O ASILO DE INVÁLIDOS

 

 

Associando-se, gostosamente sem impulso de lisonja, à justa homenagem empreendida, há dias, com tanta felicidade, pela Mesa da Misericórdia, publica hoje este jornal o retrato do senhor Manuel Baptista Maia, filho ilustre desta terra, que merecidamente deve ser cognominado pela publica opinião, benemérito de Fafe.

 

É-o incontestavelmente, pelas acções beneficentes, que desde alguns anos vem assinalando, singularmente, a sua vida com um cunho de tão pronunciado de interesse e desvelo pela causa dos desprotegidos da sorte e pelo extraordinário desapego que subordinou, com inteligência e eficácia, os recursos largos da sua fortuna ao serviço de um coração magnânimo, aberto, com uma generosidade, que edifica e comove, a todos os sofrimentos e necessidades da pobreza. 

 

O seu nome vinculou-se a três legados da Misericórdia, registando-se perduravelmente, se favores, nem auxílios estranhos, nesse simpático nesse simpático estabelecimento, para inválidos com que foi dotada esta terra.

 

E por isso, deve ser pronunciado por todos com a veneração e respeito devido aos beneméritos e bem digno é de trazer-se , triunfalmente, com lídimo orgulho, dos limites da modéstia em que se recata para os da publicidade e para os aplausos e demonstrações da consagração.

 

Rasgos generosos e impulsos desta natureza que tanto enaltecem os brios r condições locais, onde, com, consolação o memoramos, tão avantajada tem sido a iniciativa em prol da beneficência, que não amesquinha com confrontos estranhos, não podem abandonar-se ao destaque próprio, embora seja a sua eloquente apologia, reclama-o o interesse social.

 

Apregoá-los é uma imperiosa obrigação.

Raras vezes, portanto, é tão subido o nosso jubilo e cordial, intenso, vivo e repassado de sinceridade o nosso entusiasmo.

 

Esta homenagem modesta e o culto afervorado da nossa gratidão e abulo do nosso reconhecimento, sendo-nos particularmente agradável, bem dizer a mão que aplica tão proficuamente os haveres que amealhou, com tantos suores, e tanta economia.

 

Que os pobres lha osculem, reconhecidos, e Deus converta o produto dos legados do simpático, benemérito em bênçãos de felicidades que prolonguem a vida do Sr. Manuel Baptista Maia, dando-lhe ensejo a prosseguir na sua missão de benemerência.

 

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A assembleia geral da Misericórdia, que teve lugar no domingo no edifício dessa casa de Caridade, para homologar a aceitação do novo asilo denominado de  Santo António, para os inválidos de ambos os sexos, e a respectiva dotação, em cerca de 20 contos, esteve concorridíssima de irmãos.

 

Presidiu a ela o fiscal, servindo de provedor, SR. Miguel Gonçalves da Cunha, tendo à sua direita, o benemérito doador do estabelecimento de caridade.

 

O Sr. Miguel Gonçalves da Cunha, expondo o fim da reunião, teve palavras do maior e merecido elogio para o Sr. Maia pelas altas benemerências suas prestadas a obras pias e de caridade desta terra, por intermédio desta Misericórdia, e disse que a prova mais sincera da gratidão da mesa e de todos os irmãos, estava na apresentação ali do retrato, que neste momento descerrou, ressoando em  seguida no vasto salão uma prolongada salva de palmas, abraçando o Sr. Provedor comovido, neste momento, o Sr. Maia.

 

Usou em seguida da palavra o rev. José da Silva e Castro, que em frase quente e vibrante fez a apologia da caridade, exaltando nela a figura proeminente do doador do novo asilo, a quem taxou de maior benemérito desta terra.

 

Em tudo o que disse desenvolveu, numa elevação de estilo que tanto distingue os seus discursos, sempre correctos e sempre primorosos. teve passagens tão belas e entusiásticas que a assembleia sentiu-se enternecidamente empolgada.

 

Terminou fazendo uma saudação ao Sr. Maia, que a assembleia se associou.

 

Feita a homologação e terminada a sessão o sr. Maia foi abraçado por muitas das pessoas que na sua qualidade de confrades daquela instituição ali estavam reunidas, sendo esta manifestação tão cativante que revestiu para o nosso benemérito o carácter duma verdadeira apoteose.

 

O novo asilo vai ser inaugurado brevemente.

 

"O Jornal de Fafe", 18 de Fevereiro de 2006