DUQUE DE CAXIAS -  LUÍS ALVES DE LIMA E SILVA

 

Foi Barão, Conde, Marquês e Duque de Caxias Luís Alves de Lima e Silva, que nasceu em Porto Estrela (Rio de Janeiro) a 25 de Agosto de 1803 e morreu em Jurapanã (Rio de Janeiro) a 07 de Maio de 1880, filho do Marechal Francisco de Lima e Silva e de sua mulher, D. Maria Cândida de Oliveira Belo e irmão do Conde de Tocantins e de D. Carlota Guilhermina de Lima e Silva, que foi, por seu casamento, Baronesa de Soruí.

Aos 5 anos assentou praça no exército e aos quinze foi promovido a alferes, cursando então a academia militar. Dedicou-se ao estudo de engenharia e em 1821 foi promovido a tenente e escolhido por D. Pedro I para ajudante do Batalhão do Imperador e encarregado de marchar sobre a Baía para repelir as tropas portuguesas nas lutas que se travavam pela independência.

Desde 1825 e por quatro anos fez a campanha de Montevideu. Na vigência de D. Pedro II foi encarregado de combater os rebeldes da província do Maranhão, S. Paulo, Rio Grande do Sul, e Minas Gerais, que conseguiu pacificar em 1840, 1842, e 1845.

Em 1855 sobraçou a pasta da guerra e em 1862 cumulativamente a presidência do Conselho, sendo neste último ano nomeado marechal de Exército. Em 1863/64 tomou assento no Senado.

Foi dignitário de todas as ordens honoríficas brasileiras, inclusivamente da Ordem de D. Pedro I, como grã-cruz, e é patrono de uma cadeira do Instituto Brasileiro de Cultura. O Rio de Janeiro erigiu-lhe um monumento. Por decreto de 9 de Março de 1889 foi criada a medalha de ouro Duque de Caxias como recompensa a conferir aos alunos do Imperial Colégio Militar.

Casou em 06 de Janeiro de 1833 no Rio de Janeiro com D. Ana Luísa Viana (1816/1874), filha do conselheiro Paulo Fernandes Viana e de sua mulher D. Luísa Rosa Carneiro da Costa.

Desse matrimónio houve três descendentes, a primeira dos quais, D. Luísa de Loreto, foi, por seu casamento, Viscondessa de Ururaí.

Foi-lhe concedido o título de Barão em 1841, de Conde em 1845, de Marquês em 1852 e de Duque (a primeira vez dado a um brasileiro) em 1869 por D. Pedro II.

 [in Nobreza de Portugal e do Brasil, coordenado por António Zuquete]

 

 

 

 

DUQUE DE CAXIAS

 

         O mais hábil general brasileiro do séc. XIX, Luís Alves de Lima, nasceu em 1803, pertencendo a uma família oriunda do Algarve em Portugal.

Aderindo com entusiasmo à causa da independência brasileira, mas desejando vivamente a manutenção da ordem no novo império, pôs a sua espada à disposição de D. Pedro I, para sufocar a revolta, que o obrigou a abdicar.

Servindo depois lealmente os governos que o Brasil sancionou com a sua adesão e o seu voto, sufocou a revolta do Maranhão, a de S. Paulo e Minas, e finalmente a do Rio Grande do Sul, que pôs mais do que nenhuma outra em sério perigo a integridade do império brasileiro. Sempre vitorioso, foi ele quem dirigiu a campanha contra Rosas, e quem infligiu a derrota suprema a esse terrível ditador.

Ministro por várias vezes, foi o organizador do exército brasileiro que empreendeu a campanha do Paraguai.

Depois, pondo-se à frente desse mesmo exército, franqueou os terríveis passos de Gurupaity e de Humaytá, ganhou umas poucas de batalhas, e, entrando triunfante na capital do Paraguay, fez tremular nas rendidas muralhas de Assunção a bandeira auri-verde.

Ao conde d’Eu coube a gloria de debelar os últimos esforços do ditador da republica, ao duque de Caxias coube a gloria indisputável de ter vibrado a esse terrível e enérgico  inimigo da Brasil o golpe mais fundo, e que tornou, apesar da indomável perseverança de Lopez, quase desesperada a sua causa.

O governo e o povo do Brasil reconheceram sempre os altos serviços  desse glorioso guerreiro, dando-lhe com o bastão de marechal o titulo mais elevado da nobiliarquia brasileira, o povo fazendo em 1880 da morte do velho duque um verdadeiro luto nacional.

É que todos reconheciam, como o autor deste livro já disse algures, que a espada do duque de Caxias, como a espada de Grant ou de Sherman, dera a um tempo à sua pátria uma potente unidade, e à civilização da América um glorioso triunfo.

 

 

(Pinheiro Chagas, 1909)