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António Lopes
Destino de Emigração:
Rio de Janeiro
Data
da Construção: 1903
Lugar/Rua: Povoa de Lanhos
Concelho:Povoa de Lanhos
Tipologia:
Estado
de Conservação: muito bom
Actual
Proprietário: Misericórdia
O Hospital António Lopes foi fundado há quase 87 anos. A abertura
oficial foi no dia 17 de Setembro de 1917, cuja construção iniciara em
1913; no dia 26 de Março de 1957 foi concluída a remodelação iniciada
dez anos antes. Em 1975 foi oficializado o nome do fundador António
Lopes;
Criação da Misericórdia
serviu para assegurar futuro do Hospital
A fundação da Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de
Lanhoso está intimamente ligada ao Hospital António Lopes.
A criação da Misericórdia surgiu da vontade de António Lopes,
manifestada em testamento, em assegurar o futuro do hospital. «Chegada a
hora final de António Lopes, ele mesmo quis prover o futuro do Hospital,
fazendo um Testamento Monumental, e confiando o encargo da Perenidade a
uma Associação que, para esse fim, legalmente se constituísse», escreve
o padre Magalhães dos Santos no seu livro “Monografia da Póvoa de
Lanhoso – Nossa Senhora do Amparo”.
O mesmo autor conta que enquanto viveu, António Lopes «aguentou sozinho
o governo e a despesa do seu hospital». Por isso, decidiu apontar o
caminho a seguir no futuro.
Um ano depois da morte do fundador do Hospital, um grupo de amigos
juntou-se aos testamenteiros — nomeadamente Albino Lopes e João Bastos
seus sobrinhos — e fundaram a Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de
Lanhoso a 22 de Dezembro de 1928, precisamente um ano depois da morte de
António Lopes. «Desta forma não foram só lágrimas e saudade, foi também
vida nova e alegria, como fruto generoso deixado pelo fundador», nota
Magalhães dos Santos.
O padre Magalhães dos Santos refere na sua obra que a preocupação dos
fundadores da Misericórdia foi, primeiro, cumprir a vontade manifestada
por António Lopes no seu testamento e, segundo, «dar vida à fundação que
organizaram levando-a a alcançar a sua finalidade».
A Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de Lanhoso passou a marcar o
concelho tanto ao nível social, como cultural e até religioso.
Os primeiros estatutos da Misericórdia e Hospital António Lopes deixavam
claro que a missão da instituição era a prática da assistência social e
beneficência pública. «Como instituição de assistência privada, a
Irmandade obriga-se a prestar, além dos hospitalares, todos os serviços
de assistência concelhia», dizia um dos artigos dos estatutos.
O primeiro provedor
Depois de formalizada a Misericórdia, foi constituída a primeira mesa
administrativa e começaram a ser admitidos os irmãos.
O primeiro provedor foi Arlindo Lopes, sobrinho do fundador do hospital,
que esteve sete anos à frente da instituição. Arlindo Lopes foi um dos
grandes herdeiros de António Lopes e, «como o tio, depois, o grande
benfeitor e muito ignorado ou esquecido na Póvoa de Lanhoso», afirma
Magalhães dos Santos.
O autor da “Monografia da Póvoa de Lanhoso — Nossa Senhora do Amparo”
refere que Arlindo Lopes «aguentou uma luta heroicamente, para defender
a obra de seu tio e transmiti-la à posteridade».
Arlindo Lopes esteve estabelecido no Rio de Janeiro. Aos 32 anos,
decidiu voltar para a terra de seus pais e fixar-se na Póvoa de Lanhoso.
Foi nesta localidade que casou com Maria Antunes Guimarães, consumando a
«junção das duas famílias mais afortunadas do concelho».
Aquele que foi o primeiro provedor da Misericórdia da Póvoa de Lanhoso
esteve ainda à frente da direcção dos bombeiros locais. «Aguentou coisas
impossíveis de tragar, inclusive a extinção da corporação por
determinação do Governo Civil e permaneceu, como bom comandante, até à
reanimação da mesma», escreve Magalhães dos Santos na revista “Santa
Causa Povoense”, de Março de 1998.
Depois de sair da Misericórdia, os destinos da instituição ficaram a
cargo do padre José António Dias, que fundou o Asilo de José. Ao segundo
provedor «coube a administração calma e política da instituição». José
Dias angariou fundos para diversas obras, entre elas a grande
remodelação do hospital iniciada em 1947 e concluída apenas em 1957.
De referir que a mesa administrativa da Misericórdia aproveitou o 18.º
aniversário do Hospital para inaugurar um busto de António Lopes
colocado na frontaria do edifício hospitalar.
Diário do Minho, Braga3[01/07/2004 - 10:33] [Francisco de Assis e Marta
Encarnação]
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