VALENTIM RIBEIRO DA FONSECA

 

       

Valentim Ribeiro dos Santos, nasce a 29 de Julho de 1855, em Palmeira de Faro, Esposende; 5º filho de Manuel Ribeiro dos Santos e de sua mulher D. Mécia Roza do Nascimento.

Os primeiros anos são passados ao lado da mãe, Mécia, ajudando-a nas lides da casa e das propriedades, entre a casa da vila de Esposende e a quinta de Tarroso em Palmeira de Faro. A sua instrução é feita na escola da vila onde aprende a leitura e a escrita, a gramática portuguesa, a língua inglesa, história, aritmética, direito público, moral e religião…

Em 13 de Março de 1869 parte para o Brasil a bordo da barca Jovem Adelaide onde chega, ao Rio de Janeiro a 24 de Abril do mesmo ano.

Emprega-se pouco depois na casa Fonseca & Cunha, de Manuel José da Fonseca também português que se havia fixado no Rio de Janeiro no negócio dos molhados: vinhos, vinagres, azeites e outros.

Aos 18 anos Valentim torna-se sócio na firma Fonseca & Cunha, e, segundo um hábito carioca, o recém admitido a sócio de uma empresa por uma questão de deferência para com o sócio mais antigo na casa e maioritário, tomava-lhe o nome; assim, deixa cair o seu último apelido, Santos, substituindo-o por Fonseca… Passa a Chamar-se Valentim Ribeiro da Fonseca.

 Os negócios vão-lhe correndo de feição, assim como os contactos que vai estabelecendo na cidade. Em 1879 faz-se sócio da Sociedade Portuguesa de Beneficência do Rio de Janeiro e é um dos fundadores do Real Gabinete de Leitura do Rio. Casa-se em Julho de 1887 com D. Amélia d’Almeida Paschoal

Convite de casamento

 

Em 1890 regressa a Portugal e instala-se em Lisboa. Reparte o seu tempo entre a capital e Esposende. De salientar, porém que …depois do seu regresso do Brasil, Valentim Ribeiro da Fonseca não deixou de efectuar negócios com o país que lhe granjeou a fortuna, são vários os ramos onde se move, imobiliário, acções, obrigações, secos e molhados […] Toma posições fortes em algumas das mais importantes companhias a operar no Brasil, como a Companhia Ferro Carril do Jardim Botânico, Banco Comercial do Rio de Janeiro, Banco Nacional Brasileiro, Banco Setentrional do Brasil, Companhia Nacional de Assucar, […]. Mantém um elevado ritmo de correspondência com os seus vários parceiros, que lhe permitem, estando longe, lidar de perto com as vicissitudes dos negócios.” [1]

Em 1892 é aceite como sócio do Grémio Literário de Lisboa e em 1905 é eleito Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Esposende.

Grémio Literário de Lisboa
 

 Em 1880, voltou a Portugal, já como dono de uma "fortuna considerável", segundo seu bisneto Paulo Cerquinho, e investiu seu dinheiro na construção de um hospital,, um teatro (agora auditório municipal) e um palácio em Esposende.

 

Todas as obras foram assinadas pelo arquitecto Miguel Ventura Terra, o mesmo que planejou o prédio do parlamento português em Lisboa.

Ribeiro da Fonseca foi prefeito de sua cidade, e hoje dá nome a uma das principais vias da cidade.


Um livro sobre a história bem-sucedida do português Valentim Ribeiro da Fonseca, que quando criança imigrou para Brasil (...), e voltou transformado em um banqueiro que financiou as principais obras públicas de sua cidade natal, Esposende, chegou hoje às livrarias de Portugal.

Fontes da editora responsável pela publicação explicaram que um de seus descendentes, João Paulo, é o autor do relato, escrito em forma de "crónica romanceada" a partir de testemunhos soltos e de notas do próprio Valentim Ribeiro da Fonseca.

Em 1880, voltou a Portugal, já como dono de uma "fortuna considerável", segundo seu bisneto Paulo Cerquinho, e investiu seu dinheiro na construção de um hospital, um teatro (agora auditório municipal) e um palácio em Esposende.

 

Todas as obras foram assinadas pelo arquitecto Miguel Ventura Terra, o mesmo que planejou o prédio do Parlamento português em Lisboa.

Ribeiro da Fonseca foi prefeito de sua cidade, e hoje dá nome a uma das principais vias da cidade.

A presença de Ribeiro da Fonseca no Brasil coincidiu com o auge da imigração portuguesa ao país, no final do século XIX e na primeira metade do século XX. EFE mr gs/ta

 

Um livro sobre a história bem-sucedida do português Valentim Ribeiro da Fonseca, que quando criança imigrou para Brasil (...), e voltou transformado em um banqueiro que financiou as principais obras públicas de sua cidade natal, Esposende, chegou hoje às livrarias de Portugal.

