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O MEGALITISMO PRIMEIRAS MARCAS DE CIVILIZAÇÃO DO HOMEM DE MONTELONGO
Imaginemos os primeiros habitantes de Monte Longo, percorrendo os territórios de Gontim, (Chão do Fojo); Freitas, (Monte de Penas Aldas); Aboim, (Núcleo Norte de Aboim ... Monte da Amieira, Extremo dos Caminhos e Núcleo Sul de Aboim - Lagoa, Penedos Pintos); Gontim (Chão do Fojo, Val d'Anta e Chã); Varzea-Cova, (Pedra Sentada); Moreira, (Núcleo do Monte das Almas); São Gens, (São Frutuoso); Cepães, (Monte de São Jorge); Fornelos, (Núcleo do Monte dos Fornos); Medelo, (Núcleo do Monte das Antas); Estorãos, (Coutada do Professor); Passos, (Outeiro das Corças); Travassós, (Monte de Santa Marinha, Poços Salgueiros); Freitas, (Monte de Penas Aldas); Monte, (Núcleo de Argande); Pedraído, (Núcleo de Pedraído); Felgueiras, (povoado de Alto das Casinhas), atribuindo a estes seus domínios e percursos designações e vivências que não conhecemos totalmente.
Aí encontramos os vestígios tumulares dos primeiros senhores deste vasto território sem fronteiras, como que donos também do tempo.
É na arquitectura tumular, na simbologia das marcas rupestres e nas esculturas antropomórficas (estátuas-menhires) onde encontramos, certamente, as ainda indecifráveis preocupações desses povos primitivos da pré-história.
Os monumentos funerários e os símbolos gravados na pedra, foram construídos e desenhados por uma população que praticava uma primitiva actividade agrária e a pastorícia de transumância, principais fontes da sua subsistência.
A saúde das suas populações e seus rendimentos eram já suficientes para dedicar, parte do seu tempo e mão-de-obra disponível, à construção destes monumentos dedicados à morte e aos 'deuses', deixando marcada a paisagem com as construções tumulares e a elas dedicaram o seu principal sentido de existência e perenidade.
Os Túmulos megalíticos existentes no concelho identificados pelo Dr. Henrique Regalo numa prospecção realizada no âmbito da Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho e ainda a identificação de quatro Antas pelo Dr. Arlindo Vaz Marques, são o testemunho de um povo que se expressou através de uma admirável arquitectura dolménica.
A palavra Dolmem deriva das palavras do baixo bretão dol , "mesa", e men, "pedra". As populações locais chamaram, a estas protuberâncias artificiais do terreno, em forma de mama e com dimensões muito variáveis, mamoas, as quais são perceptíveis em muitos outros topónimos locais: Lugar das Antas, Monte dos Fornos, Chão das Antas, Anta, Arca da Lapa, Penedo da Orca, Antadega, Monte das Antas, Prelada, Penedo da Pala, Antinha, Antela, Mamunhas, Arcas, ...
Com o decorrer do tempo, as chuvas foram arrastando a terra que cobria a cripta dos dolmens, deixando a descoberto a estrutura da sua construção, composta por 6, 7 ou 9 esteios verticais.
Estes definiam um espaço poligonal, formando uma câmara onde se faziam os enterramentos dos mortos, fechada na parte superior por uma grande lage circular e, um prolongamento lateral de entrada ou galeria, assemelhando-se a sua forma a um grande forno, que passou, em muitos casos, a serem utilizados, pelos pastores, como abrigo de montanha.
A grande dimensão das pedras «megálitos» usadas levou a que se designasse de «Megalitismo» a civilização representada por estas construções.
Pertencem ao conjunto das construções megalíticas os menhires (simples monolíticos erguidos verticalmente), os alinhamentos (séries de menhires, dispostos em linhas rectas ou sinuosas), os cromleches, (vários monólitos dispostos em círculo) e os dolmens.
Os menhires são muito raros em Portugal, no entanto, encontramos referências, em textos do século XIX, à existência de um menhir em Cepães já destruído.
No lugar da Bouça do Castanhal, freguesia de São Gens, foi identificada uma necrópole, constituída por cerca de sete sepulturas visíveis, em forma de caixa quadrangular feitas de lages, com tampa de pedra.
