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Casa da
Municipal de Cultura
Câmara Municipal de Fafe
Rua Major Miguel Ferreira
Tel: 253 490 900
Seg a Sex: 9h30 às 17.30 h
Sábado: 14h às 17.30h
Entrada gratuita
Visitas Guiadas:
Marcação prévia
Informações:
213 614 660 (Museu da Presidência da República)
253 490 900 (Câmara Municipal de Fafe)
ORGANIZAÇÃO
Museu da Presidência da
República
APOIO
Câmara Municipal de Fafe
COORDENAÇÃO GERAL
Armando Felício
Susana Pina
Com o apoio de
João Paulo Oliveira
CONSULTORES DE PROJECTO
José de Melo
José Manuel Martins Ribeiro
Mafalda Durão-Ferreira
CONSULTORES CIENTÍFICOS
João Leal
Maria Beatriz Rocha-Trindade
Miguel Monteiro
INVESTIGAÇÃO
Armando Felício
Ana Cristina Ribeiro
Francisco Carrilho
João Paulo Oliveira
Jorge Inácio
Miguel Monteiro
Rui Almeida
Susana Pina
Vitor Gomes
Projecto Expositivo
Paulo Venâncio
CONTEÚDOS MULTIMÉDIA
Paulo Teixeira
Textos
Ana Cristina Ribeiro
João Leal
Maria Beatriz Rocha-Trindade
Miguel Monteiro
Susana Pina
Webdesign
Isabel Marto Martins
MONTAGEM
Câmara Municipal de Fafe
LINHA CRIATIVA
Horácio Castro
Victor Manuel Luis dos
Santos
APOIO À MUSEOGRAFIA
Júlia Realinho
Luis Santos
Raimundo Badalo
design de comunicação
José Eduardo Real
maquetas
José Dias
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FAFE NAS MEMÓRIAS DA EMIGRAÇÃO
Fafe
concentra em si todas as dimensões de análise do que foi a
Revolução Industrial, comercial e cultural do Séc.XIX e
primeiras décadas do séc. XX.
Em
particular, pela emigração e retorno de sucesso do “brasileiro”
à sua terra de origem, permitiu desenhar um espaço de evidências
desse tempo com contornos mais definidos do que noutras paragens
em que o mesmo fenómeno também ocorreu.
A diáspora em Portugal, tal como em outros países do
Mediterrâneo, tem a sua principal evidência no retorno de alguns
emigrantes ao território de origem e exprime diversidades de
influência e marcas de cultura no território nacional.
O século XIX e primeira metade do século XX foi o tempo do
retorno do emigrante português enriquecido no Brasil,
observando-se, em Fafe, a síntese dos elementos necessários à
compreensão daquele tempo, todos eles especialmente visíveis em
tempo da regeneração e da acção republicana.
Produto de
todas as preocupações e intervenções relacionadas com a defesa
desse património e, particularmente, a época marcante do
Brasileiro de Torna-Viagem em Fafe, nasceu a ideia de um
Museu da Emigração e das Comunidades, nesta pequena cidade.
De facto, em Fafe, desde 1858,
os emigrantes de retorno do Brasil são os edificadores de
palácios, casas apalaçadas, palacetes e nas suas fachadas
encontramos a representação de si próprios, como uma nova
personagem social. No seu interior, podemos visitar uma vida
elegante, urbana e culta de Burguês capitalista, da qual constam
peças como o piano, revistas estrangeiras, jóias de importação e
mobílias de madeiras do Brasil.
Desenharam
uma cidade, abrindo ruas e praças, construíram o exótico jardim
romântico do Calvário ou Passeio Público (1892), procurando
imitar as metrópoles, financiaram as bandas de música da terra e
apadrinharam os Bombeiros
Voluntários (1890).
O empenhamento na vida
política, reflectido nos acesos combates entre progressistas,
regeneradores e republicanos, testemunhados na inúmera imprensa
local, são sinais de retorno de sucesso e
marcas de novas formas de capital social, cultural e simbólico,
que faz dos “Brasileiros” o centro da paisagem social,
reflectida na vivência de frequentadores de casinos, praias,
termas, cafés, teatros e hotéis, como homens que fizeram do ócio
a expressão de um novo estatuto social.
Nos almanaques (1909), nos
jornais (desde 1892) e no cemitério (1855) encontramos os nomes,
retratos e os bustos, que são o rosto da filantropia benemérita
ao serviço da instrução, da pobreza e da doença, como gestos de
distinção individual, de serviço público e vínculo às origens,
bem como dos princípios das lojas de maçons, os espaços da sua
socialização, nas metrópoles do Brasil, onde chegaram ainda
crianças.
Os princípios de liberdade,
razão e de auxílio mútuo, aí aprendidos, e que marcaram o
sentido ideológico das suas vidas, levaram-nos à construção de
edificações cívicas: Hospital (1858), Asilos de Infância
Desvalida (1877) e dos Inválidos (1906), Escolas Conde Ferreira
(1866) e Deolinda Leite (1892), Igreja Nova de São José (1895) e
a Confraria de são José ou da Misericórdia administradora do
Hospital (1863).
Com a construção das primeiras
indústrias a Vapor - Companhia de Fiação e Tecidos de Fafe
(1873), Companhia de Fiação e Tecidos do Bugio (1886), Empresa
Têxtil do Rio Ferro (1931) e Fábrica Fafense de Gasosas,
Refrigerantes e Laranjadas Santo Ovídeo (1918) - desenham o que
veio a ser o tecido industrial do Norte de Portugal,
configurando outras centralidades sociais de gente que se
arrumou em bairros operários de pobrezas prolongadas.
Paralelamente, nos teatros que
mandaram construir mesmo nos centro da vila (1875) e (1924),
exibiram o seu gosto pelas artes e o desejo de promover-se e
promover a cultura, elementos necessários a este novo burguês (a
burguesia formada pelos emigrantes de sucesso) que discutia no
clube (1901) as últimas novidades chegadas da Europa.
Os sinais de retorno de
sucesso e as marcas expressas nas novas formas de capital
social, cultural e simbólico, fazem dele o centro da paisagem
social, promovendo a chegada do Comboio à Vila (1907), a
instalação da energia eléctrica (1913) e, finalmente, o
telégrafo que o ligava ao mundo, testemunhando uma vida de
homens viajados e cultos.
Do insucesso e dos que se
perderam no sertão da diáspora perdura o silêncio da história,
por ser incapaz da sua construção ou, simplesmente, pelo temor
da tragédia.
www.museu-emigrantes.org
Miguel Monteiro
(coordenador do Museu da
Emigração e das Comunidades)
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