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Miguel Monteiro
  



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LUGARES DA PARTIDA
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Núcleo Museológico

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As estações do
caminho-de-ferro foram, nos séculos XIX e XX, as plataformas da mobilidade
humana, completando com os Portos Marítimos o que foi a malha da História
moderna e contemporânea.
«No
comboio da tarde de Domingo retirou desta vila com destino
a Manaus, onde é importantíssimo negociante, o
distinto cavalheiro sr. Eduardo Fernandes, genro do
estimável cavalheiro sr. José Alves de Freitas.»
O
Desforço 30/1/1910
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«Na década de 1840
gizaram-se os primeiros projectos para introduzir no país os novos
comboios [...]. A rede ferroviária cresceu de 36 km (1856) para vinte
vezes mais em 1864, atingindo um número superior a 1500 km nos meados da
década de 1864, 1888 km em 1892, 2381 em 1902 e 2974 em 1912.» (Oliveira Marques,
HIstoria de Portugal) |
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«[...] há no país duas
linhas de via reduzida, relativamente importantes, a do Porto à Póvoa e
Famalicão e a Bougado a Fafe.
[...] A segunda teve a sua
origem na licença dada em 11 de Julho de 1871 a Simão Gattai para
estabelecer um Caminho de Ferro Americano entre Porto e Braga, aproveitando
o leito de Estrada, mas não tendo este o devido andamento aos trabalhos foi,
em Abril de 1879
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revogado a concessão e
feita nova concessão ao Visconde de Ermida e Francisco Soares Veloso para a
construção de um caminho de ferro de via larga. Havendo os concessionários
solicitado que lhes fosse permitido construir a linha com via reduzida,
foi-lhe o pedido deferido em 5 de Agosto de 1880, inaugurando-se o troço
Trofa-Vizela em 31 de Dezembro de 1881, até Guimarães, em 14 de Abril de
1884 e até 1884 e até Fafe em 21 de Julho de 1907» (anuário do Instituto
Industrial Português, 1921/22)
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Em 12 de Junho de 1903 são
inaugurados os trabalhos de construção da linha férrea com a presença do
Ministro das Obras Públicas, tendo a Câmara resolvido ir esperar o Ministro
ao extremo do concelho e recebê-lo nos Paços do Concelho.
Em 1 de Maio de 1907 é aberto
concurso para a construção das obras da Avenida da Estação do Caminho de
Ferro, escadarias e escavações da rampa de acesso à mesma estação e em 31 de
Julho de 1907 o jornal Povo de Fafe dá a notícia que no domingo anterior se
tinha realizada a festividade em honra de Santa Luzia cuja Capela seria
demolida para a abertura da Avenida da estação. |
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«Realizou-se no passado
domingo a festividade que a ilustre família Azevedo, em cumprimento de um
voto, resolveu fazer em honra da Santa Luzia, cuja imagem se venerou na
capela do largo da Vila (...).
Pela tarde, a Santa foi
conduzida processionalmente, em veneração dos fieis, em razão de, como se
sabe, a capela ter de se destruir para a construção da nova avenida que do
largo se dirige à estação do caminho de Ferro.
Cumpre-nos felicitar a
ilustre família Azevedo, e em especial o seu querido membro José Azevedo,
pelo brilhantismo que conseguiram dar a sua grandiosa festividade." Povo de Fafe, 31/7/1907
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Em 21 de Julho de 1907 é
inaugurada a linha e a Estação do Caminho de Ferro de Fafe com a Chegada do
primeiro comboio, festejada com um jantar social na Casa do Santo
tendo sido constituída uma comissão, organizadora. |
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«A Comissão encarregada dos
festejos que hão-de ter lugar no dia 21 do corrente para inauguração do
caminho de ferro desta vila, desejando fazer servir um jantar às pessoas
mais gradas deste concelho e a pessoas de elevada posição social fora dele,
que contribuiriam para tão útil melhoramento, tem a honra de convidar Vossa
Excelência para consentir a inscrição do seu nome no número dos convivas.
O jantar é na Casa do Santo
às quatro horas da terra do referido dias, sendo o preço por cada pessoa de
3$000 réis. |
Rogamos, pois, a Vossa Exia.
se digne dizer-nos no prazo de cinco dias, se podemos contar com o nome de V.ª Excelência e isto para regularidade da comissão da inscrição definida,
devendo a correspondência ser dirigida para o primeiro signatário.
Sem Mais, de V.ª Excelência
[...]
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A comissão:
João Monteiro Vieira de Castro
João Leite de Castro
José Leite Saldanha
Castro
Artur Vieira de Castro
Albino de Oliveira Guimarães
João Soares de Oliveira
Miguel Gonçalves da
Cunha
Bernardino da
Cunha Mendes
José Alves de Freitas
José Joaquim Fernandes Ribeiro.
Trajo sobre-casaca,
farda ou hábito talar».