Este tipo de sepulturas tem a designação de cistas, e antelas como denominação popular, constituindo estas construções o produto da natural evolução dos domens, ao longo do neolítico.
Os dolmens, por sua vez, existem em grande quantidade em Portugal, e também no território concelhio, distribuindo-se por uma vasta área que acompanha as zonas costeiras da Europa mediterrânica e atlântica, do mar do Norte e do atlântico e do Báltico, no norte de África, no Cáucaso, na Síria, na Pérsia...tratando-se, por isso, de uma civilização litoral e, portando, difundida por via marítima.
«Em Portugal [...], alguns túmulos megalíticos parecem ser genericamente pré-metálicos [...] apesar dos numerosos instrumentos de pedra, o espólio funerário pertence explicitamente à Idade do Cobre, enquanto que durante a Idade do Bronze os enterros colectivos em câmaras tumulares deixaram de ser prática corrente.»1
Situaremos assim a construção destes monumentos por volta do quarto milénio antes de Cristo.
Destes longínquos tempos restaram, para além destes monumentos, os instrumentos de uso como: enxós, goivas, pontas de seta, facas, machados, e outros instrumentos de pedra, o que não chega, contudo, para conhecer todos os seus hábitos, dimensão das áreas utilizadas e processos de gestão dos espaços, estrutura das habitações, organização social, crenças e ritualizações do sagrado e do quotidiano.
Os monumentos funerários aqui referenciados situam-se em estratégicos lugares, que nos levam a fazer sobre eles algumas considerações.
Os sítios escolhidos para implantarem as suas construções sepulcrais, únicos vestígios edificados que nos restam desses povos, correspondem a zonas que apresentam uma grande quantidade de água à superfície do solo durante todo o ano, propício a culturas agrícolas episódicas e principalmente à pastorícia, caracterizando-se, também, por serem espaços abertos em plataformas de altitude variável, onde estes habitantes teriam as suas provisórias habitações e dominavam, com alguma facilidade, um vasto território envolvente.
A geografia de Fafe apresenta condições privilegiadas para a instalação de povos pré-históricos.
Isto é, possui um planalto de altitude que circunda o concelho onde nascem os rios Vizela, Ferro e Bugio e seus pequenos afluentes e, as plataformas de baixa altitude situadas no centro do território concelhio cercadas por aqueles rios e ribeiras.
A caça e a pesca, além dos cereais cultivados e dos produtos pecuários, bem como os frutos silvestres constituíam as riquezas alimentares destas populações, através dos quais se poderá imaginar algum do seu quotidiano.
Estes primeiros agricultores, encontraram nestes solos arenosos da montanha, designadas por chãs, o local adequado para iniciarem as primeiras práticas agrícolas, tendo em conta a fragilidade dos seus primitivos instrumentos de trabalho de agrário.
Estamos nos primeiros espaços humanizados do concelho, onde se instalaram a primitivas e frágeis estruturas habitacionais dos primeiros habitantes do concelho. O único testemunho conhecido destes nossos antepassados é o Vaso Campaniforme do Vargo, Gontim, dado que ainda não foi festa a escavação arqueológica dos monumentos referidos.
Olhando-se para a encosta e para os vales, só muito mais tarde desbravados para uso agrícola, cujo processo terá acontecido apenas com a construção dos povoados castrejo.
Porque somos incapazes de uma articulada relação com este passado tão distante, fomos perdendo a leitura adequada dos muitos vestígios e simbologias que nos restam na memória dos tempos, e de outros marcas rupestres existentes em algumas as freguesias do concelho, com múltiplas formas e aspectos:
desenhos de ferraduras, pegadas, covinhas (fossettes), labirintos desenhados na superfície de penedos, como os que ainda podemos ver no Monte de São Jorge (Fafe), Monte de Santinhos (Quinchães), Penedo da Pala (São Gens), Penedo do Siguelo (Povoação), o Penedo do Azeite (Silvares), Penedos Pintos (Lagoa e Povoação), Alto dos Castelos (Moreira), Chão do Fojo (Gontim), Morgair e Merouço (Gontim), Monte das Penas Aldas (Freitas).
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