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José Florêncio Soares
José Florêncio Soares era filho de
Miguel
António Soares,
Médico cirurgião, proprietário e de Maria Joaquina Gonçalves Moreira,
nascida a 21-04-1782.
O seu pai foi médico cirurgião dos expostos e,
pela sua profissão, estava colectado em 2$000 réis, morador na Rua de
Cima. Pelas suas casas pagava $200 réis e pelo que possuía no lugar de
Pardelhas pagava $150 réis de décima, em 1881.
Integrou a comissão local da
construção
do Hospital de São José, de Fafe,
para aplicação de fundos
recolhidos no Rio de Janeiro.
José
Florêncio Soares (4/3/1824)- emigrou para o Brasil em 20/10/1837, com
13 anos de idade.
Casou aí com
Maria Teresa da Costa, natural do Rio de Janeiro, Estados Unidos do
Brasil, filha de Domingos José da Costa, português e natural de
Oliveira de Azeméis e de Senhorinha Zesuina da Silva, natural de Minas
Gerais.
Em 1859 já
tinha regressado definitivamente a Fafe onde é um dos 40 maiores
proprietários com a contribuição de 27$619 réis para efeitos de
elegibilidade a deputado definido pelo decreto-lei de 30/9/1852.
Em 1872/73,
reside no lugar do Santo, Fafe, colectado com a contribuição para o
Estado de 62$065 e para o Município e expostos, 15$490 réis.
Em 1881, no
recenseamento eleitoral é dado como residente na Rua Municipal,
proprietário, casado, com 56 anos de idade, alfabetizado, com a
contribuição de 9$838 réis, e legível a Deputado, ao Município e à
Paróquia.
Com menos de quarenta anos de idade é proprietário de um dos mais
notáveis palácios de «Brasileiro» de Fafe, datado de 1861,
sócio fundador da Fábrica do Bugio (17/9/1873),
em São Martinho de Silvares, Fafe, vindo a ser o único proprietário
desta Fábrica a partir de 1894.
Administrador do Concelho, Presidente da Câmara, nomeadamente em 1889,
destacado benemérito e um dos fundadores do Hospital da Misericórdia,
inaugurado em 19/3/1863 e da construção da Igreja Nova de São José,
iniciada em 25/2/1895.
“Foi Vogal
do Concelho Municipal em 1860, 1861,1862, 1863, 1868, 1869, 1870 e
1871. Foi Vereador da Câmara da Câmara e Provedor do Hospital em 1873,
ano em que fundou a Fábrica do Bugio, tornando-se pioneiro da
indústria em Fafe. Foi provedor do Hospital também em 1871,
1872, 1875, 1876, 1877, 1878, 1880 e 1881.
Foi Administrador do Concelho em 1893 e Presidente da Câmara em 1887,
1888, 1889, 1893, 1894 e 1895, contribuindo para a abertura de ruas e
para o abastecimento de água à Vila e ao Jardim do Calvário, tendo
mandado construir um reservatório de águas potáveis.»
Faleceu em Fafe no dia
1 de Abril de 1900, tendo
mandado
gravar ainda em vida a lápide funerária:
«Jazigo da Família de José Florêncio Soares
1899»,
em mais um gesto
de
Maçom
Do testamento:
No seu testamento lavrado a
4/4/1899, declara ser viúvo e institui como seus herdeiros: o seu
filho, José Florêncio Soares Júnior, o seu irmão Dr. José Maria Soares
e Castro e em terceiro lugar, Manuel Carlos Rodrigues Alves,
comerciante na cidade do Porto, casado com a sua sobrinha Constança
Lobo, deixando aos dois últimos um conto de réis em moeda corrente.
Sobre o seu funeral,
determina que este seja feito segundo a vontade do seu primeiro
testamenteiro, mas sujeito às seguintes condições: ser feito sem
convites nem pompas, proibindo expressamente o oferecimento de coroas
e armações em casa e na igreja e sem a publicação na imprensa do
seu testamento.
Deveriam ser ditas dez missas
em sua alma e dez pela alma dos seus pais, sogros e parentes já
falecidos, ditas em altar privilegiado e dando-se esmola de mil réis
por cada uma.
Deixa a Rosalina Esteves,
solteira, o usufruto de cinco contos de réis e aos três filhos menores
desta, cinco contos de réis para cada um, num total de vinte contos de
réis pagos em três prestações, contados entre seis meses após a
sua morte e três anos.
Uma prestação mensal de vinte
e cinco mil réis pagos durante dois anos, nos dias quinze de cada mês.
A forma de pagamento e processo definidos em testamentos, relativos a
Rosalina Esteves e seus filhos, ficariam condicionados à prestação de
contas à Administração do Concelho.
Deixa à irmã Rosa a pensão
mensal de dez mil réis, enquanto for viva, e depois desta falecer,
deixa à sua criada Maria Rainha, cinco mil réis mensais, também
enquanto for viva. Deixa a Bernardino Monteiro, caixeiro da sua já
falecida irmã Felicidade, cem mil réis.
Aos empregados do seu
escritório são deixados ordenados dobrados do mês em que falecer. Aos
empregados da fábrica, ordenados dobrados do mês em que falecer. Aos
operários da fábrica, o jornal de seis dias, conforme o que ganham, o
qual será pago no mês do falecimento. Deixa aos criados e criadas que
estiverem ao seu serviço, no dia do sua morte, soldadas dobradas
relativamente ao que ganhariam naquele ano.
É instituído como único e
universal herdeiro e do remanescente da sua terça, o seu filho, Dr.
José Florêncio Soares Júnior, ficando este obrigado ao cumprimento das
disposições testamentárias, todos os legados pagos e livres de
contribuição e quaisquer outros encargos.
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