Permanece em nós a escolha das palavras e dos gestos, para lhes associarmos, em cada momento, objectos e imagens simbólicas.
A procura da compreensão deste quotidiano raramente se faz no próprio momento da sua prática.
Recentemente surgiram os instrumentos e as técnicas de análise social adequadas ao estudo do presente.
Olhando certos fenómenos sociais, verificamos que neles permanecem muito do que é antigo, ao mesmo tempo que muito do desaparecido parece repetir-se no presente.
Se neste fenómeno reside algo de oculto, também nessa área do obscuro residem as explicações para muitas das atitudes individuais e colectivas.
Talvez por isso as religiões encontraram aí o culto e a valorização da superioridade divina em muitas das festividades em muitas das festividades que ao mesmo tempo não o são, ou não o parecem ser.
Em todas parece haver um pensamento complexo que acompanha os gestos, as palavras, objectos e símbolos, envolvidos de imaterialidade colectiva que lhes dá sentido e organização, os quais variando no espaço e no tempo, transportam no oculto a identidade universal e intemporal do homem.
Os comportamentos humanos ao variarem, aparentemente, no espaço e no tempo, apenas reflectem diferenças específicas ao nível do conhecimento tecnológico decorrentes dos contextos ecológicos.
Os sistemas sócio-culturais assim construídos, partindo de matrizes distintas nas variáveis, assentam na permanência das estruturas complexas do pensamento humano, que se expressa em mitos onde se apreende todo o tempo e toda a história, usando os ritos e os símbolos que compõem a sua imaterialidade «oculta» dos «cultos».
Sugerimos assim algumas leituras interpretativas de alguns rituais a partir dos ritos e símbolos, buscando alguma articulação analítica, apenas na busca de posteriores contributos.
As práticas rituais descritas correspondem aos lugares da primeiras experiências agrícolas do Neolítico e recolhidas nas freguesias que se situam no planalto de Montelongo que se desenvolve na parte Este e Noroeste do Concelho de Fafe e na freguesia de Rego do Concelho de Celorico de Basto, e que integra aquela plataforma.
Esta, pela sua configuração geomorfológica, terá estado na origem da antiga designação de Montelongo atribuída ao concelho de Fafe.
Apresentamos esta nossa interpretação como contributo modesto para um melhor conhecimento da região.