|
Miguel Monteiro
|
ROMANIZAÇÃO
«É nos finais do século III a. C. em 218, que as primeiras tropas romanas, sob o comando de Cneu Cipião, desembarcam na Península Ibérica . [...] É só com Augusto, em 19 a.C. , que se elimina o último foco de resistência e que a Hispânia se pode considerar província pacata» 1 «Quanto às populações subjugadas, limitavam-se a impor-lhes a pax romana, a percorrer as montanhas e fazer descer os indígenas, como refere Estrabão, dos cumes escarpados e inacessíveis dos montes para a vida calma e pacífica das terras baixas. Era uma acção disciplinadora e uma progressiva subordinação a um novo regime jurídico e social.»2
No longo processo de romanização, os Romanos alteraram radicalmente a vida da Península Ibérica modificando o seu quadro económico e social, o isolamento e organização tribal, construindo uma unidade peninsular. A integração dos povos na nova realidade, resultou da participação dos peninsulares, como mercenários, nos exércitos romanos; subjugaram as populações locais; impuseram uma estrutura administrativa, sendo (BRACARA AUGUSTA) Braga e (AQUAE FLAVIAE) Chaves as capitais administrativa mais próxima de Fafe. Rasgaram vias e construíram pontes para promover o aproveitamento económico dos recursos locais e facilitar as ligações com as cidades administrativas e judiciais; cruzam-se mulheres indígenas com soldados romanos; o uso do latim generaliza-se; os deuses romanos são assimilados pelas populações destas regiões. A acção militar e a lenta e sistemática actuação dominadora da administração colonizadora romana sobre as populações provoca a transformação económica e social das populações modificando as estruturas tradicionais encaminhando as populações instaladas nos altos dos montes para as vales e planícies onde se situava a " villae" , explorações agrícolas de grande dimensão. No território que hoje constitui o concelho de Fafe pode ver-se em vários castros a influência da presença dos romanos, quer em material disperso " tegulae" - telhas planas e "imbrice" - telhas curcas. Nos Castros identificados foram encontrados vestígios de romanização nomeadamente em Cepães, (Retortinha), Fafe ( Santo Ovídio), Freitas (Monte de Santa Marinha), São Gens (Subidade), Santa Cristina de Arões ( Monte de Santo Antonino). A maior parte das nossas aldeias, vilas e cidades devem a sua fundação às villae lusitano-romanas , constituidas já na decadência do Império e declínio ou abandono dos castros, por volta dos finais do séc.III. Tiveram a sua origem durante o Império Romano os lugares designados pelos topónimos: " Villae" em Travassós (Castanheira, Trás de Bouça); Vila Pouca ( Moreira de Rei e Santa Cristina de Arões), Vila Cova (Vila Cova, Fornelos e Pedraído), Vilares (São Gens e Estorãos) , Cima de Vila (Serafão, Ribeiros, Paços, Fornelos e Golães), Vilar (Seidões,Travassós, Estorãos e Golães), Vilar d'Oufe (Seidões), Vila (Arnozela), Fun' de Vila (Arnozela, Pedráido, Paços, Golães e Fareja), Vila Franca (Queimadela), Paço Vilas (Serafão e Freitas), Vilarelho (Serafão), Vila Boa (Golães), Vilela (Moreira de Rei, SÃO Gens); Quintã(s) Pedraído, Antime, São Romão de Arões, Armil, Revelhe, Estorãos, Fornelos, Golães; Santa Cristina de Arões), Quintana (Vila Cova), Quintianes, (Quinchães); e as que são indiciadas pelos topónimos: Agro ( Serafão), Agrela (Agrela, Fafe), Agrelo (Santa Cristina de Arões) Estes topónimos demonstram uma acção de romanização importante nas terras de Montelongo. Em Quinchães (Carreirões) e Fafe (Agrela) encontram-se marcos que se supõe serem miliarius de via romana que ligaria Braga a Astorga. A influência romana nos castros verifica-se pela adopção de novas formas e coberturas das habitações, onde se aplica a telha, dando origem à indústria da sua fabricação local e no aumento de preocupações de ordenamento urbanístico. Nos castros romanizados aparece em material disperso (tegulae) - telhas planas e (imbrice) - telhas curcas, (Lateres) - fragmentos de tijolos, ou ainda cerâmica que se apresenta revestida um verniz vermelho, chamada “terra sigilata ou arretina”. No castro de Santo Ovídio foram descobertos vestígios que permitem concluir da existência de contactos com os romanos no século I e II d.C. Em todas as freguesias do concelho aparece o topónimo Outeiro, nome atribuído aos lugares situados numa elevação muito próxima do povoado: Outeiro Alto, Outeirinho, Outeiro mau, Outeiro Longo, Outeiro da Linha, cuja raiz etimológica latina «Altarium» nos leva a crer que se tratava de lugares onde se situava a Ara de culto, onde se faziam os sacrifícios aos deuses locais, referidos e respeitados pelos romanos. |