ESTRATIFICAÇÃO E migração - 1834-1959
Entendemos como classe social, a definição dada por Bourdieu, um conjunto de agentes, definidos «não por uma propriedade (mesmo que se trate da mais determinante como o volume e a estrutura do capital) nem por uma soma de propriedades (propriedades do sexo, da idade de origem social ou étnica... de rendas, de nível escolar, etc.) nem sequer por uma cadeia de propriedades, ordenadas todas a partir de uma propriedade fundamental (a posição nas relações de produção) numa relação causa efeito, de condicionante a condicionado, senão pela estrutura das relações entre todas as propriedades pertinentes que confere a cada uma delas e aos efeitos que exerce sobre as práticas, seu valor próprio».[1] Ao utilizamos para o nosso estudo o Registo de Eleitores e Elegíveis do Concelho em 1881 cruzados com os dados dos Róis de confessados de uma freguesia tipo, e ainda os Registos de Passaportes e Termos de Abono de Identidade dos migrantes verificamos existirem relações várias entre a mobilidade e os estatutos sociais e profissionais ou ocupacionais, tendo em conta as expressões que os/as designam, tais como: capitalista, proprietários, agricultores, trabalhadores, jornaleiros, e outras que podemos designar por artesãos. Se através da relação entre o valor da contribuição fiscal e as profissões se pode inferir do grau de riqueza e estatuto social, criando assim uma estrutura social hierárquica, a estratificação ocupacional ou profissional é também medida pela relação entre o poder económico e o prestígio que lhe é atribuído, como indicador de desigualdades, nomeadamente representado na capacidade de elegibilidade para os diversos lugares públicos. Existe assim uma elevada correlação na construção da estratificação social, entre as profissões, a recompensa económica e o prestígio social, através da qual se pode inferir da relação entre estratificação e mobilidade social. No percurso temporal estudado, correspondendo, como já dissemos, a profundas alterações de regime político e económico, através das profissões verificamos que houve mobilidade ocupacional como consequência da emigração para o Brasil, visível no retorno, através de diferentes formas de demonstração pública de riqueza, na designação de capitalista e no prestígio adquirido pela dedicação filantrópica às causas "nobres". A forma como geriram os bens, os projectos de sucessão/herança, como forma de preservação e continuidade do prestígio e estatuto social da família, determinou, nas gerações seguintes, novas ocupações e novas formas de manutenção ou não do prestígio familiar adquirido pelo «Brasileiro, também designado por capitalista". Esta expressão serve para designar aquele que conseguiu riqueza, só possível no Brasil, e tem fontes de rendimento suficientemente grandes para viver, sem ter qualquer ocupação considerada produtiva. Permite-se viver segundo um padrão não acessível aos restantes membros da comunidade. Esta, considera "ricos os que dão e não os que têm muito", por isso, o "Brasileiro" é sempre um benemérito e um filantropo. Por outro lado adquire o estatuto de burguês porque se permite usufruir, como recompensa, do uso e da disponibilidade do tempo para o ócio e na ocupação de cargos públicas na administração e na política local. Outra característica do capitalista "Brasileiro" é referir-se e ser referido, nomeadamente na impressa, ter negócios no Brasil e fazer das suas muitas vindas a Portugal ou para o estrangeiro, uma prova da sua vida de ócio. O nosso estudo refere-se simultaneamente a um território concelhio agrário e à emergência de uma urbe na freguesia de Fafe, tendo em conta as tipologias ocupacionais, as formas de recompensa e o prestígio, que diferenciam os grupos ocupantes desses territórios e o comportamento migratório. Na análise sociológica da estratificação, existem níveis de estrutura distintos e complexos. No entanto, e em termos qualitativos, procuramos dividir a comunidade concelhia em três níveis ou grupos: 1, 2 e 3, face às diferenças económicas, sociais e simbólicas, por forma a facilitar o nosso discurso interpretativo, presentes nas fontes utilizadas, como indicadores de análise: as profissões, a capacidade diferencial de elegibilidade a deputados em 1881, a contribuição fiscal, e, ainda, o surgimento de novas profissões decorrentes da emigração de retorno (capitalistas). 1- Os ricos, residentes em casas com tradição aristocrática e senhorial onde se exibem brasões ou portões brasonados, os grandes proprietários lavradores e os capitalistas (burgueses); 2 - Os remediados ou classe média (pequenos proprietários agrócolas, agricultores, lavradores, comerciantes, negociantes, vendeiros e jornaleiros); 3- Os pobres (caseiros pobres, artesãos, almocreves e criados de servir ou serviçais).
