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A Fábrica Têxtil do Bugio - ‘ José Florêncio Soares & C.ª, Sucessores
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A Fábrica Têxtil do Bugio - ‘ José Florêncio Soares & C.ª, Sucessores
Data de fundação: 1873 Fundadores: José Florêncio Soares e José Alves de Oliveira Bastos Lugar: Bugio - Fafe
A Fábrica Têxtil do Bugio foi fundada em 1873, por José Florêncio Soares e por José Alves de Oliveira Bastos, emigrantes do Brasil em tempo de retorno definitivo.
“Foi em 17 de Setembro de 1873 que se constituiu, sob a forma de Parceria Mercantil, a sociedade destinada à montagem e exploração da fábrica, datando de 1875 os primeiros estudos para aproveitamento do rio Bugio como força motriz e sendo recebido em 1876 o orçamento da turbina e das máquinas de fiação, no valor global de dez mil quinhentos e cinquenta libras.
Forneceu estas máquinas a então reputada firma construtora Hethrington & Sons, de Manchester, competindo a sua difícil montagem ao técnico inglês James Lickfold, que ficou depois na fábrica como mestre de fiação.
A Parceria durou até Março de 1894, ano em que se dissolveu e passou a sua propriedade para o sócio Sr. José Florêncio Soares, como consequência da licitação a que se procedeu nos termos do contrato social.
Desde 1894, a ‘Fábrica do Bugio’ ficou sempre pertencendo ao Sr. José Florêncio Soares e a seus herdeiros e, embora explorada ulteriormente debaixo de diversas firmas, nunca nelas deixou de figurara o nome honrado do ilustre industrial a cujos sacrifícios e esforçada energia directiva deveu toda a sua prosperidade e êxito no mercado interno, onde consolidou uma apreciável posição profissional que, mesmo após a morte daquele seu propulsor, continuou evoluindo ainda com maior brilho e desenvolvimento.
A
actual [1947] firma proprietária, ‘ José Florêncio Soares & C.ª,
Sucessores ’, está constituída desde 1917 e tem como sócio gerente
o Sr. Dr. José Summavielle Soares, neto paterno do Sr. José Florêncio
Soares.
“A Fábrica do Bugio, enquanto pertencente à Parceria Mercantil, limitou a sua actividade somente à indústria de fiação, alimentada por um número reduzido de fusos que abastecia o núcleo vimaranense, mas em 1896 começou a exploara também a industria de tecelagem.
Presentemente [1947] tem instalados onze mil fusos, sendo oito mil, quatrocentos e oitenta e oito de fiação e três mil, trezentos e doze de torcedura e dispõe de noventa e dois teares mecânicos.
Os fusos são de montagem
relativamente moderna, posterior à primeira grande guerra, e parte
deles empregam-se na fiação de fios de penteados de rama, coloniais e
do Egipto. Na exposição industrial de 1886 atribuída à ‘Fábrica
do Bugio ’ a Medalha de Prata pelos fios que ali expôs.
Isso não significa, porém, que os seus tecidos sejam de menor valimento. Procurando aperfeiçoar sempre a sua manufactura, tem colhido os melhores resultados e, desde há muito, vem apresentado artigos de reputação inconfundível, como sejam as flanelas e castorinas do seu fabrico, que são consideradas ainda hoje como as primeiras em qualidade.
Foi
a ‘ Fábrica do Bugio’ que iniciou entre nós a confecção destes
tecidos e chamado cotim egípcio,
tão apreciado como os anteriores referidos.
No
estabelecimento fabril de ‘José Florêncio Soares & C.ª,
Sucessores trabalham cerca de quatrocentos e oitenta operários, que
dispõem de creche e outros serviços de assistência escrupulosamente
organizados pela administração.
A
central eléctrica da ‘ Fábrica do Bugio ‘ está equipada com duas
turbinas hidráulicas no total de 620 cavalos e uma máquina de vapor de
400/650 cavalos, fornecendo energia eléctrica aos concelhos de Fafe e
Felgueiras».
Em
1909 empregava, 250 operários.
Miguel Monteiro (Coordenador ) |