as últimas novidades chegadas da Europa.

Os sinais de retorno de sucesso e as marcas expressas nas novas formas de capital social, cultural e simbólico, fazem dele o centro da paisagem social, promovendo a chegada do Comboio à Vila (1907), a instalação da energia eléctrica (1913) e, finalmente, o telégrafo que o ligava ao mundo, testemunhando uma vida de homens viajados e cultos.

Do insucesso e dos que se perderam no sertão da diáspora perdura o silêncio da história, por ser incapaz da sua construção ou, simplesmente, pelo temor da tragédia.

 

www.museu-emigrantes.org

Miguel Monteiro

(coordenador do Museu da Emigração e das Comunidades)

 

 

 

 

F