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Teatros
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Numa
terra onde já havia uma Sociedade de Recreio, um Grupo Dramático, um Grupo
Musical e Teatro com Animatógrafo, o edifício do
Teatro completou o conjunto de
elementos de cultura necessários à nova burguesia (grupo social formado,
principalmente, por emigrantes do Brasil, a qual reproduziu nas suas terras
de origem um estilo de vida que havia aprendido nas cidades cosmopolitas do Brasil e
nas viagens ao estrangeiro.
A SOCIEDADE INSTRUTIVA E
RECREATIVA, na qualidade de entidade gestora dos fundos para a casa da
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Sociedade e Teatro local,
emitia
obrigações, para as financiar.
Em 1 de Setembro de 1882,
tinha como Presidente da Direcção João
Monteiro Vieira de Castro e Directores, António Joaquim de Oliveira e Julio d'Albuquerque A. Lemos Menezes, Tesoureiro Albino de Almeida Dias Leite e Secretário Miguel
Gonçalves da Cunha, conforme os dez exemplares comprados pelo Comendador
Albino de Oliveira Guimarães,
totalizando quarenta e
cinco mil reis. (arquivo da Família) |
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"SOCIEDADE INSTRUCTIVA E
RECREATIVA
A sociedade financiava-se
através de obrigações em cuja texto se lê: " Representa esta
obrigação a quantia de quatro mil e quinhentos reis, com
applicação à construção da casa da
Sociedade e Theatro, na
fórma estabelecida no artigo 9.º dos Estatutos da Sociedade, e o
possuidor d'ella sem direito a receber o juro, que a Sociedade poder
dividir, ficando sujeito à amortização por meio de sorteio, tudo em
conformidade da deliberação da Assemblêa geral de 4 de Março de 1875." (arquivo da Família
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Um
novo
Teatro-Cinema foi
inaugurado em
10 de Janeiro de 1923, o qual se destaca por ser extremamente invulgar
na
decoração da sua fachada, única em Portugal.
Sabe-se pouco do antigo
teatro, devendo-se a construção do actual à iniciativa de José Summavielle Soares, neto do
“Brasileiro” José Florêncio Soares, emigrante do Rio de Janeiro.
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Este edifício possui
quatro espaços importantes: o átrio de dimensões relativamente modestas;
um fosso de orquestra; um salão,
no primeiro andar, ladeando a rua a toda a largura do edifício, (com profundo
significado para a comunidade, pois aí se realizaram reuniões de carácter
social); um palco de dimensões significativas. Como elemento saliente do
edifício rectangular, os camarins em estando de reunia.
A lotação, de quatrocentos e
nove (409) lugares, está distribuída pela plateia, frisas, camarotes e
balcão.
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O edifício possui uma
arquitectura interior em ferradura produzindo uma excelente
acústica e uma visão perfeita do espaço cénico,
comparável aos mais belos do Norte, nomeadamente ao Teatro - Circo de Braga.
O tecto, abobadado, está
pintado
com motivos pictóricos de grande valor cromático, dando ao espaço grande
amplitude. Aqui, pretende-se colocar o espectador no exterior cósmico, através
do desenho do firmamento e, em medalhões, vêem-se pintadas as figuras
masculinas que se supõem serem de artistas célebres.
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Os camarotes e as frisas
constroem, com o balcão suportado por oito colunas, uma ferradura e
quebram a verticalidade das paredes laterais, dando equilíbrio e harmonia ao
espaço interior.
A fachada, única no país, em tom
rosa e com desenhos de cúpidos, simbolizando o amor às artes, propõe, ao
transeunte, uma leitura cuja função é conduzir-nos ao seu interior.
Dir-se-ia que a fachada é já a primeira encenação da espiritualidade
artística aí vivida, definindo-se, ai mesmo, a atitude do espectador.
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O Cine-Teatro possuía,
inicialmente, no exterior, um terraço e jardim. Este espaço teve, no seu
tempo, importância assinalável como ponto de referencia cultural. Aí se
reuniam os fafenses para significativos momentos de cultura e recreio,
funcionando como símbolo da burguesia local.
Esta obra marca o fim das
iniciativas de capital de «brasileiros» de Fafe e dos seus descendentes,
fechando o ciclo da emigração para o Brasil.
O Teatro-Cinema foi testemunha
de acontecimentos sociais e políticos significativos e da actuação das mais
importantes figuras do teatro da época.
Foi adquirido pela Câmara
Municipal em 2002
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Miguel Monteiro
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