A estes três grupos correspondem distintas posições na estrutura da hierarquia social da comunidade, porque são diferentes: o grau de riqueza, o prestígio como poder simbólico e a não riqueza, desenhando uma estrutura vertical em pirâmide, mais numerosa na base e fechada no topo, ocupando o topo os do nível - 1, o espaço intermédio os do grupo 2 e, por fim, na base e em maior número, os do grupo -3. Por outro lado, a esta arquitectura social correspondem distintas estratégias de reprodução social, nomeadamente pelo acesso ao mercado matrimonial no mesmo nível ou grupo, pelas formas de herança de bens ou sucessão na primazia da casa paterna, pelo acesso ao poder político, associáveis ao processo de saída e escolha de destinos de migração e emigração, bem como no retorno e não retorno aos lugares de origem.
Grupo 1: a)- Os ricos, com tradição aristocrática, ocupam os lugares de destaque nos processos de ritualização social e simbólica, mantendo uma grande distância com a comunidade e possuindo mediadores para gerir as quintas, designados por feitores, que orientam todas as suas práticas de gestão, recebem as rendas, dão indicações aos caseiros e jornaleiros. A governanta, em acordo com o feitor, procede à gestão de todo o espaço familiar e agrícola, prestando contas desta gestão aos patrões (também designados por senhores), no fim dos ciclos agrícolas. Nunca se sabe se estão presentes ou ausentes da casa, chegando a passar grandes temporadas fora, em visitas aos parentes ou em Lisboa ou no Porto. Nunca recebem ninguém à porta, havendo uma criada ou criado que se presta a comunicar a chegada de visitas. São mediadores de influência em Lisboa e no Porto, onde têm parentes em lugares importantes da administração pública, prestando-se a interceder na administração pelos naturais, cujos pedidos são feitos através do feitor. A casa de família tem mais importância do que quem a habita, valorizando assim a genealogia. São designados pelo nome da casa. A vida particular nunca é conhecida dos caseiros, jornaleiros e criados que aparecem por todo o lado e com as mais distintas tarefas, mantendo uma distância formal, quase ostensiva, com a comunidade, não partilhando nenhum dos seus momentos. Têm capela própria na casa, onde vai o padre, ou têm padre na família para cumprir as obrigações dominicais, fazer os casamentos de família e os baptizados. Reúnem-se frequentemente em família, recebendo os primos de fora. Os filhos estudam nos colégios do Porto ou Lisboa, seguem carreiras militares ou públicas nas colónias ou na metrópole, independentemente dos regimes políticos. No século XIX, dividiram-se entre Absolutistas e Liberais e com a República alguns optaram por esta causa, preservando assim o seu estatuto. Constituem a elite aristocrática tradicional, mantendo, no quadro do liberalismo, a capacidade de elegíveis a deputados.
b) - Os grandes proprietários agrícolas têm uma posição social forte e activa junto da comunidade, aparecendo como os mordomos das festas; são líderes das procissões, pegando ao pálio; fazem os peditórios para a igreja (representados pelos filhos); ocupam os lugares cimeiros durante os momentos do culto na igreja; são sepultados à entrada ou em lugar de destaque no cemitério que mandaram fazer, em pedra lavrada, para a família. Têm propriedades agrícolas compostas por casa de granito de dimensão notória, montes e gados de grandes porte: sempre mais do que uma junta, que mantêm durante todo o ano e suas crias. Avaliam as suas propriedades através do gado de grande porte, do milho produzido e do estrume: pelo número de cabeças de gado e pelo número de carros de milho, extrapolam da dimensão da terra arável e, pelos carros de estrume produzidos, conhecem a dimensão dos montes e sua capacidade de fornecimento de matos fertilizantes. Deste modo, exibem o seu poder e prestígio perante os locais e posicionam-se para, no mercado matrimonial, casarem os filhos/as com os do mesmo grupo. Nenhum dos seus filhos emigra para actividades sazonais. Deslocam-se a cavalo, exibindo-se em lugares públicos. Por questões de prestígio, não têm gado de pequeno porte, sendo este facto indicador, na parte sul do concelho, de condição social inferior. Matam, todos