José Maria Correia Costa Frias

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nasceu em Lisboa em 2 de Novembro de 1828. Filho de António Correia de Frias e Cecília Teresa de Val Frias. Foi para o Maranhão em 1848, na idade de 15 anos e vendo-se só, tratou de por si, fazer-se homem.

Empregado em casa de Joaquim Correia Marques da Cu­nha Torres, proprietário de tipografia, aplicou-se á arte, sendo depois administrador da oficina.

Em 1857, por falecimento do seu proprietário, ficou Frias com a tipografia, passando ela logo a ser a pri­meira, devido ao génio activo e empreendedor de seu novo proprietário.

Em 1865, foi o introdutor na província, do primeiro prelo mecânico, em 1867 do aparador de papel, também mecânico, e algum tempo depois, de um motor a gás e daí por diante, de todos os aperfeiçoamentos tendentes a arte, quer em máquinas, quer em tipos.

 

 

 

Hoje dispõe este estabelecimento de dois prelos mecânicos, um dito a braço, uma platina (Liberty), uma dita à mão, uma máquina de picar talões, uma dita de pautar, uma dita de apertar, uma dita de fazer curvas, um nume­rador duplo, e um motor a gás. Foi na sua oficina que, por mais de uma vez se fabricou a moeda, papel do Banco do Maranhão, tal era o crédito e confiança, que merecia o seu proprietário, que era ao mesmo tempo o operário.

 

Sempre foi, e é incontestavelmente o seu estabelecimento o primeiro da provinda.

Em 1869, quando os seus recursos eram ainda o traba­lho de todo o dia, ele abandonando o seu estabelecimento com grave prejuízo de seus interesses, conseguiu levar a efeito, a construção do majestoso edifício do Hospital português, de acordo com a planta por ele mesmo traçada em relação a aproveitar parte do antigo prédio, foi durante mais de um ano, o obreiro incansável, o engenheiro das obras, o administrador, o oficial e até servente, levando a sua dedicação a ponto de empregar todas as horas do dia, e até algumas da noite sob a claridade de uma lâmpada nessa obra, que atestará à nação inteira, de quanto é capaz o seu amor pátrio.

É o proprietário do Diário do Maranhão, que, aos seus esforços, foi criado em 1855, quando então era administra­dor da oficina, passando a ser sua propriedade em 1857. Este jornal suspendeu a sua publicação em 1858, reaparecendo depois em 1873, quando as posses de seu pro­prietário de novo o permitiram, e tem durado até hoje, contando catorze anos de existência.

Em tudo que é concernente a patriotismo, é sempre um lidador incansável e acérrimo.

Sócio do Gabinete Português de Leitura, logo depois da fundação, que por várias vezes dirigiu como director e presidente. Encarregou-se do penoso trabalho de organizar um catálogo dos livros do Gabinete, que atingiram o nú­mero de 4500 volumes.

Foi o fundador da Associação Tipográfica Maranhense, que nessa época em 1851 era a mais considerada das existentes na província.

Frias não tem sido feliz como deveria sê-lo um homem activo e laborioso; tem trabalhado com perseverança e sem descanso, e só tem conseguido à força de uma vida restrita e de uma economia perseverante adquirir e conservar esse estabelecimento que constitui a sua fortuna e um nome pobre porém honrado.

Nós, que por impossibilidade de saúde não podemos tra­var relações com Frias, quando estivemos nessa província, não deixámos ainda assim, de empregar todos os esfor­ços para obter estes apontamentos, que servissem à apresen­tação do retrato do português distinto, do patriota incan­sável, do trabalhador perseverante, que honra hoje a gale­ria do Comércio e Industria. S. Luís, capital da província do Maranhão, é lida pela Athenas Brasilense, e justifica-se a nosso ver essa primazia, pois é uma das cidades mais ilustradas do Brasil, de mui­tíssima sociabilidade, cativando quantos a visitam pela simpática hospitalidade e agradável trato dos seus habi­tantes.

Já que falamos no Maranhão é forçoso que digamos que de passagem nessa cidade fomos recebidos com toda a amabilidade e franqueza, devido sem dúvida à generosi­dade, de que esse belo povo é dotado.

Agora que distantes, nos é impossível apertar a mão de Correia de Frias, receba ele uma saudação do seu patrí­cio e colega.

 

Almeida Pinto in Galeria Photographica-Biographica Luzo-Brazileira

Lisboa, 1884.