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O Hospital de São José ou da Misericórdia de Fafe
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Miguel Monteiro |
O edifício do Hospital de Fafe deve a sua construção ao financiamento dos “Brasileiros de Torna – Viagem”, e emigrantes no Brasil, sendo uma réplica arquitectónica de outro, existente no Rio de Janeiro e propriedade da Sociedade Portuguesa de Beneficência dessa cidade, com estatutos aprovados em sessão da Assembleia geral de 17 de Maio de 1840. Um grupo de emigrantes residentes na cidade do Rio de Janeiro decidiu, em 8 de Abril de 1858, promover a construção, na Vila de Fafe, de um Hospital de Caridade. Em 6 de Janeiro de 1859 foi inaugurada o lançamento da primeira pedra e, em 19 de Março de 1863 é inaugurada a primeira fase de construção.
A Irmandade de São José ou da Misericórdia foi fundada em 23 de Março de 1862, com a finalidade de o administrar, conforme o que estava determinado pelo comissão de donatários e fundadores.
A construção do hospital de São José da Misericórdia de Fafe é iniciada quatro meses depois da inauguração do Hospital Beneficência do Rio de Janeiro, inaugurado no dia 16 de Setembro de 1858, constituindo o de Fafe uma replica quase fiel A construção do Hospital de Fafe, além de ser uma cópia do edifício brasileiro, constitui mais uma demonstração da estreita ligação e vínculos da comunidade dos ausentes no Rio de Janeiro, com os residentes na Vila de Fafe. Comissão de Fafenses fundadores do Hospital de Caridade de Fafe reuniu no dia 8 de Abril de 1858, na cidade do Rio de Janeiro, sendo constituída por: António Gonçalves Guimarães (Presidente), Fortunato de Freitas e Castro (Vice Presidente, Bernardo Ribeiro de Freitas (primeiro secretário), Albino de Oliveira Guimarães (segundo secretário), José António Vieira de Castro (tesoureiro), Luís António Rebelo de Castro (procurador), tendo este nomeado outra Comissão em Fafe formado por: Doutor Florêncio Ribeiro da Silva (Presidente), António José Leite Lage (Vice Presidente), José Florêncio Soares (Secretário), Miguel António Monteiro de Campos (Tesoureiro).
Uma das condições de execução da acta fundadora do hospital de Fafe determinou que a mesma nomeasse, em Fafe, outra comissão que tinha de proceder à edificação do Hospital os senhores: Doutor Florêncio Ribeiro da Silva, António José Leite Lage, José Florêncio Soares e Miguel António Monteiro de Campos .
«Foram seus fundadores José Florêncio Soares e outros negociantes estabelecidos no Brasil. A sua receita ordinária é de 829$772 réis e a extraordinária de 432$364 réis. A despesa obrigatória é de 776$472 réis, e a facultativa 3799$114. Ainda são precisos 16 contos de réis para a conclusão deste estabelecimento de caridade, que nos primeiros três anos já tratou 210 doentes. [...]. Em Janeiro de 1874, faleceu em Lisboa, António Joaquim Vieira Montenegro, que foi rico negociante, no Brasil. Era Natural de Travassós, deste concelho. Deixou ao Hospital de Fafe, 2 dois contos de réis fortes»[1] [1] Leal, Augusto Soares Barbosa de Pinho, Portugal Antigo e Moderno, Vol. III, Lisboa, Livraria Editora de Matos, Lisboa, 1874, p.133
A inauguração foi celebrada com pompa e que o jornal do Comércio do Porto deu a notícia: «Abre-se Quinta Feira em Fafe a parte do hospital que se acha feita e com capacidade para receber nove doentes. Este estabelecimento de caridade deve-se aos esforços de alguns cavalheiros de Fafe e muito particularmente ao Sr. José Florêncio, que tem sido incansável em promover os meios para levar a efeito um tão útil como humanitário estabelecimento. [...] Na Quinta Feira à noite dá o Sr. Florêncio, distinto cavalheiro de Fafe, um esplêndido baile. A casa do Sr. Florêncio é das mais lindas da Fafe e o salão de baile é magnífico»[1] [1] «O Comércio do Porto», Porto, 21/3/1863
Provedor - o Sr. José Alves de Oliveira Bastos [Brasileiro]. Fiscal - O Sr. Abel Vieira Campos de Carvalho.
Mordomos - Os Srs.
Padre Augusto César de Carvalho, António Alves de Freitas, Vicente de
Oliveira e Castro [Brasileiro], Manuel de Oliveira Andrade [Brasileiro], João da
Cunha
Mendes [Brasileiro], Joaquim Francisco da Silva, José António de
Andrade [Brasileiro],
José Mendes da Costa, António Nogueira Mendes [Brasileiro], Francisco de Bastos
Monteiro, Custódio da Costa, e Albino José Rebelo Pereira."[7]
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