os anos em Dezembro, um ou mais porcos, conservando a carne em sal durante o ano, exibindo na larga cozinha os enchidos feitos da mesma carne. Não afirmam a sua condição de poderosos, mas influenciam, quase sempre, as decisões locais, preferindo fazê-lo de forma implícita. Controlam as propriedades, vigiam secretamente os caseiros, forçando-os ao cumprimento de obrigações. Raramente saem, senão por razões sociais, comerciais, ida a banhos, regulando e negociando permanentemente a sua posição de liderança na freguesia e no concelho. Sentem-se permanentemente ameaçados pelos do mesmo grupo. Protegem a posição da casa, gerindo as opções matrimoniais dos filhos e a herança da casa. De entre eles, optam, preferencialmente, pelo não casamento das filhas e dificultam ou intervêm nas opções matrimoniais dos rapazes. Definem qual dos filhos vai estudar (normalmente para os seminários - de onde sai o padre que constitui a honra da família), qual deles segue a carreira militar ou se opta pela sua colocação como caixeiro na cidade ou, ainda, se vai para o Brasil com fiança do próprio pai. Tudo é feito com discrição e algum segredo, o que dá coerência a um comportamento aparentemente alheado e discreto. Manifestam uma atitude de cumprimento fiel das obrigações formais da religião, ocupam sempre o mesmo lugar na igreja, o qual se distingue por ser o mais visível e proeminente, constituindo uma afirmação territorial hierárquica própria, legítima e com direito a sucessão. Ou seja, um dos filhos varões virá a substituí-lo naquele lugar. Esperam que o filho retorne rico do Brasil. Se ele não tem sucesso não retorna, fazendo-se constar que está muito rico. Se tem o sucesso esperado, regressa à terra para confirmar as expectativas nele depositadas. Se ultrapassa as expectativas, muda-se para a vila, para a cidade mais próxima ou para as "capitais": Braga, Porto ou Lisboa; ou então, depois de permanente "vai e torna", instala-se definitivamente no Brasil.
b.1)- Se ele é produto de retorno definitivo do Brasil, a forma primeira de identificação realiza-se na construção da casa, como primeiro indicador da família, das relações sociais simbólicas, das estratégias domésticas pré-estabelecidas e da reprodução e transformação social, como novo efeito colectivamente avaliado. É o primeiro industrial da terra. Chega casado com uma Brasileira de origem Portuguesa, Italiana ou Austríaca, ou, se vem solteiro, casa com a filha de um proprietário, como reforço simbólico do prestígio alcançado. Como a sua posição é produto de retorno do Brasil, a casa apresenta os elementos dessa condição: grades de ferro, janelas altas, tem árvores exóticas, vasos, portões altos, gradeamentos, lagos, caramanchão, azulejos, águas furtadas ou lanternins, tem criadas/os a viver em tempo inteiro na casa e com funções distintas. Visita as quintas e gosta de acompanhar as tarefas agrícolas dos caseiros. Vai com frequência à vila para falar da política com os amigos, da vida que teve no Brasil e dos bens que ainda lá possui. Frequenta os casinos e clubes que fundou ou ajudou a fundar. Apoia o jornal do seu partido, onde aparece referido sempre que faz qualquer doação de carácter filantrópico, quando chega do Brasil, quando a mulher ou algum dos filhos casa, quando se ausenta da terra para Lisboa, ou vai a banhos. Na sua casa há livros, algumas revistas sociais e um piano, ainda que ninguém o toque, funcionando como objecto de decoração e valor simbólico. Negoceia publicamente o casamento das filhas, forçando o seu casamento com indivíduo de igual condição. A mulher é uma protectora dos pobres, uma íntima do padre, benemérita da igreja, acompanha as filhas em visitas a amigas da mesma condição, tem primos e primas com quem troca correspondência, acompanha os namoros secretos das filhas, com quem podem não chegar a casar, por decisão dos pais. Tem ideias políticas arrojadas, fala de viagens de comboio e de barco, mas nunca confessa como ganhou dinheiro no Brasil. Apela à honra e ao trabalho que lhe deu sucesso e nunca é contestado. Manda construir um mausoléu para a família para onde manda transladar os pais, de que é um devoto e a eles apela como referenciais da sua sorte, posição e conduta.
