Memória Histórica

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Miguel Monteiro

 

 

 

 

Este projecto recupera o sentido do particular e único, próprio das historias de família, das biografias (Gerais - Nobilitados e Titulados --Laureados - Autobiografias e das histórias de vida e Histórias de Famílias .

 

Nele se inclui a perspectiva da História narrativa e se evidenciam os contextos para a compreensão das conjunturas.

 

Por outro lado, o projecto procura as trajectórias de vida dos milhares de crianças, de mulheres e dos que ficaram à margem da História e que, agora, emergem na memória de netos e bisnetos que procuram os lugares que lhes preencheram a memória, falando-lhes de um passado carregado de encantos.

 

É também uma perspectiva história económica, social e cultural, de natureza quantitativa e qualitativa, evidenciando quadros explicativas em sentido estrutural, procurando o permanente e o global, unindo o passado ao presente.

 

Teremos presentes outras perspectivas historiográficas sobre emigração, nomeadamente as que têm em conta os contornos dos fluxos e destinos e as políticas adoptadas (Miriam Halpern Pereira; o seu papel no quadro da dependência externa (C. Almeida e A. Barreto) e o seu enraizamento estrutural (V. M. Godinho).

 

Estamos atentos aos estudos que colocam em confronto os dois pólos em relação - espaços de partida e de chegada (Pescatello, Rocha-Trindade).

 

Não excluímos a perspectiva de micro-análise, integrado em abordagens mais totalizantes de comunidades rurais de origem (Arroteia, Brettel, Brandão, J. Alves, Silva) ou de comunidades de emigrantes no estrangeiro, focalizando os processos sociais e/ou as experiências vividas (T. Monteiro, F. Neto, Leandro).

 

Por isso, um dos muitos caminhos deste projecto, busca novas amplitudes ao procurar “rastrear a corrente migratória enquanto volume de massas e correlacioná-la com indicadores pertinentes da sociedade de partida de modo a estabelecer redes de conexões; penetrar na família enquanto espaço de decisão ao nível de grupo económico, social e afectivo; seguir trajectórias individuais, tacteando comportamento, tensões e projectos do emigrante enquanto sujeito.”Jorge Alves

 

Outros enfoques, olhando o jogo interaccionista simbólico da comunicação associado ao significado do vestuário, jóias, viagens, casas, mobiliário,  das famílias e envolvimentos públicos, ligam os contextos de saída aos de retorno, vão no sentido sociológico e antropológico que, com a história,  constituem as únicas ciências globais.

Desvendamos o caminho para uma tecnociência/tecno-história,  no sentido comunicacional, da ilustração de particularidades e automatização quantificadora, medindo frequências de fenómenos, factos ou ocorrências.

Este modelo, servindo-se de processos tecnológicos, permite a análise de conteúdo por associação e dissociação semântica, organizar, ilustrar e quantificar as informações presentes em Bases de dados e em documentos.

Seguiremos, tendo como guia o "Caso", já estudado, de Fafe e que pode ser visitável na WEB. Para dar compreensão aos contextos históricos, sociais e culturais locais, propusemo-nos construir um modelo que baseou na criação de núcleos museológicos, procurando valorizar também a história material e das técnicas.

Por último, propomos visitas virtuais aos núcleos museológicos, procurando através das histórias das famílias, penetrar na memória cultural, evidenciando conflitos, tensões, bem como a relação com o espaço publico e os comportamentos sociais de contexto privado.

Através de núcleos museológicos locais, do alargamento da capacidade de recolha de espólios, tendo em conta a diversidade temática e geográfica dos núcleos, daremos, no futuro, grande contributo para o conhecimento multifacetado das migrações e cultura lusófona, usando os contributos tecnológicos informáticos/WEB.

Por outro lado, organizamos, para este projecto, um fundo documental constituído por documentos manuscritos, impressos, iconográficos, cartográficos. Nos livros deste fundo temos: monografias sobre a história local, arte, arqueologia.

Temos acesso privilegiado à documentação produzida pelas autoridades locais, nomeadamente a emanada pela Câmara Municipal e outros órgãos autárquicos. Ainda neste âmbito são valorizadas as publicações periódicas: jornais, almanaques, anuários. 

Propomos, para este projecto, caminhar por todas estas fontes, na medida em que, o conhecimento «da vida quotidiana das pessoas que viveram há 50 ou 100 anos não é apenas testemunhada pelos relatos oficiais, notícias de jornais ou dados estatísticos, mas também por pequenas espécies, hoje para nós de importância ínfima e que normalmente todos desprezamos: As fotografias e postais retractam paisagens e pessoas. Procuramos nas imagens antigas, acompanhar as alterações urbanísticas, os edifícios desaparecidos ou transformados, a iluminação e os transportes públicos, o vestuário e os penteados, as poses, enfim a memória visual de muitas épocas da vida de uma comunidade está aí conservada». Henrique M. Barreto.

Além dos públicos, são de grande valia os arquivos particulares dos emigrantes e das famílias. Neles podemos encontrar uma abundante documentação privada, em especial correspondência comercial e privada. Nesses documentos acedemos a informações sobre a memória familiar e às tramas invisíveis das e trajectórias dos emigrantes e de seus descendências.

Miguel Monteiro