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Sabe-se pouco da vida do benemérito de Revelhe, Sr. Olímpio Mendes de Oliveira e de sua esposa, D. Alzira Mendes de Oliveira. A este e a um seu irmão se deve o grande melhoramento da estrada de Medelo a Revelhe[1].
Olímpio era natural de Revelhe e emigrou muito novo para o Brasil. Aí fez fortuna. Foi muito estimado este comerciante no Rio de Janeiro.
Tendo já uma boa fortuna, preparou-se e mandou construir uma escola em Revelhe, a expensas suas.
O início das obras ocorreu em Agosto de 1936, e oferecida à Câmara no mesmo ano, tendo a edilidade assumido a responsabilidade do fornecimento do mobiliário e material indispensável para o ensino [2].
Em 19 de Janeiro de 1937 foi vistoriada para se certificar se reunia as condições para ser doada ao Estado. Vistoriou-a um engenheiro, acompanhado pelo Delegado da Inspecção Escolar Sr professor António Joaquim Teixeira.
O novo edifício escolar, para ambos os sexos, sem grandes aparatos arquitectónicos, mas obedecendo às necessidades e condições de higiene da moderna pedagogia, é amplo, higiénico e bem situado.
Veio preencher uma lacuna na freguesia, pois a casa onde funcionava a escola, além de ser da autoridade eclesiástica, não reunia as mínimas condições para tal fim.
Referem as notícias daquela época que o Sr. Olímpio soube dar uma boa lição aos bafejados pela sorte e pela fortuna. Conhecendo bem a velha escola, resolveu mandar construir uma de raiz para o ensino primário, e perpetuar a sua memória. O mobiliário foi fornecido a expensas da Câmara. Com o seu gesto, este lídimo representante da fidalguia trabalhadora, conquistou uma falange de admiradores.
A inauguração da escola ocorreu no dia 7 de Novembro de 1937. As autoridades presentes foram recebidas pela distinta professora D. Emília Barros Silva, pelo padre José Fernando da Rocha e pelo regedor Sr. António Freitas Oliveira.
O doador tinha nascido numa casa solarenga, e o juntório foi junto dela. O homenageado estava no Brasil. O cortejo até à escola foi anunciado com foguetes e com a música da Banda de Revelhe.
Tudo estava enfeitado e embandeirado. O muito povo presente deu vivas e manifestou alegria pelo evento.
As autoridades do concelho estavam quase todas lá presentes e dando nobreza ao acto. Os discursos enalteceram o Sr. Olímpio e a sua mulher D. Alzira, e também o Estado Novo.
No fim das cerimónias serviu-se um porto-de-honra num salão da escola. Levantaram-se taças e brindaram. Foi ainda muito enaltecida a Sra. professora D. Emília pela forma como preparou e apresentou a Mocidade Portuguesa.
As crianças da escola enviaram para o Rio de Janeiro, aos beneméritos, uma mensagem, em telegrama, com estes versos: “Saudação
Ao Exmo. Olímpio Mendes Oliveira e Exma. Esposa Bem haja o vosso carinho Pela instrução das crianças, Que tem nas almas um ninho De risonhas esperanças.
Cada qual de nós espera Um futuro alcançar, Mas ele será quimera Se a instrução não nos guiar.” (...) [3]
O terreno onde foi implantado o novo edifício tinha sido oferecido pelo Sr. António Mendes de Oliveira Ramalho, genro do benemérito.
Acto de doação ao Estado
Como noutros casos, o Sr. Olímpio não estava presente nas cerimónias de inauguração. Para o acto passara uma procuração a quem o poderia representar dignamente. Fê-lo na pessoa do seu solicitador. Da escritura de doação ao Estado extraíram-se os elementos que se apresentam a seguir:
Data da escritura – 18 de Junho de 1937,
Procurador – João Lopes, solicitador,
Doador – Olímpio Mendes Oliveira e esposa D. Alzira Mendes,
Morada dos doadores – Rio de Janeiro, Estados Unidos do Brasil,
Representante do Estado, e Ministério da Educação Nacional – Manuel Joaquim de Boaventura, Director do Distrito Escolar de Braga, Bem doado – Doa ao Estado o edifício escolar que os doadores mandaram construir a expensas suas, em terreno de mato situado no lugar do Assento, Revelhe, confrontando a nascente com João Cunha e dos restantes lados com António Mendes Oliveira Ramalho,
Suporte legislativo – Doação feita ao abrigo do artº 16 do dec. Nº 19531 do Diário do governo nº 74, 1ª série de 30 de Março de 1931,
Condição da doação – Indicou para professora desta escola Ana Lídia de Freitas Saldanha, da vila de Fafe,
Doação sem reservas – Transferiu para o Estado todo o direito, acção, domínio e posse, que os seus proprietários tinham sobre o prédio doado.
Aceitação – O segundo outorgante, em nome do Estado, aceita a doação.
Numa folha de “Cadastro dos Bens do Domínio Privado” de 12 de Janeiro de 1954, da Direcção Escolar de Braga, lê-se que o edifício tem uma área coberta de 254 metros quadrados, e de terreno destinado a recreio, a superfície de 412 metros quadrados.
Artur Leite
1] - Monteiro Miguel, Fafe dos Brasileiros, 1991 página 248. [2] - Acta da Câmara de 8 de Agosto de 1936.
[3 - Jornal “Voz de Fafe”, 13 de Novembro de 1937
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