A ROTA DE ESPERANÇA

“O Salto”. Eles transpõem “o grande passo”. Durante os últimos seis meses, todos os dias, eram cerca de trezentos que vinham juntar-se à colónia (portuguesa) em França, que conta já mais de quinhentas mil pessoas, e que decuplicou em dez anos, entre os quais 95% são “clandestinos”.

“Quase todas as noites, em grupos de vinte ou trinta, transpunham a pé o rio Bidassoa, a montante de Biriatou.” Diz um habitante da região: estas expedições nocturnas revestiam-se de muitos perigos. No hospital de Bayonne, foram muitas vezes tratados portugueses, vítimas de quedas ou do frio da montanha.

Alguns morreram durante a viagem. Alguns “passadores” aproveitavam-se da situação para espoliar  e saquear os clientes. Foi o caso de três portugueses, encontrados esganados e um outro chicoteado até à morte. Algumas sepulturas anónimas de cemitérios do País Basco espanhol, testemunham estas atrocidades: “mortos em fraude”...e a preço alto. Com efeito, há cinco anos, uma “passagem” custava em média 2000 Francos. Vários anos de economias.

Francis CORNU

Le Monde, 2 / 9 / 1970

 

 

 

 

TESTEMUNHOS DE EMIGRAÇÃO

(Projecto em desenvolvimento: histórias de vida de imigração e ilustração de memórias, junto das Escolas Básicas e Secundárias