Cf: Revista da Comunidades de Língua Portuguesa, Revista n.º 20, Director e Editor João Alves das Neves 

(transcrição feita por Juliana)

 

Beneficência Portuguesa (Bagé, 1874)

 

A cidade de Bagé foi, em décadas passadas, marcada pela presença de altos vultos portugueses.

 A quebra  do fluxo migratório de Portugal para o Brasil atingiu profundamente Bagé. Hoje, apenas alguns velhos nomes de portugueses recordam o passado lusitano da idade do Visconde de Ribeiro Magalhães.

 A sociedade Portuguesa de Beneficência é (segundo Abilio Garcia, em "Histórico da Sociedade Portuguesa de Beneficência de Bagé - 1870- 1985´´) tida como o marco histórico a assimilar a presença portuguesa desde 1871.

De fato, a Beneficência Portuguesa de Bagé repete o que se passou em Pelotas e no Rio Grande.

Os sócios da Sociedade Portuguesa de Porto Alegre, conscientizando-se do que podiam, criam a da própria Beneficência.

O "Relatório apresentado á reunião ordinária da Sociedade Portuguesa de Beneficência de Porto Alegre", de 06 de Março de 1859, publicado conjuntamente com o estatuto, refere-se á agencia de Bagé e ao agente Júlio Alves Pinto.

As actas de 1859 mencionam a gerência de Bagé.

Assim, aos 27/11/1870, reunidos os portugueses interessados funda-se a sociedade Portuguesa de Beneficência.

Fundou-se soba protecção do Rei Português D.Carlos, Duque de Bragança, tendo como padroeiro S. João de Deus.

A primeira directoria, constituída por Joaquim da Costa Guimarães ( presidente e Vice - Cônsul de Bagé), Francisco Leopoldo da Costa Cabral (Vice - Presidente), João Maria Peixoto (Secretário) e João Mendonça Lima (Tesoureiro), elaborou os estatutos, aprovados aos 6/6/1871, por João Simões Lopes Neto, Vice-Presidente do Estado, ao tempo Província.

Aos 9/6/1871, inicia-se a construção do edifício com lançamento solene de primeira pedra.

Primeiro, constrói-se o bloco voltado ao poente, cuja festa da cumeeira foi aos 01/12/1875.

Internamente, o edifício deu-se como pronto aos 27/11/1878.(...)

Aos 3/12/1916 é inaugurado o hospital.

(...) Entretanto, as obras foram continuando: Em 1922, Francisco Sousa Pinto, assumindo a presidência, constrói novo pavilhão com a frente para a rua 3 de Fevereiro, e nele são instaladas as enfermarias.

Segundo a Abílio Garcia, cuja obra já citamos e seguimos, foi na Beneficência Portuguesa de Bagé, que, no estado, de 1922, se realizou o maior número de operações.

O prédio, na esquina da Rua 3 de Fevereiro destinado á  sede e farmácia, foi aos 16/10/1924 inaugurado.

Na mesma altura se decidiu pela construção de um outro pavilhão com frente para as ruas 3 de Fevereiro e Caetano Gonçalves, pavilhão esse inaugurado aos 11/4/1930.

(...)  A partir de 1940, o Dr. Mário Araújo dá por findo o contrato de arrendamento.

De 1944 a 1951, o edifício foi alugado ao exército.

Aos 22/4/1952, o edifício volta a ser alugado para atendimento médico e cirúrgico.

(...) Em 1975, graças á colaboração do prefeito Dr. Antonio  Pires, de ascendência Lusa, o edifício foi recuperado e nele se instalou o Museu D. Diogo de Souza; e no pavilhão novo foi instalada a secretaria de assistência social.