b.2)-Se se instala na cidade, participa na vereação, é mesário das confrarias, benemérito das instituições, viajante, letrado, capitalista, o que justifica a sua falta de ocupação. Vai ao clube, lê os jornais em lugar público, veste-se de branco, traz um óculo que utiliza em todas as ocasiões, é procurado para dar conselhos, papel em que se insinua e cultiva. É conhecedor dos segredos do sucesso, padrinho dos filhos que tem secretamente. Mantém regularmente uma amante, situação que todos ignoram voluntariamente. Chega a Presidente da Câmara. Faz doações para a igreja, mas diz-se não religioso. Tem os filhos a estudar nos colégios ou em Coimbra. Não há novidade na cidade que não surja pelas suas próprias mãos. Cultiva a inimizade política. No seu túmulo prefere o seu busto ou uma imagem escultórica feminina com ar de uma qualquer santa, aos sinais cristãos. Tem casa na grande cidade, onde frequenta a ópera e o teatro, frequenta as termas, vai a banhos à Póvoa do Varzim, joga no casino. Aparece reconhecido na toponímia da cidade e após a morte, faz-se perpetuar em retratos a óleo, na galeria dos doadores e beneméritos da Confraria da Misericórdia local. Em ambos os casos, o sucesso geracional dependeu de vários factores: do poder e grau de prestígio do ascendente, da adequada aplicação de capitais, da forma como foram geridas as estratégias matrimoniais, a herança e a instrução. Estes factores facilitaram a ocupação de cargos de destaque público na administração, deslocando-se alguns dos descendentes para a grande cidade, reflectindo-se o quadro social e familiar de origem. O insucesso geracional decorre da má aplicação das economias em acções e propriedades agrícolas, ambas sujeitas às depressões e crises económicas, levando à falência de algumas famílias, e também devido ao empenhamento excessivo na vida político-partidária, sem que viesse a obter resultados desse envolvimento. O modo como é gerida a memória da família leva a que a comunidade mantenha em reserva a família, respeitando a excelência do passado dos ascendentes, na expectativa de novo momento de sucesso igual aos seus ascendentes, a que todos se referem. As expressões : "tal pai tal filho" e "quem sai aos seus não degenera", "filho de peixe sabe nadar", reproduzem uma ideia interiorizada pelo colectivo de reprodução de estatutos e da estratificação social, aplicado como sendo de valorização e legitimação dos ricos bem sucedidos e seus descendentes. Mais exigente é com os pobres e socialmente desprestigiados com a expressão: "quem torto nasce, tarde ou nunca se endireita" e "nunca peças a quem pediu, nem sirvas a quem serviu". Constituem o grupo dos eleitores e elegíveis a deputados e ao município.
Grupo 2 : Este grupo é composto por proprietários, pequenos agricultores e comerciantes (estes são por vezes donos de pequenas propriedades), definível como grupo intermédio, sociologicamente ambíguo, podendo alguns deles aproximar-se do grupo 1. Têm casa própria, propriedade de pequena ou média dimensão, que se encontra dividida entre terra de regadio e sequeiro. Conseguem ter uma ou mais juntas de animais de grande portes. Por vezes, vendem alguns animais no Inverno, por incapacidade de os alimentar. Têm alguns animais de pequeno porte: ovelhas ou cabras e negoceia as crias. Alimenta um porco para alimentar a família no Inverno. O agregado familiar é composto pelo casal, descendentes directos e um criado. Colocam os filhos na cidade como caixeiros, suportando as custas desta aprendizagem, donde saem para o Brasil. Constituem a força produtiva da comunidade e parte integrante da sua dinâmica produtiva. Têm grande capacidade em diversificar a obtenção de rendimentos provenientes de várias fontes, como pequenos negócios e ofícios. Caracterizam-se como os que mantêm durante o ano um rendimento regular e suficiente para manter a família e cumprir obrigações perante as autoridades civis e religiosas. Cuidam do bom nome e negoceiam uma posição estável na comunidade. Não valorizam a instrução, dado que para eles é mais importante a força do trabalho do que o saber. Tiveram todo um percurso no Brasil, em trabalho dependente, sem nunca construírem aí negócio próprio. No retorno, são frequentadores das feiras e animadores das romarias. Se saíram em família para o Brasil não regressam. Se saem individualmente reforçam a posição familiar, pagam as dívidas, compram pequenas quintas, aumentam a casa mãe, introduzem melhorias na exploração agrícola, adquirem prestígio. Não se apresentam com tiques vincados do "Brasileiro" rico e urbano, reproduzindo as mesmas vivências do lugar e do tempo de saída. Constituem, no quadro eleitoral, o grupo dos eleitores não elegíveis a deputados.
