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Memória Comunicacional |
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Miguel Monteir |
Este museu projecta-se como um Webmuseu no sentido comunicacional, interactivo e em rede, valorizando os indivíduos, contextos, memórias, tendo, como recurso privilegiado, as novas tecnologias, no sentido da construção de conteúdos relacionados com a emigração.
Ao inscrever-se no âmbito das Ciências Sociais e, ao integrar as novas tecnologias, este museu alarga perspectivas e procedimentos metodológicos, dando à técnica e às ciências sociais sentidos novos, nomeadamente o da informação e o da comunicação global e através de construção de conteúdos, ir além da informatização. Passamos, assim, a um novo conceito: a tecnociência. Esta, pela associação sistemática da informação documental usado na construção do conhecimento científico, permitido pelas novas tecnologias, possibilita e amplia novas abordagens e amplia perspectivas descritivas e analíticas.
Este novo enquadramento integra a técnica no âmbito dos métodos da pesquisa bibliográfica, documental e experimental, tanto na perspectiva qualitativa como quantitativa, ligando as fontes, os saberes e os conhecimentos em sentido totalizante e interactivo, torna determinante o recurso a dados informatizadas, organizadas por campos ou categorias, onde surgem as características de conteúdo das diferentes formas de representação do conhecimento.
A tecnociência é o produto do diálogo entre o desenvolvimento do pensamento científico e da mudança técnica (novas tecnologias), fez passar, esta última, do âmbito de recurso ou de complemento, para o de determinante nos procedimentos científicos descritivos e de ilustração qualitativa, bem como nos explicativos de natureza quantitativa.
Ao centrar-se nos conteúdos da comunicação, participa das estruturas e modelos de análise e influencia as abordagens conceptuais das ciências sociais, inscrevendo-as, simultaneamente, no âmbito dos processos de pesquisa "pura" e na sua aproximação à ciência aplicada.
A técnica encontrou nas novas tecnologias de comunicação a resposta para a gestão de um grande volume e variedade de informação e, ao mesmo tempo, a automatização através do recurso à análise de conteúdo e à análise documental.
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Em termos metodológicos, a análise de conteúdo circula entre a função instrumental (que pretende face ao contexto?) e a representacional (próprio do léxico presente e fora das circunstâncias).
Ou seja, a aplicação de uma «técnica de investigação que através de uma descrição objectiva, sistemática e quantitativa do conteúdo manifesto das comunicações, tem por finalidade a interpretação destas mesma comunicações», podendo passar do carácter exclusivamente descritivo, para a dimensão quantitativa, quando combinada com as técnicas quantitativas.[1]
O mesmo procedimento, permite, através da aplicação do princípio da associação e da dissociação de sentidos, criar redes semânticas que formam sistemas de relações organizadas em categorias, gerando a reconstrução de imagens e informações dinâmicas.
Sendo as categorias classes que "reúnem um grupo de elementos (unidades de registo, no caso da analise de conteúdo) sob um título genérico, agrupamento esse efectuado em razão dos caracteres comuns destes elementos", podendo utilizar como critério taxinómico caracterizador/organizador: o semântico (significado), o sintáctico (verbos e adjectivos), o léxico (sentidos próximos e sinónimos) e o expressivo, possibilitam a automatização informática e a análise quantitativa. [2]
Os critérios de categorização aplicados permitem-nos a criação de uma taxinomia designada de SALAS e a sua automatização, sendo uma operação de classificação de elementos constitutivos de um conjunto, por diferenciação, e depois, por reagrupamento analógico, decorrem da aplicação de conceitualização previamente definida. (ex. MEMÓRIA, FAMÍLIA, DIÀSPORA, COMUNIDADES; LUSOFONIA; CONHECIMENTO)
Pelo facto dos conteúdos serem, em grande parte, qualitativos, valorizamos as características de um fragmento da mensagem e, o que se valoriza na informação é a sua frequência, de forma a instituir o modelo de carácter estrutural e de amplitude sistémica.
Por outro lado, no que se refere à análise documental esta permite passar-se de uma fonte primária para uma secundária a qual se constitui como produto da primeira (digitalização ou por ser uma nova construção de conhecimento).
Tratando-se de um sistema comunicacional, as ciências sociais, a museologia, museologia-WEB e a museografia constroem, neste projecto, sentidos múltiplos e complementares, possibilitando a aplicação de metodologias e técnicas de reconstituição de ambientes e sítios e as visitas virtuais, bem como as que se centram na análise e catalogação de acervos e respectivos documentos com valor histórico e museológico.
Tem-se aqui, em simultâneo, a perspectiva do pesquisador e das diferentes ciências sociais e, ao mesmo tempo, a dos frequentadores da plataforma web, construindo um processo de leitura autónoma, ligando-se, em teia, saberes, perspectivas, podendo aqueles participar e interagir directamente no conhecimento, religando saberes, informações ou exibir como imagem documentos como sendo uma fonte primária.
A WebMuseu orienta-se no sentido de toda a amplitude do fenómeno migratório e das suas manifestações materiais e, por isso, tentaremos localizar e aceder ao maior volume de documentação possível, dispersa por particulares e por entidades e pelouros governamentais, policiais, administrativos e outros.
No WebMuseu estão presentes bases de dados de emigrantes, biografias e registos de memórias escritas e de grupos de indivíduos organizados por famílias.
Pode aceder-se a sistemas automáticos de construção de genealogias, ao
visionamento de paisagens dos Município de origem, bem como dos
ambientes de destino. As vivências sociais e as manifestações culturais
emergem, no WEB-Museu, ao lado de produtos da criação artística e
científica e dos registos documentais inscritos na estrutura
espaço/tempo. Fazem igualmente parte do acervo WebMuseu as colecções de postais antigos, fotografias, filmes, exposições foto - documentais e, ainda, o espólio de uma rádio.
Como complemento do arquivo deste Museu estamos a criar a Biblioteca das Migrações, obedecendo, na generalidade, a esta temática universal e aos aspectos e situações atinentes a Portugal, na especialidade.
Em simultâneo, iniciamos a digitalização de documentos, no sentido da sua preservação, procedendo à sua informatização, por forma a poder constituir um banco de dados sobre as migrações, acessível às gerações vindouras, mantendo uma atitude realista no que respeita à hipótese de tentar coleccionar um número suficientemente representativo de objectos autênticos, válidos para cada época histórica e para cada pertença nacional ou regional, pode não ser absolutamente necessário, uma vez que a visualização desses objectos, bem como dos ambientes geográficos, temporais e sociais onde se situam, pode ser efectuada em termos virtuais, por via de suportes magnéticos ou ópticos.[3]
A articulação estrutural descrita procura, na trama da percepção de conteúdo e na desmaterialização, a emergência de novas atribuições simbólicas e a interacção comunicacional web, mantendo as finalidades museológicas: informação, conhecimento, ciência e cultura. [1] Bardin, Laurence (1977), Análise de Conteúdo, Edições 70, Lisboa, p 117-118 [2] Idem, ibidem [3] Rocha-Trindade, Maria Beatriz (2002), "Musealizar as Migrações”, História, Fevereiro, ano XXIV (III Série)
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