Emigrantes, Brasileiros e Maçons

 

O Brasil e o Ideário Republicano na Imprensa Portuguesa (1889-91)

O Brasil e o Movimento Republicano Português, 1880-1910

PELA REPÚBLICA! - O Movimento Republicano de Santarém: (1895- 1906)

A Expansão da Maçonaria Portuguesa e o Republicanismo - A Loja da Liberdade n.º 247

 

 

Grande Oriente Lusitano

 

Grande  Loja Nacional Portuguesa

 

"O amor por princípio, e ordem por base, O progresso por fim"

rio de Janeiro

 

Os templos são símbolo da construção maçónica por excelência, da paz profunda para que tendem todos os maçons. É um local de trabalho e das ritualizações

 

 

Pavimento em Mosaico - Chão em xadrez de quadrados pretos e brancos, com que devem ser revestidos os templos; símbolo da diversidade do globo e das raças, unidas pela Maçonaria; símbolo também da dualidade entre os mais diversos temas, como bem e mal, espírito e corpo, luz e trevas.

 

Acácia mimosa - símbolo da segurança, da clareza e também da inocência ou pureza de espírito de todo Maçon.

 

O avental - símbolo do trabalho maçónico: branco, e de pele, para os aprendizes (com a abertura erguida) e companheiros (com a abeta baixa); branco orlado de vermelho ou azul (dependendo do rito), e com diversos símbolos maçónicos para os mestres.

 

Delta luminoso com o olho que tudo vê - Triangulo luminoso com um olho no centro, símbolo da força expandindo-se; também representa o próprio Grande Arquitecto do Universo e sua omnisciência .

 

 

As colunas são os símbolos dos limites do mundo criado, da vida e da morte, do elemento masculino e do elemento feminino, do activo e do passivo, do mundo material e do espiritual.

 

 

O triangulo formado por esses três pontos representa também a primeira forma geométrica perfeita, dotada de tamanho e área num espaço.

 

O Esquadro, Resultante da união da linha vertical com a linha horizontal, associado ao fio de prumo, é o símbolo da rectidão moral e de uma absoluta exactidão de pensamento, palavra e acção do homem sobre a matéria e sobre si mesmo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

«A Maçonaria é uma instituição essencialmente iniciática, filosófica, educativa, filantrópica e progressista»

 

 

A vivência emigrante no Brasil esteve fortemente marcada por diferentes formas de  apadrinhamento de amigos e parentes protectores, as quais facilitaram a sua integração nas actividades comerciais por conta própria, nas organizações de cariz associativo beneficente (Hospital da Beneficência), Cultural (Gabinete de Leitura) e iniciático (Maçonaria), instituindo-o de aprendizagens, saberes, condutas, cuja expressão simbólica atravessou o Atlântico e se tornou visível os territórios de origem.

A «Maçonaria é um sistema sacramental, possuindo, tal como os sacramentos, um lado exterior e visível constituído pelo seu cerimonial, pela sua doutrina e pelos seus símbolos, o qual podemos ver e ouvir, e um outro lado interior, intelectual e espiritual, o qual está escondido por trás do cerimonial, da doutrina e dos símbolos e que só está para o Maçom» (W.l.W)

«As lojas maçónicas, com seus nomes sugestivos (Caridade; Caridade e União; Perfeita Amizade; Esperança; Luz Brasileira; Igualdade e Beneficência; Amor ao Trabalho; Progresso, Trabalho e Honra; entre outros), funcionavam como importantes espaços de sociabilidade e convívio, influindo no quotidiano tanto das cidades pequenas quanto das maiores. 

Nelas os grandes temas que mobilizavam a sociedade brasileira do período eram discutidos e novas práticas culturais eram aprendidas.

Talvez a mais importante, como aponta a historiadora Margaret Jacob, seja a crença de que o mérito e não o nascimento constituía o fundamento para a ordem social e político.

Através da imprensa, dos debates parlamentares, os maçons procuravam apresentar-se como herdeiros das "Luzes", como membros de uma organização filantrópica e dedicada à causa do progresso.