Grupo 3: Neste grupo situam-se os pobres. É composto pelos do grupo anterior que têm dificuldades em cumprir as obrigações referidas, ou não as cumprem com regularidade, gerindo com deficiências o quotidiano, apresentado comportamentos que dificultam a sua capacidade negocial de permanência na mesma quinta como rendeiros ou caseiros. É o grupo dos artesãos, pedreiros, carpinteiros, mineiros e colmadores, às vezes trabalhando numa pequena terra, arrendada e pouco produtiva. Se são donos de pequenas parcelas de terra, mantêm-se em permanente situação de negociação de dívidas, chegando mesmo a ter de as vender, ocupando, por isso, em pleno, o lugar do fundo. Aceitam qualquer posição de sobrevivência. São criados de servir, muito dependentes, apresentam fraca mobilidade social e pouca capacidade negocial, dada a fragilidade da sua posição económica. Como criados, vivem em casa dos senhorios a tempo inteiro, permanecendo solteiros na casa ou se casam, fazem-no com outras criadas ou jornaleiras. Podem permanecer na casa ou sair como caseiros para alguma propriedade próxima ou em outras freguesias, negociando a sua juventude no arrendamento. Na família, existe uma ou duas cabras que alimentam de leite, as crianças. Saem para o Brasil em família ou protegidos e afiançados pelo patrão da terra se são caseiros. Se têm sucesso no Brasil, na geração seguinte dá-se a regressão social por falta de estratégias: nem sempre investem na instrução dos filhos, negoceiam deficientemente a herança e o casamento, rarefazendo novamente a propriedade acumulada, surgindo os netos na posição de empregados comerciais e domésticas. Constituem a mão-de-obra que fica disponível, após as colheitas, saindo em Setembro e Outubro para o Alentejo, ou emigram para o Brasil como engajados (contratados), clandestinos, apoiados por algum proprietário ou "Brasileiro" da terra e raramente retornam, senão para rever os pais: «O filho voltou ao Pará; e, ainda que lhe deixasse cabedais bastantes para viver com folga, ela retomou os seus farrapos, o seu engaço com que removia o tojo podre dos chiqueiros, e em breve estava tão sórdida como antes.»[2] bibliografia
ALMEIDA, Carlos C. “Sobre a problemática da emigração portuguesa: notas para um projecto de investigação interdisciplinar”, in Análise Social, nº. 40, 1974, PP.778-788 ALVES, Jorge Fernandes, “Emigração Portuguesa: o exemplo do Porto nos meados do século XIX”, Revista de História, Vol. IX, Centro de História da Universidade do Porto, Porto, 1989, pp. 267-289 ALVES, Jorge Fernandes, “Lógicas Migratórias no Porto Oitocentista”, in PEREIRA, Míriam Halpern, e outros, (eds.), Emigração/imigração em Portugal, Lisboa, Fragmentos, 1993, pp- 78-97 ALVES, Jorge Fernandes, Os Brasileiros - Emigração e Retorno no Porto Oitocentista, Porto, Ed. Autor, 1994, AMORIM, Maria Norberta, “Emigração: uma variável demográfica influente. O comportamento de gerações nascidas no Sul do Pico entre 1740 e 1890”, in ROEL, Antonio Eiras, Emigracion Española y Portuguesa A America (Actas del II Congresso de la Asociación de Demografia Histórica, Alicante, Abril de 1990), Alicante, Instituto de Cultura Juan Gil-Albert, 1991, pp. 137-146. ARROTEIA, Jorge Carvalho, “Aspectos demográficos e sociais da população portuguesa no período 1864-1981: uma análise regional”, Estudos Demográficos, nº30, Lisboa, I.N.E., 1991, pp. 31-39. ARROTEIA, Jorge Carvalho, A emigração portuguesa - suas origens e distribuição, Instituto de Cultura e língua portuguesa - Ministério da Educação, 1983 ARROTEIA, Jorge Carvalho, A