Fontes da editora responsável pela publicação explicaram que um de seus descendentes, João Paulo, é o autor do relato, escrito em forma de "crónica romanceada" a partir de testemunhos soltos e de notas do próprio Valentim Ribeiro da Fonseca.

 

Ao apresentar a obra, o historiador Jorge Fernandes Alves, autor do prólogo, afirmou que este tipo de livro pode servir como "plataforma para compreender melhor o processo migratório", seus males e benesses.

 

 

http://www.csonlineunitau.com.br/acervo_nupec/REVISTA%20ACERVO/acervo_

2/guaratingueta.pdf

 

http://www.esposendeonline.com/

Teatro

Esposende sendo uma pequena terra de província dispunha de poucas distracções de carácter cultural. Valentim ficara fascinado com as obras de construção do Santuário de Santa Luzia, e, maravilhado com o que vê, quer conhecer o responsável pelo projecto.

Nasce assim uma amizade com o futuro arquitecto do teatro club de Esposende: Miguel Ventura Terra. Nasce desta forma, o primeiro grandioso projecto para Esposende de Valentim Ribeiro da Fonseca. Corria o ano de 1911.

                 

O PALACETE VALENTIM RIBEIRO

 

Paralelamente à construção do Theatro Club começa-se a dar seguimento ao seu segundo projecto – também de Miguel Ventura Terra –, a sua nova casa na vila.

O projecto do palacete previa a sua implantação na Rua Veiga Beirão, onde se deu vida a um imponente e sóbrio edifício, recheado de elementos que o distinguiam dos edifícios da altura: friso superior em azulejos, pintados no verdadeiro estilo Arte Nova, grandes peças de granito trabalhado que se misturavam harmoniosamente com estruturas de ferro forjado e painéis de madeira […] com grandes recursos de mármores e cristais estrangeiros… envolvido em três das suas frentes por um grande jardim, português [2]. Em Dezembro de 1909 estava concluído o palacete Valentim Ribeiro.

 

O HOSPITAL

construção de um hospital,

Inauguração do Hospital – 2 de Julho de 1916

 

Em 1910, Valentim Ribeiro da Fonseca coordena a constituição de uma comissão encarregue de estudar a melhor localização e de procurar um terreno para a construção de um novo hospital.

O antigo hospital de S. Manoel estava a ser um problema eternamente adiado.

Valentim Ribeiro desdobra-se em deslocações e contactos de modo a levar por diante este seu sonho; numa ida a Lisboa onde se reúne demoradamente com o arquitecto Miguel V. Terra, explica-lhe detalhadamente todos os problemas com que se debate a mesa da Misericórdia na gestão do hospital e porque se torna imperiosa a construção de um novo hospital. Valentim consegue recolher fundos um pouco por todo o lado: Lisboa, Rio de Janeiro, Baía e, donativos de particulares: António Rodrigues Alves de Faria, Conde Agrolongo, Visconde de Salreu, Comendador Gregório Garcia Seabra, Campos Morais e o próprio Valentim Ribeiro da Fonseca, que não só promove as subscrições como critica ferozmente quem devia apoiar e não apoia. Finalmente em Julho de 1916 é a inauguração solene do novo hospital que decorreu com grande brilhantismo […]. Ao meio-dia, na igreja da Misericórdia uma grande multidão de povo, com a banda de Curvos à frente, endereçou-se para o hospital. Lá já se encontravam várias pessoas de destaque, bem como a Meza Administrativa da Misericórdia […]. Tem-se dito pouco acerca da acção do ilustre provedor da Misericórdia, como pugnador das obras deste majestoso edifício, que é, na verdade, um monumento de soberba arquitectura […] Tem-se realmente dito pouco, porque dizer-se apenas que “ sem Valentim Ribeiro não existiria o Hospital” – parecendo muito, é na realidade pouco. [3]

 

Valentim Ribeiro, um retrato em dia de inauguração

Pelas nove horas do dia 4 de Maio de 1921 esgota-se a vida de Valentim Ribeiro da Fonseca. Em testamento quer um funeral o mais modesto possível, proíbe ofícios, coroas artificiais, armações de Igreja… sob pena de os herdeiros, a não cumprir estes seus últimos desejos, paguem uma multa de dois contos de Reis… ao hospital de S. Manoel! Em anexo, pede que olhem pelos pobres de Esposende e de Tarroso.

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[1] FONSECA, João Paulo Ribeiro da, Valentim Ribeiro da Fonseca, Nas Ondas da Vida, Esposende, Dezembro 2005, p. 94

[2] Idem, pp. 106-107

[3] O Espozendense, 6 de Julho de 1916

Todas as fotos são da obra acima citada