A sociedade

Miguel Monteiro (1996),

Migrantes, Emigrantes e Brasileiros,

Territórios, itinerários e trajectórias,

Braga, Universidade do Minho

 

Dos inícios da Baixa Idade Média sabemos que foi senhor de um antigo solar (provavelmente na Luz, a freguesia de Fornelos) D. Fafes (Godins), o Luz, (de Lanhoso) «bom rico homem e alferes do Conde D. Henrique, filho de D.Godinho Fafes, (de Lanhoso), "o que edificou Fonte de Arcada, e a coutou" e neto de D. Fafes Serracins, de Lanhoso "De onde vem os Godinhos que vem do nobilíssimo sangue dos Godos", conde e "bom rico homem", e morreu com grão peça de cavaleiros quando lidou El rey D. Garcia de Portugal com El rey D. Sancho (II) de Castela».[44]

A igreja Matriz de Fafe, localizada no Assento, parece ligar-se às origens medievais da freguesia de Fafe, dado que na descendência dos Fafes, encontramos, no Livro Antigo de Linhagens, duas personagens ilustres: «D. Ermígio Fafes, (de Lanhoso), abade de Refojos de Basto; D. Egas Fafes, (de Lanhoso), arcediago de Braga em 1245, bispo de Coimbra» (1247-1267) e arcebispo eleito de Santiago de Compostela (18/12/1267). [45]

D. Egas Fafes morreu em Montpellieu, encontrando-se sepultado em túmulo com estátua jacente, na Capela de Santa Clara, da Sé Velha de Coimbra, que ele mandara construir.

Não existem estudos sobre a estrutura social local do século XVIII, ou mesmo sobre as famílias ilustres e nobilitadas

Sabemos que, em 1736, são referidas algumas: «dos Magalhães, Coelhos, Rebelos e Araújos e da existência de uma família de brasão cuja genealogia se encontra na agregação de vários ramos dos Sousas, Homens, Sylvas, Teles e Menezes. (...) O doutor Pedro de Sousa, natural de Estoraõs, insigne lente em medicina na Universidade de Coimbra e a existência, só na freguesia de Fafe de cinco religiosos, vinte e dois clérigos e cinco bachareis formados em direito. (...)

A família mais ilustre com residência no concelho era a família dos Maias, antigo e imemorável apelido, cujo chefe era Manuel Gonçalves da Maia e Vasconcelos Coelho, cavaleiro professo da ordem de Cristo, capitão-mor das ordenanças do concelho de Montelongo e do Couto de Pedraído, (...) era 13º titular do morgadio da Abelheira em Santo Estevão de Geraz (...) administrador  dos rendimentos da capela de Nossa Senhorado Socorro, senhor de vários açudes, moinhos e pescarias junto da Foz Velha e Pouco Peixe e proprietário do ofício de escrivão da Câmara do Concelho."[46]

 

 

 

 

 

44]   Norton, Manuel Artur, Livro Antigo de Linhagens - Achegas para a sua coordenação, Lisboa, Instituto Superior de Heráldica,  1974, pp. 45.48

[45]   Idem, ibidem

[46]   Borralheiro, Rogério, Nas Origens do Concelho de Fafe. O Discurso Fundados do Pároco de Santa Eulália de Fafe em 1736, Actas das Primeiras Jornadas de História Local, Câmara Municipal de Fafe, Fafe, 1996, pp. 202 e203

 

Miguel Monteiro