Evolução Demográfica Portuguesa, Lisboa, ICLP, 1984. ARROTEIA, Jorge Carvalho, e ROCHA-TRINDADE, Maria Beatriz, Bibliografia da Emigração Portuguesa, Lisboa, Instituto de Português à Distância, 1984. ARROTEIA, Jorge Carvalho, Portugal: Perfil geográfico e social, Lisboa, Livros Horizonte, 1985 BERTAUX, Daniel, Destinos Pessoais e Estruturas de Classe, Lisboa, Morais Editores, 1978. BOURDIEU, Pierre, O Poder Simbólico, Lisboa, Difel, 1989. BRANDÃO, Maria de Fátima, “O bom emigrante à casa torna”, in PEREIRA, Míriam Halpern, e outros (eds.), Emigração/imigração em Portugal, Lisboa, Fragmentos, 1993, pp. 163-183. BRANDÃO, Maria de Fátima, Terra, Herança e Família, Porto, Afrontamento, 1994. BRETTEL, Caroline B., Homens que Partem, Mulheres que Esperam - consequências da emigração numa freguesia minhota, Lisboa, D. Quixote, 1991. CARRILHO, Maria José: “Aspectos demográficos e sociais da população portuguesa no período 1864-1981: evolução global do continente português”, Estudos Demográficos, nº 30, Lisboa, I.N.E., 1991 CARVALHO, Augusto de, O Brasil - Colonização e emigração, Porto, Imprensa Portuguesa, 1876 CLAVAL, Paul, A Nova Geografia, Coimbra, Almedina, 1982. COSTA, Afonso, Estudos de Economia Nacional: o Problema da Emigração, Lisboa, Imprensa Nacional, 1911. DURÃES, Margarida, “Herdeiros e não herdeiros; nupcialidade e celibato no contexto da propriedade enfiteuta”, Revista de História Económica e Social, nº 21, 1987, pp. 47-56. Faculdade de Direito - Universidade de Coimbra, Uma comissão de estudantes eleitos pelo respectivo curso - Da emigração em geral e em especial da emigração portuguesa - Relatório apresentado na Aula de Administração e Direito Administrativo, Coimbra, Imprensa Comercial e Industrial, 1876, p.155 JUSTINO, David, A Formação do Espaço Económico Nacional, Portugal, 1810-1913, 2 volumes, Lisboa, Vega, 1989. MARTINS, Oliveira, Fomento Rural e Emigração, Lisboa, Guimarães & Cª Editores, 1956. MENDES J. Amado, “Evolução da economia portuguesa”, in Mattoso, José, (Dir.) História de Portugal, Vol. V, Circulo De Leitores, 1993, pp.315-324. MENDES, José Amado, “0 contributo da biografia para o estudo das elites locais: alguns exemplos”, in Análise Social, nºs 116-117, 1992, pp. 357365. MONTEIRO, Miguel, Fafe dos "brasileiros" (1861)-1930) - Perspectivas histórica e patrimonial, Fafe, ed. de autor, 1991 NUNES, João Arriscado, e GONÇALVES, Albertino Ribeiro, “Casa, Comunidade e Espaço Institucional”, Cadernos do Noroeste, Braga, 1986, 100-112. O'NEILL, Brian Juan, Proprietários, Lavradores e Jornaleiros - Desigualdade Social numa Aldeia Transmontana, 1870-1978, Lisboa, Pub. Dom Quixote, 1984. PEREIRA, Halpern, A Política Portuguesa de Emigração, 1850-1930, Lisboa, A Regra do Jogo, 1981. PEREIRA, Maria Palmira da Silva, Fafe - Contributo para o Estudo da Linguagem, Etnografia e Folclore do Concelho, Coimbra, Casa do Castelo, 1952 PEREIRA, Míriam Halpern, “Algumas observações complementares sobre a política de emigração portuguesa”, in Análise Social, nº108-109, 1990, pp. 735-739. PEREIRA, Míriam Halpern, e outros (eds.), Emigração/Imigração em Portugal, Lisboa, Fragmentos, 1993. PINA-CABRAL, João de, Contextos da Antropologia, Lisboa, Difel, 1991 PINA-CABRAL, João de, e outros, “A casa do noroeste - um encontro pluridisciplinar”, in Análise Social, nº95, 1987, pp.151-163. PINA-CABRAL, João de, Filhos de Adão, Filhos de Eva - a visão do mundo camponesa no Alto Minho, Lisboa, Dom Quixote, 1989. RIBEIRO, Orlando, Geografia e Civilização, Lisboa, Livros Horizonte, 1991 