Procuravam afirmar a imagem da Maçonaria como uma escola onde se ensinava e aprendia as virtudes fundamentais: a liberdade de pensamento, a independência da razão, o auxílio mútuo (Alexandre Mansur Barata)

 

Ao centro de pé -  acto fundador

António Gonçalves Guimarães (Presidente)

Fortunato de Freitas e Castro (Vice Presidente)

 Bernardo Ribeiro de Freitas (primeiro secretário)

 Albino de Oliveira Guimarães (segundo secretário)

 José António Vieira de Castro (tesoureiro)

Luís António Rebelo de Castro (procurador)

 

Comissão de  "brasileiros" maçons que dirigiu a construção do Hospital de Fafe e a aplicação de fundos recolhidos, na comunidade de fafenses do Rio de Janeiro  Brasil

 

Lúcia Sanson, neta do Barão de Oliveira e Castro no Pavimento em mosaico de quadrados pretos e brancos no átrio exterior da Sociedade Portuguesa de Beneficência - Rio de Janeiro, com grande significado maçom.

 

Um conjunto significativo de símbolos identificáveis com  a Maçonaria, existentes, tanto em Fafe, como no Brasil, levou-nos a concluir que grande parte dos emigrantes no Brasil foi aprendiz, oficial ou Mestre nas lojas maçónicas do Rio, associado ou dirigente das beneficências e dos clubes de leitura das cidades brasileiras e, alguns deles, por serem senhores de grande fortuna, participaram, generosamente, das iniciativas filantrópicas.

 

Sabemos que as primeiras iniciativas da administração Liberal em Fafe, nomeadamente a construção do Cais da Arcada, em 1838, do Cemitério em 1855 e outras obras de natureza publica, tal como a canalização de água potável para a cidade, a Casa da Cadeia e o planeamento urbano da Feira Velha e do Hospital, têm a marca da presença de emigrantes de retorno.

 

Dos textos deliberativos municipais depreendemos que as mesmas são fortemente inspiradas no idearia civilizador dos Maçons locais.

 

Neste contexto, destacaram o Conselheiro Ferreira de Melo, José António Martins Guimarães, José Florêncio Soares, Manuel António da Cruz, José Alves de Oliveira Bastos, Fortunato de Freitas e Castro, António Dias Gonçalves, Joaquim José Gonçalves de Castro, Francisco Joaquim Teixeira Chaves, Joaquim Magalhães BastosJoaquim José Gonçalves de Castro, José Luís Mendes de Oliveira Castro,  Joaquim Mendes de Oliveira Castro.

 

Em 1858, o retorno a Fafe é absolutamente explicito e, dado que, a grande maioria dos emigrantes, marca a sua chegada com iniciativas económicas, sociais, culturais, políticas e filantrópica, percebendo-se, por isso, qual foi o ciclo emigratório e de retorno das pessoas e dos capitais.

 

Entre 1860 e 1924, contam-se, de entre essas marcas, casas particulares; o Hospital, 1860; Escola de Instrução Pública, Conde Ferreira, 1866; Irmandade de São José ou da Misericórdia, 1862; Escola de Instrução Pública António Joaquim Vieira  Montenegro, Travassós, 1874; Asilos de Inválidos de Santo António, 1906; Companhia de Fiação e Tecidos do Bugio, 1873; Asilo de Infância Desvalida 1877;  Companhia de Fiação e Tecidos de Fafe, 1886; Passeio Público no Jardim do Calvário, 1892; Escolas de Instrução Pública Deolinda Leite, 1892; Igreja Nova de São José, 1895; o Hotel Central e Hotel Fafense, etc.

 

ESPAÇOS  E SÍMBOLO  MAÇONS

 

Nas fachadas, pavimentos, clarabóias, cemitérios e tectos são visíveis algumas das expressões ideológicas dos brasileiros de retorno como integrantes da maçonaria.

 

NA ARQUITECTURA

 

Nas fachadas das casas, onde as três ordens arquitectónicas estão presentes os três graus da loja e nas clarabóias: sabedoria, força e beleza

 

O CEMITÉRIO de Fafe

 

Os túmulos dos membros da Maçonaria de Fafe encontram-se localizados a Norte, no fundo da Avenida principal e ruas adjacentes, em túmulos que se distinguem por apresentarem Bustos encimando altas colunas ou referência simbólicas racionalistas, como obeliscos, expressando a liberdade de pensamento, de independência da razão..

 

Os membros da Irmandade Maçónica situam-se no lado Norte do cemitério a em distintos lugares, correspondendo, cada uma das posições, a distintas significações simbólicos dos pontos cardiais e colaterais da rosa-dos-ventos.

