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O Ouro e a prata presentes nos relógios de excelência, nas jóias decorativas e de adorno pessoal e doméstico, bem como os objectos doadas às confrarias e às misericórdias, constituem na personagem do «Brasileiro" o indicador público maior do sucesso do emigrante.
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«Águeda mal o viu, tão fidalgo nos seus anéis de brilhantes, no relógio de bracelete de oiro, nos sapatos de calf, no fato de lã fina como as teias de aranha, passou à adoração plena (...)" (Aquilino Ribeiro, Mina de Diamantes)
Nos dias santificados, passeava sua esposa, uma senhora dotada de gorduras carminadas, e arquejando debaixo do peso dos grilhões de ouro que lhe bamboavam sobre o promontório dos seios. adivinhava-se ali um passado de fressuras e mãozinhas de carneiro ricas de açafrão» (Camilo Castelo Branco, Os Brilhantes do Brasileiro)
«Grosso, trigueiro com tons de chocolate, pança ricaça, joanetes nos pés, colecte e grilhão de oiro, chapéu sobre a nuca, guarda-sol verde, a vozinha adocicada, olho desconfiado, e um vício secreto. Queirós, Eça de, O brasileiro, Uma Campanha Alegre (de «As farpas»)
« (...) João de Barros compreendeu a importância de mostrar em Portugal o que era o Brasil real de (diferente de Brasil caricaturado no «brasileiro», no minhoto enriquecido que volta à terra de chapéu panamá, calças brancas e corrente de relógio atravessado no ventre» Ribeiro Couto, Sentimento Lusitano
«O Oiro do Brasil fazia parte da tradição e tinha o prestígio duma lenda entre os espíritos rudes e simples. Viam-no reflorir nas igrejas, nos palacetes, nas escolas, nas pontes e nas estradas novas que os homens enriquecidos na outra margem do atlântico mandavam executar. Viam-no erguer-se, refulgente, ofuscante, em moedas do tamanho do sol ao fundir-se na linha do horizonte, precisamente para os lados onde devia ficar o país maravilhoso. E nenhuma esperança de grande prosperidade havia que não fosse cimentada com esse oiro que lá longe brotava, ininterruptamente. Registavam-se até desalentos, pouca perseverança no trabalho da terra nativa, porque ninguém tinha fé, ninguém, em que esta viesse a compensar desgostos e canseiras. Palavra mágica, o Brasil exercia ali um sortilégio e só a sua evocação era motivo de visões esplendorosas, de opulências deslumbrantes e vidas liberadas. Sujeitos ao ganha-pão diário, sofrendo existência mesquinha, os lugarejos sonhavam redimir-se, desde as veigas em flor ao dorso das serranias, pelo oiro conquistado no país distante. Aquela ideia residia dentro do peito de cada homem e era orgulho implacável até nos sentimentos dos mais agarrados ao terrunho. Vinha já dos bisavós, de mais longe ainda; coisa que se herdava e legava, arrastando-se pela vida fora como um peso inquietante. Todas as gerações nasciam já com aquela aspiração, que se fazia incómoda quando não se realizava. Acocorava-se no canto da alma, como talismã, usável em momentos de desafio à sorte, ou como um bordão, para os instantes de soluções desesperadas» (Ferreira de Castro, Emigrantes)
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Miguel Monteiro (Coordenador ) |