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Sítio Histórico PASSEIO PÚBLICO - Jardim do Calvário |
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A poente desenhava-se a Estrada Real Guimarães - Cavez, rasgada num "Vale de Estevas" e ladeada por um cais construído em 1838 e que hoje é conhecido por Arcada. Aí foi crescendo um povoado à volta do qual se desenvolveu o actual Centro Cívico, objecto de remodelação recente, tendo como referentes alguns elementos de marcação simbólica do século XIX, onde os «brasileiros de torna-viagem» instalaram as sua moradias e uma burguesia cosmopolita de capitalistas, comendadores e barões circulavam, instituindo o lugar de elegância. A transformação do Outeiro do Calvário em Jardim Público, estava delineado numa planta da Vila com data de 1866, aparecendo referida, em Deliberação Municipal de 11/11/1889, a apresentação do o seu projecto e que entretanto se perdera.. A sua construção ficou a dever-se ao Comendador Albino de Oliveira Guimarães, tendo este assinado um contrato, em 2 de Março de 1890, com os mestres Domingues Fernandes e Francisco Cerdeira, referindo-se no texto as condições para a sua edificação:
A inauguração oficial efectua-se em reunião de Câmara Municipal de 26 de Dezembro de 1892, sendo aí deliberado que se mandasse agradecer, por telegrama, ao Comendador Albino de Oliveira Guimarães a obra que promovera, por este se encontrar em Lisboa:
O Passeio Público é, ainda hoje, um lugar de eleição para os fafenses e constitui um símbolo do romantismo português, tal como muitos outros que existiram nas cidades e vilas do Norte de Portugal, apresentando características decorativas e arbóreas, tendo como primeiras referências nos Jardins Botânicos de Lisboa, Coimbra e Porto
Além de um lago central, em 1912, o Jardim recebe um coreto, mandado construir por iniciativa do Município e em 1917, é comprado, pela município, um barco, por 36$50, na Povoa de Varzim, para colocar no lago, justificando-se no facto de ser uma boa fonte de receita.
Desde a sua inauguração possui iluminação, começando com cinco candeeiros a petróleo e, em 1914, a luz eléctrica é fornecida pela central de Santa Rita. Em 1929 é elaborado um projecto de quiosque para o jardim junto do ringue de patinagem orçado em 11 198$00.
Com o surgimento de uma nova burguesia na segunda metade do Século XIX, o Passeio Público, passa a constituir-se como lugar de encontro e ócio, cumprindo uma função ideológica e simbólica para os que o frequentavam. Em tempo de romantismo tardio, Fafe tem no seu Passeio Público, a expressão do exotismo naturalista, à imagem de outros que preencheram as cidades portuguesas, seguindo paradigmas de espaços semelhantes, nomeadamente os Passeios Públicos de Braga e de Guimarães, Este jardim mantém, ainda, as características estruturais e decorativas desde a sua fundação.
JARDINS - PERSPECTIVA HISTÓRICA
O Passeio Público é também um elemento tipificador da sociedade portuguesa da 2.ª metade do século XIX, frequentado por Burgueses como lugar de convívio, comentando as últimas novidades, ouvindo música tocada por bandas nos coretos e assistindo a representações teatrais e ao lançamento de fogo de artifício. O jardim público de Fafe, com aspecto híbrido de Alameda, Parque Jardim Privado, é delimitado por grades de ferro, apoiadas em pilares de pedra e desenhado numa forma aproximadamente quadrangular. As escadarias de acesso com lanços laterais e pátio de acesso, gradeamento e portais, em ferro, simétricos, localizados nos lados nascente e poente, fazem dele um dos poucos exemplares de Passeio Público ainda existentes. A organização e composição formal do seu interior assenta num Coreto e lago curvilíneo, referentes de eixo que marcam a sua centralidade, jogando quer a circulação dos elementos humanos, quer a organização da composição arbórea exótica neste sentido da centralidade. No Jardim do Calvário, ainda, é possível entender o que foram as primorosas composições paisagísticas de carácter naturalista que preencheram os cenários do romantismo, com a "aplicação do betão armado às construções de jardins: - grutas, lagos, pontes, caramanchões, bancos, mesas, mirantes e outras construções decorativas feitas em cimento armado imitando frequentemente troncos e ramos de sobreiro", Ilídio Araújo (Jardins, Parques de Recreio no Aro do Porto: 1979:16) Cf. Miguel Monteiro, Mínia, n.º 10 - 2002, Miguel Monteiro (Coordenador)
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