 

A ESTRUTURAÇÃO DA PRAÇA DA QUEIMADA - ACTUAL JOSÉ FLORÊNCIO SOARES

 

A Praça José Florêncio  Soares, recebe três edifícios colocados no vértice das três pontas desenhando um figura geométrica triangular e inscrito sobre outra figura geométrica - um quadrado - com evidente significado simbólico  Maçom:

 

Os vértices do  triangulo simbolizam a Fé, Esperança e a Caridade, correspondendo a cada um deles: à Igreja Nova de São José, Fé; o Tribunal, à antiga cadeia/hoje tribunal;  a esperança; ao Hospital de são da misericórdia, a caridade.

 

 O Brasil e o 5 de Outubro de 1910

"Entre 1909 e 1910, as páginas de Ilustração Portuguesa acompanhavam a par e passo todos os importantes acontecimentos do Brasil e relatavam, com orgulho, as movimentações da Armada Brasileira no Rio Tejo.

No dia 1 de Outubro de 1910, atracou no Tejo, em frente ao Palácio das Necessidades, o navio São Paulo, que trazia a bordo o Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil, Marechal Hermes da Fonseca. Dia 3 de Outubro, este foi convidado pelo rei D. Manuel para um jantar em sua honra. Nessa mesma noite, reuniram-se os conspiradores e saíram à rua para estabelecer as posições finais que viriam a dar a vitória à república.

Depois do jantar, Hermes da Fonseca já não recolheu ao seu quarto, encaminhou-se para o seu navio e daí assistiu à revolução que se prolongou por dois dias. Ao seu lado estava o Adamastor que bombardeou o Palácio das Necessidades. Quando neste barco, no dia 5 de Outubro, se hasteava a bandeira verde e rubra o São Paulo respondeu com uma salva de 21 tiros – esta atitude ficou inscrita no diário de bordo como um erro.

Rocha Martins não acreditou em coincidências... e referiu-se à Maçonaria: Hermes da Fonseca era membro desta Ordem e muito respeitado pela Maçonaria Portuguesa. Ou seja, este autor pensou que havia intervenção da Maçonaria e apoio do governo brasileiro perante a Revolução Republicana Portuguesa. Não poderemos agora confirmar esse apoio pois quando nos referimos à preparação de uma conspiração os documentos são raros ou inexistentes.

Já no Brasil, o Apostolado Positivista criticou Hermes da Fonseca por não ter reconhecido imediatamente a República Portuguesa, ao que ele respondeu: "Não podíamos bruscamente romper as óptimas relações com Portugal e muito principalmente nos dois últimos reinados. [...] Não devíamos pois, dar ensejo a que pudessem interpretar de um modo pouco honroso para o nosso país, uma atitude que só nos poderia ser desfavorável". Decorridos todos estes anos não conseguiu este presidente brasileiro escapar a essa possível interpretação."  in O Brasil e o Movimento Republicano Português, 1880-1910. Luísa Maria Gonçalves Teixeira Barbosa

Barbosa, Luísa Maria Gonçalves Teixeira

 

O Compasso é  Símbolo do espírito, do pensamento nas diversas formas de raciocínio, e também do relativo (circulo) dependente do ponto inicial (absoluto). Os círculos traçados com o compasso representam as próprias lojas maçónicas ou o Universo

 Maçónico.

 

Malhete - pequeno martelo, emblema da vontade activa, do trabalho e da força material; instrumento de direcção, poder e autoridade.

 

 

Pedra Bruta - Símbolo das imperfeições do espírito que o Maçom deve procurar corrigir e também da liberdade total do aprendiz e do Maçom em geral. Simboliza o caminho inicial na preparação Maçom, aperfeiçoando a sua conduta através de uma luta contra as naturais propensões, transformando-se num cubo perfeito a rude pedra de cantaria da sua própria natureza. 

 

 

Os três pontos são um Símbolo com várias interpretações, aliás conciliáveis: a fé, esperança e caridade; liberdade, igualdade e fraternidade; luz, trevas e tempo; passado, presente e futuro; sabedoria, força e beleza; nascimento, vida e morte.

 

 

 

O "Leão" é símbolo do poder omnipotente que ergue a alma regenerada e cheia de fé até à união suprema.