RIBEIRO, Orlando, Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico, Lisboa, Sá da Costa, 6ª edição, 1991. RODRIGUES, Teresa Ferreira, “As Estruturas Populacionais”, in Mattoso, José, (Dir.) História de Portugal, Vol. III, Lisboa, Círculo de Leitores, 1933, pp.197-241 RODRIGUEZ, Lorenzo Cachón, Movilidad social o trayectorias de clase?, Madrid, Siglo XXI de España editores, 1989. ROEL, Antonio Eiras (ed.), Consideraciones sobre la emigración española a America y su contexto demográfico, (Actas del II Congresso de la asocición de Demografia Histórica, Alicante, Abril de 1900), Alicante, Instituto de Cultura Juan Gil-Albert, 1991. ROWLAND, Robert, “Emigración, estructura y región en Portugal (siglos XVI-XIX)”, in ROEL, Antonio Eiras, Emigracion Española y Portuguesa n America (Actas del II Congresso de la Asociación de Demografia Histórica. Alicante, Abril de 1990), Alicante, Instituto de Cultura Juan Gil-Albert, 1991, pp. 137-146. SERRÃO, Joel (dir.) Dicionário de História de Portugal, 6 vols., Porto, Liv. Figueirinhas, 1981. SERRÃO, Joel e outros, Testemunhos sobre a emigração portuguesa, Lisboa, Livros Honzonte, 1976. SERRÃO, Joel, A Emigração Portuguesa, 2" edição, Lisboa, Livros Horizonte, 1977. SHILS, Edward, Centro e periferia, Lisboa, Difel, 1991 SILVA, Manuel Carlos F. da, Resistir y adaptarse - constreñimientos y estrategias campesinas en el noroeste de Portugal, Amsterdam: universidad de Amsterdam, 1994. SILVA, Rosa Fernanda Moreira da, “Contrastes e Mutações na Paisagem Agrária das Planícies e Colinas Minhotas”, Studium Generale, n" 5, Porto, Centro de Estudos Humanisticos, pp. 9-117. SIMÕES, Nuno, O Brasil e a Emigração portuguesa (notas para um estudo), Coimbra, Imprensa da Universidade, 1934. TELES, Moreira, O Brazil e a Emigração, Lisboa, Liv. Ventura Abrantes, 1913. TELLES, Moreira, Emigração Portuguesa para o Brazil, Lisboa, Liv. Ventura Abrantes, 1913. TRINDADE, M. Beatriz Rocha, “Refluxos Culturais da Emigração Portuguesa para o Brasil”, in Análise Social, nº 90, 1986, pp. 139-156. VAQUINHAS, Irene, “A condição camponesa entre o mito e realidade”, in Mattoso, José, História de Portugal, Vol. V, Circulo De Leitores, 1993, pp.479-492 VIEIRA, José Augusto, O Minho Pitoresco, Lisboa, Tomo I, Liv. A. M. Pereira, 1886. WALL, Karin, “Classe social, família e emigração. Uma análise diferencial das trajectórias dos migrantes de origem rural”, in PEREIRA, Míriam Halpern, e outros (eds.), Emigração/imigração em Portugal, Lisboa, Fragmentos, 1993., pp. 184-192. WESTPHALEN, Cecília Maria, e BALHANA, Altiva Pilatti, “Política e legislação imigratórias brasileiras e a imigração portuguesa”, in PEREIRA, Miriam Halpern, e outros (eds.), Emigração/imigração em Portugal, Lisboa, Fragmentos, 1993., pp. 17-27.
FONTES
Diário do Governo, 5 de Maio de 1873 Diário do Governo, 4 de Junho de 1859 Censo da População do Reino de Portugal, no 1º de Dez. de 1890, Vol. III, Lisboa, Imprensa Nacional, 1900 Diário do Governo, Decreto de 30 de Setembro de 1852 Recenseamento dos eleitores e elegíveis para deputados e mais cargos públicos, a que se procedeu para o ano de 1881 a 1882, Arquivo Municipal, Câmara Municipal de Fafe Registo de passaportes do Administrador do Concelho, Arquivo Municipal de Fafe «O Desforço», Fafe, 9/9/1920 «O Desforço», Fafe, 23/6/1921 [1] Bourdieu, Pierre, citado por Rodrigues, Lorenzo Cachón, Mobilidad Social ou Trayectórias de Clase?, Madrid, Siglo XXI de España Editores, 1989, p.539 [2] Bessa Luis, Agustina, A Sibila, Lisboa, Guimarães Editores, 1995, pp.39-40
|