Fábrica de Fiação e tecidos de Santo Tirso

Visconde de S. Bento

 A “Fabrica de Tecidos de Santo Tirso”, somente tecelagem no início, surge no cruzamento de interesses de uma burguesia têxtil, dos conhecimentos técnicos da época e da oportunidade para se construir um estabelecimento fabril na vila de Santo Tirso pela vontade expressa em testamento, do Conde de S. Bento.

No testamento de Manuel José Ribeiro, Conde de S. Bento o benemérito tirsense deixa um legado destinado à construção na vila de Santo Tirso de uma fiação de algodão… Após a sua morte, o seu testamentário José Luís de Andrade, lega todos os bens à Santa Casa da Misericórdia de Santo Tirso.

Será esta instituição a encarregada de executar a disposição testamentária referente ao estabelecimento da fábrica. O processo tem início durante o ano de 1894 através de concurso público.

Do regulamento do concurso constava a obrigatoriedade da nova fábrica empregar 50 trabalhadores, preferencialmente de Santo Tirso e ainda que o investimento da sociedade no capital social da empresa fosse pelo menos de 20.000$00 reis. Cumpridos estes requisitos, iniciou-se a construção da fábrica, em 1896.

Em 1897 já se encontra a laborar, tecendo panos crus, riscados e fazendas. Tendo sido oficialmente inaugurada em 1898 as obras de construção irão prologar-se até 1900. Em 1903 alarga a produção ao sector da fiação, adaptando-se posteriormente às operações de acabamentos e tinturaria.

Em 1906 este estabelecimento adopta a designação de “Fábrica de Fiação e Tecidos de Santo Tirso, Lda.”. No final de oitocentos, após poucos anos de funcionamento contava com 400 trabalhadores, número que viria a crescer, empregando 1500 trabalhadores em meados do século, alcançando 2000 trabalhadores pouco antes do seu encerramento em 1990.

A fábrica de Santo Tirso recebeu várias visitas ilustres, das quais se destaca a de D. Manuel II em 1908. Esta visita revela a importância que este estabelecimento tinha alcançado no início do século.

Fábrica de características modernas neste período da industrialização algodoeira do concelho, transformou-se numa escola, fornecendo formação aos seus empregados e servindo de exemplo para a criação de outras fábricas.

       

Salão de tecelagem – final do séc. XIX

Antigo salão de tecelagem com os teares para produção de riscados e “zephires”. Pode-se observar um pormenor da linha de eixo que tocava as várias máquinas por transmissão aérea.

 

Central termoeléctrica – foto do final do século XIX

A fábrica recorreu desde o início à energia termoeléctrica como fonte privilegiada, para o funcionamento de várias máquinas. Data de 1898 o primeiro registo de uma máquina a vapor com destino a este estabelecimento, produzindo antes do virar do século energia suficiente para o funcionamento de vários teares. Procederá em 1900 à instalação de luz eléctrica no perímetro da fábrica. Pode-se observar na fotografia a primeira máquina a vapor de cilindro horizontal.

 

 

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Cf.  Boletim da Câmara Municipal de Santo Tirso “Fiando o Tempo Tecendo o Passado”, nos Cem Anos de História – Fábrica de Fiação e Tecidos de Santo Tirso.