(O Desforço, 21/7/1907)
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«Uma hora e vinte minutos,
duas locomotivas 'Porto', n.º 5 e 'Negrelos' n.º 2 a rebocarem 17
veículos e as bandas fazendo ouvir os seus sons musicais, vibrantes pareciam
exprimir o que nos ia na alma; o dinamite, estalejando nos ares anunciou ao
longe o nosso enorme contentamento.
[...] A da vanguarda, a n.º
5, trazia a dirigi-la o engenheiro sr. Francisco Ferreira Lima, que traajava
de maquinista, e o chefe de tracção e oficinas sr. Joaquim Lopes.
Acompanhava o comboio uma
banda de música. [...] - Ao apearem-se, o sr.
Conselheiro Florêncio Monteiro
foi o que iniciou os vivas, que prosseguiram, correspondidos sempre com
ardor.
[...] seguiu-se o
presidente da câmara sr.
João
Leite de Castro,
que discursa sobre os benefícios da
linha trazidos a Fafe [...] e atribuiu esse melhoramento à boa vontadae do
sr. Conde de Passô Vieira e do distinto e simultaneamente, à inteligência e
actividade do sr. Reis Porto [...]
Almanaque de Fafe, 3.º ano, 1911
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O Jornal Desforço dá-nos a
seguinte notícia: «Bernardino da Cunha Mendes, pelo seu feliz regresso do
Pará, saudámo-lo afectuosamente, enviando-lhe os cumprimentos de Boas
vindas. Animados por o termos entre nós, como membro da Câmara pobre que
muito tem a fazer, excitámo-lo a um melhoramento qualquer de sua iniciativa
- ex.: o da frente da estação do caminho de ferro - a que depois se poderia
dar com satisfação o seu nome» |
A primeira decisão oficial de
construção é de
14 de Julho de 1898:
«Carta de lei pela qual
Vossa Majestade, tendo sancionado o decreto das Cortes gerais de 21 de Julho
último, que autoriza o governo a tomar definitiva a concessão provisória,
feita à companhia do caminho de ferro de Guimarães, para a construção e
exploração do prolongamento do mesmo caminho de ferro, desde o seu actual
terminus na cidade de Guimarães, até Fafe, nos termos do decreto de 14 de
Julho de 1898 e das clausulas e condições ao mesmo anexas, o manda cumprir e
guardar como nele se contem, pela forma retro declarada. Para Vossa
Majestade ver. - D. Henrique de Menezes Alarcão a fez.»
«DOM CARLOS, por graça de
Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, etc. Fazemos saber a todos os nossos
súbditos, que as cortes gerais decretaram e nós queremos a lei seguinte:
Artigo 1.º É o governo
autorizado a tornar definitiva a concessão provisória, feita à companhia do
caminho de ferro de Guimarães, para a construção e exploração do
prolongamento do mesmo caminho de ferro, desde o seu actual terminus
na cidade de Guimarães, até Fafe, nos termos do decreto de 14 de Julho de
1898 e das clausulas e condições ao mesmo anexas.
Art. 2.º É elevado a trinta
e cinco o prazo da isenção de impostos, a que se refere o n.º 2 da clausula
44.ª das referidas clausulas de condições.
Art. 3.º É autorizada a
companhia concessionária a emitir 6.000 obrigações do capital nominal de
90$000 réis cada uma, no valor total de 540.000$000 réis, como o juro fixo
anual de 5 por cento, amortizáveis dentro do prazo de noventa e nove anos
desta concessão, mas de modo que o encargo para a companhia não seja
superior anualmente a 27.500$000 reís, e ainda com as seguintes condições:
Que nenhum responsabilidade
virá para o estado pelas obrigações emitidas;
Que, sem embargo da
clausula 39.ª das clausulas e condições anexas ao decreto de 14 de Julho de
1898, poderá a companhia hipotecar a parte do caminho de ferro a construir
para garantir o pagamento dos juros e amortizações das obrigações das
obrigações desta emissão:
Finalmente que esta emissão
será submetida a registo no tribunal do comércio, nos termos da legislação
comercial vigente.
Art.4.º Fica revogada a
legislação em contrario.
Mandamos portanto a todas
as autoridades, a quem o conhecimento e execução da presente lei pertencer,
que a cumpram e guardem e façam cumprir e guardar tão inteiramente como nela
se contem.
O presidente do conselho de
ministros, ministro e secretário de estado dos negócios do reino, os
ministros e secretários de estado dos negócios da fazenda, e das obras
publicas, comercio e industria, a façam imprimir, publicar e correr.
Dada no paço, em 1 de
Agosto de 1899 - EL-REI, com rubrica e guarda . - José Luciano de Castro -
Manuel Afonso de Espregueira - Elvino José de Sousa e Brito.
Cf. Miguel Monteiro
Fafe dos Brasileiros ... 1991
Miguel Monteiro (Coordenador )
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