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Escola Conde Ferreira Encontramos ainda hoje, na Rua Montenegro, em Fafe, a Escola Conde de Ferreira. É a mais antiga instituição escolar da cidade, até que novas pesquisas a remetam para outra posição. Joaquim Ferreira dos Santos, era este o verdadeiro nome do Conde de Ferreira, nasceu em Vila Meã, perto de Amarante, em 4 de Outubro de 1782, e faleceu na cidade do Porto em 24 de Março de 1866, com 84 anos. Esta é a data inscrita na frontaria do edifício escolar da Rua Montenegro. O seu mausoléu está no cemitério de Agramonte, e é obra do escultor António Soares dos Reis, que o concluiu em 1876, dez anos depois da morte do Conde Ferreira. Estudou algum tempo no seminário mas saiu e emigrou para o Brasil. Aqui enriqueceu. Tal era a sua riqueza, que além de muitos donativos oferecidos a diversas instituições no Brasil, ainda conseguiu doar ao Estado Português 144.000$000 reis para construir 120 escolas. Fundou o Hospital Conde de Ferreira, no Porto, para doentes de foro psiquiátrico. Na construção das escolas seguiu-se uma planta única pois era mais prático, económico e rápido. Foi o grande benemérito e mecenas da instrução primária em Portugal. Como não tinha parentes muito chegados a quem deixar os seus bens, optou por investir a fortuna em prol da sociedade. Pôs como condição a construção das escolas em sede de concelho, e era forçoso que tivessem aposentos para os professores. Desconhece-se o critério usado para que uma dessas escolas viesse a ser construída em Fafe. A rainha D. Maria II agraciou Joaquim Ferreira dos Santos com o título de Barão, em 1842; Visconde, em 1842, e Conde de Ferreira em 1850, pelos benefícios prestados ao país e ao Partido Constitucional.
Escola Conde de Ferreira - Fafe
José Viriato Capela e Joaquim Sottomaior Faria falam-nos dela aquando da inspecção ocorrida em 1875 e daí tirámos algumas conclusões. Era só do sexo masculino e pertencia à Câmara. Ficava no “lugar do concelho” junto à vila. Por aqui se pode ver a pequenez da então vila de Fafe. Em 1875, já o edifício tinha sido reparado no estuque do tecto por sugestão do inspector. O edifício é composto por duas salas capazes de acolherem 60 alunos, mas no ano acima referido, tinha a frequência de 30 rapazes. Foi mobilado pela câmara e a residência do professor ficava anexa, no próprio edifício, mas era de dimensões acanhadas. Nesse ano de 1875, o professor tinha 71 anos, era de nomeação definitiva e já era professor há vinte anos. Consoante a inspecção de 1875, este professor tinha regido temporariamente a cadeira em Vila Nova de Gaia desde 1855 até 1863. Neste ano foi nomeado professor vitalício por decreto de 15 de Julho de 1863 para a escola de Conde de Ferreira em Fafe. Assim se vê que três anos antes da data inscrita na frontaria, ano da morte do benemérito, já funcionava como escola. Desconhece-se se foi ou não nesta data o início das actividades lectivas. Entretanto, o doador pôde, ainda em vida, assistir ao resultado da sua generosidade em benefício da educação. Esta escola pública está aqui integrada nas particulares pelo facto de ter sido mandada construir por particular e não pelo Estado. O inspector no seu trabalho, classificou a escola “tão imunda como o professor”. Funcionava em regime duplo, das 8 às 10 horas e das 14 às 16 horas. Quanto a castigos aplicados, os alunos informaram o inspector que o professor os “varejava às vezes”. Referiu-se ao professor em termos pouco abonatórios com uma carga de “imoralidade”, “desleixo”, “fraqueza intelectual”, “falta de autoridade e indisciplina que reprimia à vista e ao contacto da palmatória e das sovas”. E acrescentava que “só os filhos das famílias indigentes é que frequentavam aquela escola”. Em Janeiro de 1896, a Câmara desbloqueou verbas para restauro do edifício. A desactivação das funções lectivas neste edifício está prevista que ocorra em Agosto de 2004, por já não reunir condições apropriadas às exigências modernas de ensino. Em Maio de 1903, desencadeou-se nova inspecção às escolas oficiais do concelho de Fafe, feita pelo sub-inspector do círculo escolar de Guimarães, João Azevedo Ramos Paz. Desta vez ouvimos com satisfação, os louvores que o professorado do concelho teceu ao sub-inspector pela visita tão ilustre. O professor da escola Conde de Ferreira, Sr. João de Oliveira Frade, em Junho de 1913, solicitou à Câmara a reparação de certas anomalias aí existentes, ao que a Câmara providenciou de imediato, mas desde que as obras não ultrapassassem o montante de 50$000 reis. No ano seguinte o mesmo professor, da primeira cadeira, pediu à Câmara para retirar da sala um gasómetro de gasolina e outro de acetileno, e umas mesas que serviam a escola móvel[1], visto esta ter fechado. Pediu ainda reparação nas cadeiras e nas retretes. Nesse mesmo ano de 1914, João de Oliveira Frade, solicitou autorização à Câmara para, às suas custas, fazer a instalação eléctrica numa das salas do edifício. Esta instituição anuiu ao solicitado. Logo a seguir, o mesmo e mais dois professores desta escola pediram à autarquia que lhes fosse fornecida energia eléctrica para as suas salas.
Era um sábado e decorria o mês de Março de 1936. A escola Conde Ferreira teve uma sessão solene em homenagem ao seu fundador. A iniciativa partiu do professor David António Ferreira e António de Oliveira. Assistiram ao acto muitos professores de Fafe e das aldeias, e esteve também o Delegado do Inspector Escolar, Sr. António Joaquim Teixeira, o presidente da Câmara, Dr. António Martins de Freitas, o vereador da instrução Padre Albertino Freitas, todos os vereadores e outras individualidades. Nos discursos enalteceram o benemérito Joaquim Ferreira dos Santos, e ainda se referiram os nomes de outros benfeitores da época e do concelho de Fafe, como Manuel Gonçalves e Olímpio Mendes Oliveira, que tinham dotado Quinchães e Revelhe respectivamente de escolas primárias. Artur Leite
[1] - As Escolas Móveis foram criadas pelo Ministro Hintz Ribeiro em 1901 para as localidades onde não havia escolas fixas.
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