Cf: Revista da Comunidades de Língua Portuguesa, Revista n.º 20, Director e Editor João Alves das Neves 

(transcrição feita por Juliana)

Beneficência Portuguesa (Pelotas,1857)

Fonte: www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=476643

 Logo que os portugueses intensificaram a colonização deste admirável país, a mais rica jóia de seu vasto império, aqui fundaram essas admiráveis Santas Casas de Misericórdia, seguindo o exemplo da Rainha Dona Leonor, que iniciara sua extraordinária obra hospitalar, em Portugal, nas Caldas da Rainha, espalhando-se, hoje, esses estabelecimentos por todos os recantos do Brasil.

Mas, proclamada a independência, quiseram que os portugueses do Brasil continuar na sua bondosa obra de assistência hospitalar, e, por tanto, já não podiam mais criar Santas Casas, tomaram a iniciativa de lançar as bases dessa gigantesca cadeia de hospitais, que são as sociedades portuguesas de Beneficência, encontradas, hoje, em todas as partes onde existe uma colónia portuguesa ponderável.

Pelotas, cidade acolhedora e gentil, onde os portugueses, desde cedo, encontraram um tratamento fraternal e amigo, a ponto de se identificarem com os Pelotenses, como se Pelontenses fossem, - não podia constituir excepção á regra, e, então, os irmãos Lusitanos, na sua ânsia de fazer reviver, nesta parte meridional de nosso Estado, os usos e costumes da Pátria distante, que fora madre de mundo, resolveram, fundar, aqui, a sua Beneficência ao calor desse amor á terra natal, cuja finalidade não era só cuidar do corpo combalido pela doenças, mas, ainda, auxiliar os portugueses desamparados da sorte, as suas esposas, as suas viúvas, os seus filhos, conseguir-lhes emprego e repartia-los se a tanto se vissem obrigados.

Assim, algumas das personalidades de maior destaque da colónia portuguesa de então, tendo á sua frente o Vice-Cônsul Francisco Luís Ribeiro secundado por Manuel Fernandes Lima e insigne José Vieira Pimenta, a quem Pelotas tanto deve e possivelmente o idealiza dor da futuros a iniciativa, tomaram a si o encargo da criação da Beneficência, nos moldes da de Porto alegre, fundada em 1854, da qual receberam autorização, aqui, estabeleceram uma agência, o que finalmente se verifica no dia 21 de Junho de 1857, já contando, de início, com 254 sócios.

A ata nº1, que relata a realização dessa primeira reunião, em casa do Vice - Cônsul, dá-nos notícia de que alguns dos vossos sócios encareciam a necessidade de se criar um hospital, onde pudessem ser tratados, pois a sua ida para Portalegre era, na época, bastante morosa.

De facto, aos 21-6-1857, os agentes reúnem-se na casado Vice-Cônsul e determinam pedir ajuda aos negociantes - Pedro José de Campos, Joaquim Monteiro, Joaquim José Pereira Pena e Januário Joaquim Amarante - para em acção conjunta com eles (agentes) se conseguir o maior número possível de sócios (...)

Em 16 de Setembro de 1857, a data do aniversário do Rei de Portugal, apenas decorrido 8 dias, celebrava-se, com a maior imponência, inauguração do novo hospital, que viria enriquecer Pelotas , o qual ficou instalado na rua da igreja, esquina da rua  D. Domingos, hoje rua General Vitorino, esquina da rua Benjamim Constant, em prédio de propriedade da firma Ribas & Irmão(...)