A CASA DO BRASILEIRO DE TORNA -VIAGEM

(...) Mas nestas terras não há ninguém a que se possa recorrer numa pressa e que tenha dois dedos de entendimento. São todos mais brutinhos uns que outros. Quantas vezes não torço a orelha. Vai em doze anos que aqui cheguei e, em matéria de progresso, estas terras andam para trás como o caranguejo.

Médico, só na vila, estrada, a 15 km; água, de chafurdo; pão, moído por mós  de pedra boeira que deixam na farinha a areia esmigalhada.

A gente vive nestas serranias como lobos. Já tenho dito à minha senhora: Carlota, vamo-nos daqui! Mas, ela gosta da parvalheira, foi-lhe berço, tem cá os seus, e eu não quero contrariá-la.

Também já era tarde; estou no fim da vida; quem me mandou a mim enterrar-me nestes barrocais? Nem quero pensar, meu abade, no dinheirão que investi em águas, paredes, calços, mais uma belga que comprei a este, mais uma mata àquele. Já lá vai um par de vinténs!.»

(Aquilino Ribeiro, Tombo no Inferno e O Manto de Nossa Senhora)

 

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A arquitectura do «Brasileiro» gravita em torno de formas sincréticas. Desta forma, os Trópicos se fazem presentes na arquitectura de Portugal, assim como a louça da Índia, nos século anteriores, impregnou de asiatismos a louça coimbrã ou portuense. Toda uma lição viva de contactos culturais, emerge, portanto, dessas vivendas (...),  em que se aninham os portugueses de torna-viagem» (Guilhermino Cesar)

 

Conde de Sucena- Agueda