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Memória Literária |
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Miguel Monteiro
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As primeiras imagens do emigrante e da emigração em Portugal são dadas pela literatura.
Garcia de Resende (1470-1536), manifesta-se preocupado, perante a saída de Portugueses para o Brasil, escrevendo em Poema: - «Viymos muyto espalhar – portugues no viver, - Brasil, Ilhas Yr Povoar (…)». No século XVIII, Filinto Elísio (1734-1819), remete o emigrante para a ideia de um personagem ambicioso e ávido de Ouro do Brasil, dizendo: - «Saiu de Samardã certo pedreiro – Faminto de ouro, em busca de fortuna – Embarca, vai-se ao Rio, deita às Minas – E Lida, e fossa, e sua, arranca à terra – O luzento metal, que o vulgo adora.
Esta ideia é reafirmada por Correia Garção (1727-1772), emergindo também a ideia de sofrimento pelo qual passa o emigrante: - «Guarde a terra avarenta nas entranhas – O ouro fulgente. – O Mineiro na roça afltito cave – Cós sórdidos escravos; Por ignotos sertões a vida- Do Bárbaro Tapuia – À seta venenosa, à veloz garra – do tigre mosqueado».
Os mais ilustres romancistas do século XIX e primeiras décadas do XX, nomeadamente, António Nobre, Camilo Castelo-Branco, Júlio Dinis, Eça de Queirós, Aquilino Ribeiro, Ferreira de Castro, Miguel Torga, tiveram no emigrante português o seu personagem central, num tempo de mudanças de regime e de cultura.
Neste tempo, emerge a sociedade moderna, liberal, burguesa e industrializada num país ainda agrário, analfabeto e ainda medieval.
A ficção literária descreve, sistematicamente, o emigrante que tem como destino o Brasil como aquele que, saindo ainda criança, pobre, analfabeto e masculino, regressou a Portugal com cerca de quarenta anos, senhor de grande riqueza, depois de ter trabalhado em condições miseráveis.
«Seabra era tão asseado como o Sr. Joãozinho das Perdizes descurado no seu vestir. Usava Sempre de Suiça irrepreensivelmente talhada em volta do queixo; camisa muito lavada, peitos abertos e três grandes botões de brilhantes; no traje combinavam-se as variegadas cores de uma ave da América; e o ouro, distribuído com profusão por todos os acessórios da sua pessoa, atestava os bons resultados dos seus quarenta anos de Brasil. Passeava pela aldeia de chinelos de marroquim verde ou sapato de tapete, e era tal nele a delicadeza do andar, que voltava a casa sem que uma mancha enodoasse a alvura das suas meias de algodão fino. Aos domingos e dias de festa indignava a relva dos caminhos, calcando-o com bota de polimento». (Júlio Dinis, A Morgadinha dos Canaviais)
Contudo, surgem
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